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Tirone, o Covarde

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Até ontem confesso que achava Arnaldo Tirone um presidente injustiçado;  ponderava que as críticas recebidas por ele traziam invariavelmente um teor de cobranças que iam além de sua responsabilidade.

Agora, porém, deixa de ter importância para mim se ele pegou um clube com menos recursos do que deveria ter, com um ambiente interno mais fragmentado do que o comum até para o próprio Palmeiras: ao se encolher diante de meia dúzia de fascistas uniformizados, uma gente pequena de reputação duvidosa, Tirone cedeu justamente àqueles que o taxaram de banana e dificultam a vida do departamento de Futebol até aqui.

Rendido às ameaças de alguns poucos desocupados e desistindo da contratação de Richarlyson, Tirone não foi só covarde: foi o pior tipo de covarde que se pode ser, curvando-se diante de gente intolerante e preconceituosa, assinando um atestado de hipocrisia e de falta de caráter que mancha a própria trajetória de vida de um sujeito. Sua submissão não só prejudica a formação de um plantel idealizado por seu treinador (que pode até sair depois de ver novamente sua vontade preterida por interesses políticos), mas joga sobre o Palmeiras uma mancha vergonhosa de intolerância que será difícil de apagar.

Não há argumento válido para o veto de Richarlyson no Palmeiras. Podem dizer que ele deu um chapéu no clube anos atrás, quando tinha pré-contrato assinado com o Verdão e preferiu pular o muro das primas, ok – mas aí eu me pergunto: e se não fosse Richarlyson? E se, ao invés dele – façam aí um exercício de imaginação – fosse um Messi? Aí será que esse balão importaria mesmo para a torcida, no caso de uma possível contratação do mesmo jogador para atuar em 2012? Acho que não.

Tecnicamente, também não há o que discutir: a troca pura e simples entre Richarlyson, um jogador que pode jogar com certa desenvoltura em mais de uma posição, como volante ou lateral, e um aparador de grama com as lâminas sem fio (Pierre), que nem sequer quer vestir nossa camisa, seria mais do que vantajosa.

Sobra o horroroso preconceito decretando que um jogador publicamente tido como homossexual não tem direito de trabalhar no Palmeiras: prerrogativa aberta por seu mandatário, Arnaldo Tirone, o capacho da torcida organizada mais venal e sem escrúpulos que já existiu.

Resta pouco mais de um ano de mandato para este senhor que está prestes a se tornar outra Rainha da Inglaterra no clube: quem se curva como ele se curvou – em um caso torpe destes  – perde toda e qualquer capacidade de manter o respeito necessário para mandar em um clube do tamanho do Palmeiras, perde a capacidade de tomar decisões sem ter medo. Tirone é o medo em pessoa.

Felipão agora sabe que não temos presidente, sabe que só montará o time que quer se a torcida deixar o bananão trazer algum reforço; o elenco também já tem certeza de que não tem quem o proteja ou o resguarde diante de uma crise, que qualquer um poderá ser entregue aos lobos por um ratinho assustado que deveria estar lá para dar apoio e estrutura de trabalho aos jogadores que vestem o Manto.

E, finalmente, o legítimo torcedor alviverde também já tem certeza que dificilmente sairemos do período de vacas magras tão cedo, pois que o Palmeiras se tornou refém de gente que luta por interesses próprios e veste a camisa de sua própria torcida, em detrimento aos interesses do time.

A merda está feita e o Palmeiras, que vem perdendo espaço no cenário nacional pela ausência de grandes conquistas nos últimos anos, fica hoje ainda menor, quando expõe publicamente a crueldade e a falta de grandeza de sua torcida anacrônica.

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2009 acabou!

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Em muito pouco tempo o Palmeiras poderá contar com valores da sua base (base que a imprensa diz que não existe), a mesma que conquistou em 2011 a Copa Rio Sub-17 e o Campeonato Paulista da mesma categoria. Entre estas promessas destaca-se Bruno Dybal, jovem meia que será apresentado à grande torcida na Copa SP que se inicia em janeiro de 2012.

E, se a molecada chega atropelando, o escrete principal dirigido por Felipão começará o Paulista reforçado com o melhor lateral-esquerdo do BR-11, Juninho, trazido do Figueirense; com a possível vinda de Diego Tardelli, atacante artilheiro do BR-09; com a chegada de mais reforços durante este período de contratações em pleno andamento – muito embora nos seja vendida pela mídia a idéia de que não conseguimos contratar ninguém.

Nossa diretoria, que pode não ser perfeita, não arrendou o time principal para um empresário só, como fez Madame, nem anda fazendo por aí negócio da China,  tentando mostrar a bunda seca e desprovida de títulos internacionais para o mundo  - ainda que os colunistas esportivos adorem ridicularizar apenas nossos mandatários.

Vendo a nossa situação por este prisma, na entrada de uma temporada novinha em folha, bem que o torcedor Palmeirense podia deixar de se comportar tão mal. Bem que poderíamos, uma vez na puta da vida, parar de fazer eco à antipatia da mídia esportiva que vive tratando o Palmeiras como piada de domínio público. Não dá mais para suportar torcedor menosprezando jogadores que nem estrearam, ou apostando em alto e bom som em mais um ano de fracassos do nosso time.

Aí cabe dizer ainda que este time está sendo formado por um departamento de futebol que tenta trabalhar sério enquanto costura rombos financeiros que herdou no começo de 2011.

É hora de dar um lembrete àqueles atuantes Palestrinos que reforçam as frentes da oposição nos portões do Palestra: tantos protestos e pedidos de cabeça estão sendo feitos do lado de fora da Turiassu justamente porque os insatisfeitos nos deixaram sem estádio, sem dinheiro e dignidade para continuar vencendo.

Protestem no meio do ano, quando e se o nosso time fracassar. Protestem em dezembro, quando e se não ganharmos nada e estivermos às vésperas de uma nova eleição no clube. Por hora, quem se diz Palmeirense deveria cumprir a função que qualquer torcedor que se preza cumpre – em qualquer time que sabe vencer: apoiar seu elenco, honrar seu Manto, lutar com seus jogadores em cada minuto de cada jogo.

É muito difícil ou vocês se esqueceram como é que faz?

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Epitáfio

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O que dizer de um ídolo que joga tão somente para lucrar mais dinheiro, amparado no apoio que compra da torcida oficiosa de seu clube? O que dizer dessa torcida, que é patrocinada pela oposição do clube em questão e que protesta ao sabor do tempo e do vento?

Nada disso é novidade ou exclusividade do Palmeiras. Nem isso importa.

O que importa é que um ano atrás, um pouco menos, verdadeiros torcedores de um clube quase centenário – cuja história se confunde com a luta contra o obscurantismo no Brasil – foram às arquibancadas adversárias bradar contra o Palmeiras, xingar nosso arqueiro (justo o Arqueiro, cuja posição tanto enobrece a nossa história) que defendia as bolas do oponente, torcendo pela nossa derrota. 

O que importa é que esse mesmo torcedor, carente e deslumbrado, aplaudia em uníssono a destruição e venda de nosso patrimônio por uma gangue de bandidos organizados – tudo em nome da promessa de um novo templo hi-tech, pré-moldado, de arame e sem identidade.

O que importa é que nos tornamos um clube sem estádio, com uma torcida sem consciência que emporcalha nossa própria história.

Pela primeira vez em meus quase quarenta anos de vida: o que importa se estamos às vésperas de um Palmeiras x São Paulo? Nada. 

A mim não me diz nada se ganharmos de goleada ou se perdemos de 6 x 0. Ganhando, alimentaremos o ego vazio de uma torcida podre que se contenta em chamar os adversários de mendigos ou de bichas. Perdendo, atiçaremos a cobiça de canalhas que se revestem de Palestrinos, com carteirinhas de sócio, que mal esperam a hora de mandarem neste clube sem sede para poderem roubar um pouco mais do que sobrou da nossa glória.

Que se fodam todos vocês.

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Post Corneta

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São Caetano X PALMEIRAS

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AVANTI, PALESTRA!

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Depois de quase um mês de retiro no Sul, volto a São Paulo na semana que vem. Não que me empolgue aquele cheirinho de merda do rio, ou aquela cara de merda do paulistano médio estressado na merda do trânsito; mas será um alívio ter notícias em primeira mão do Palmeiras sem depender de MERDA de Palmeirense nenhum.

Por aqui fica difícil saber do andamento dos jogos do Palmeiras em tempo real. O máximo que posso fazer é me conectar à rede, acompanhar os “minuto a minuto” dos portais que odeiam o Verdão e, para ter alguma noção verdadeira (sic) do que acontece em campo, ficar de olho no que os Palestrinos dizem via twitter durante a peleja.

Foi o que fiz nos últimos 4 jogos, contra Comercial, SPFW, Santo André e Noroeste. E a impressão que tive, colhida da minha própria torcida, é a de que torço para um time que seria goleado pelo Íbis em todos os jogos. Um nojo.

Palmeirense de hoje torce contra o próprio time. Parece que espera o fracasso só para poder dizer “não falei? viu como eu tinha razão?!

Não dá mais.

O Palmeiras entra em campo e nosso adversário tem sempre 12 nos enfrentando. Porque, ou tem Palmeirense zicando o time do sofá, torcendo por nossa derrota para poder fazer piada no twitter, ou tem corno manso que vai ao estádio (para não ver o que a mulher tá fazendo) xingar nossos jogadores do primeiro ao último minuto.

Como um time com uma torcida dessas pode merecer um título?!

Ontem, 19:30hs, eu em Porto Alegre sem a menor chance de ver um lance do jogo, entro na internet para saber o que o torcedor tem a dizer sobre nosso time, sobre o Palmeiras que só perdeu um jogo no ano, que passou de fase goleando na Copa do Brasil e que está na ponta do Paulistão. Li coisas deste naipe:

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“boas notícias relacionadas ao Palmeiras estão em falta ultimamente, meu caro”

“1 a 0 pro noroeste, palmeiras jogando bosta nenhuma”

“Vão me xingar, mas foda-se. Aposenta M. Assunção!”

“Muito feio esse time !! Precisamos de jogadores o mais rapido possivel !”

“ALO DIRETORIA, UM RECADO: Ganhamos, mas foi dificil.”

“Time do Noroeste vê o Marcio Araujo com a bola e diz: “deixa que a natureza cuida”"

“Não estava assistindo, mas estava rezando”

“Até que enfim o Palmeiras ganhou! Só não convenceu..”

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Eu vou parar por aqui porque que a lista de escrotice verde é interminável. Você pode até achar que eu deveria dar um desconto, seja porque se trata apenas de uma parcela pequena da torcida, seja porque se trata de moleques de classe média com PC no quarto e o cérebro vago, tudo bem.

Mas e o que dizer de um conselheiro de clube recentemente eleito pela chapa FANFULLA (supostamente para lutar pelo crescimento do Palmeiras) que desdenha do Verdão em uma lista fechada para Palmeirenses que vivem a vida política do clube?

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eu não assisti. e tenho evitado ao máximo, faz muito tempo. “

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Este é o retrato da nossa torcida, do nosso sócio, da nossa oposição. É o Palmeiras, como sempre lutando contra ele mesmo e contra esta torcida que reza todo dia pelo seu fracasso.

Não precisamos de inimigos. Nós somos mais nojentos que qualquer um deles.

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Lembro-me de pelo menos duas ocasiões em que Obina fez 3 gols em uma mesma partida pelo Palmeiras – uma delas contra o Corinthians, vejam vocês, num Derby pelo Brasileirão de 2009.

Mas nem isso, nem o fato de Obina ter se consolidado como artilheiro da equipe fizeram com que ele despertasse a paixão da torcida. Afinal de contas o ex-flamenguista se chamava “Obina”, tinha aquela piadinha com o Eto’o e, na cabeça do Palmeirense médio, um jogador assim é para ser ridicularizado ou servir de bode expiatório quando o torcedor quer protestar contra alguém.

Ainda mais se for um pretinho feio que não custou milhões de dólares.

Fico imaginando Obina hoje, nesta equipe que tanto carece de um 9, jogando com Kléber, Valdívia e Felipão no banco. Ele encheria as redes de gols e, talvez, fosse finalmente reconhecido pela torcida que o entregou de bandeja para a diretoria mais canalha que tivemos na vida fazer o que fez.

O problema é que no Palmeiras a história não se repete, a não ser aquelas passagens mais vergonhosas de nossa saga recente. Estas têm reprise todo dia.

Abro a internet hoje e, para minha surpresa, vejo Palmeirenses mais irritados do que de costume após nosso time ganhar de 5 x 1. Eu sei  o porquê: o torcedor mais corneteiro do mundo quer ter razão, que se dane o Palmeiras.

Reclamam todo dia da falta de um atacante mas, pelo amor de Deus, que não seja esse tal de “Adriano Michael Jackson”. Na cabeça do corneta este zé ninguém com nome feio tem que ser ruim de bola. Além do mais, se ele for bem hoje, quem nós vamos xingar amanhã, não é mesmo?

Dane-se que falta um atacante e Adriano fez 6 gols em apenas 3 jogos. Dane-se que o time avançou de fase com uma goleada, ainda que jogando mal: vamos todos falar apenas isso, que o Palmeiras jogou mal.

Vamos ignorar o atacante pretinho que fez 4 gols num jogo só e que salvou a gente num clássico 3 dias atrás: é melhor não tocar neste assunto.

A verdade é que o Palmeiras não precisa de um atacante, de um armador ou de um zagueiro: o Verdão precisa é de uma nova torcida urgente! Esta que temos hoje é um nojo.

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Ela faz o que quer

São Paulo, tão criticado pela suposta falta de infra-estrutura para lidar com as chuvas de verão, ganhou um novo suporte e nem sabia: a casa de tolerância construída em área tungada por Adhemar de Barros e sua máfia, erguida com material tungado do povo por Laudo Natel e quadrilha, finalmente pagou sua dívida social com uma grande obra pública e entregou à cidade mais um piscinão de grande porte: o ex-estádio do Morumbi.

Foi ali, onde um dia o ditador desceu de helicóptero para coagir o árbitro quando o mandante perdia uma final, no mesmo lugar onde seguranças armados agrediram outro árbitro no vestiário exigindo a virada das moças em uma semifinal de Brasileiro, em 1981, que o Palmeiras teve de enfrentar a fúria insana de Madame e todo seu aparelho midiático. Onde quer que você estivesse sintonizado às 15:30 da tarde, vendo aquela cena surreal da água tomando por completo uma estrutura carcomida pela ambição e pelo tempo, o comentário era um só – como que ensaiado – ignorando sem pudores o espetáculo deprimente que todos podiam ver: “o jogo transcorrerá normalmente porque a drenagem do Morumbi é fantástica!”

A drenagem não foi fantástica e o jogo atrasou em mais de uma hora: o gramado não suportou as fortes chuvas. E quando os times voltaram a campo, um árbitro (que parecia até então equilibrado e havia tomado a decisão do prorrogamento do início da peleja em comum acordo com os dois treinadores) estranhamente nervoso fazia questão de gesticular e sinalizar contra o Palmeiras para as câmeras em rede nacional, como quem precisasse deixar registrado na memória popular do telespectador, sob ordens superiores, a idéia de que o Palestra era o responsável pelo atraso da partida.

Na imprensa, no ato seguinte da farsa, nada a declarar quanto ao estado de falência do puteiro de Vila Sônia. Nem mesmo depois que uma falha de energia parou o jogo no primeiro tempo por mais quinze minutos. Nenhum comentário. Esperaram o fim do intervalo para falar de boca cheia: “Ninguém poderia imaginar um segundo tempo sem poças no gramado como estamos vendo . Que drenagem fantástica!”

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O estádio fantástico! (Foto: UOL)

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A velha calça desbotada

Mais um clássico em que superamos os 60% de tempo de posse de bola, no campo de ataque, sem vencer. Mais um jogo vital onde nosso predomínio no gramado não se converteu em vitória. O que pensar sobre isso?

Você tem aquele amigo que respeita muito pelo seu passado, por suas histórias, mas toda vez que o encontra, pensa: “porra, mas o cara ainda se veste como se estivesse em mil novecentos e oitenta e bolinha?” Pois é.

Felipão pode ser Deus. Pode ser responsável pela permanência do Palmeiras na série A em 2010, pode ser o responsável pela nossa boa campanha no Paulistão e tudo mais, só que tá na hora do nosso deus tomar um “banho de loja”. Não é possível ficar reclamando da falta de um centeoavante enquanto Adriano fica no banco e Kléber se sacrifica mais e mais a cada jogo. Não dá para ter um jogador a mais em campo, com o placar adverso, e nem assim abrir mão da volantada toda. E também não dá mais para rebaixar nosso elenco depois de cada peleja e colocar a culpa na ineficiência da diretoria. Uma, porque nossa diretoria é ineficiente há 20 anos, e não é reclamar no microfone que vai mudar isso. Duas, porque jogador também ouve rádio e vê TV. Tá todo mundo dando o sangue em campo pela nossa camisa e ninguém merece ser desacreditado. Até porque isso não estimula ninguém a jogar mais bola.

Querem uma crítica pertinente? Lincoln, o armador que tanta falta faz ao lado de Valdívia, tem plenas condições de jogo. Mas não é nem relacionado porque a diretoria antiga lhe deu um calote de R$ 1 milhão, pelo menos. Calote este que a nova gestão não mexeu uma palha para pagar. Que tal cobrar essa turma pelos motivos certos, pelos que devem ser cobrados?

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O título do post…

…não tem conexão com o texto. E, para quem viu o jogo, nem precisa ter.

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20 de Setembro. Há 68 anos deste dia santo:

Você atacou nossa casa, nosso nome, nossa gente. Distribuiu panfletos na porta do Palestra Italia, querendo que a sociedade tomasse conhecimento que ali era o castelo de um bando de fascistas. Espalhou que estávamos contra o Brasil, como se já não fossemos, todos, brasiliani no coração.

Nós nos defendemos com a hombridade que você nunca vai conhecer. Com lanternas ao anoitecer, com barris de combustível se preciso fosse – e se preciso fosse nos juntaríamos às cinzas daquilo que conquistamos nesta terra.

De lá para cá foi sempre essa coisa repulsiva, esse comportamento passivo-agressivo que beira o ridículo. Por vezes você nos enreda em mistérios indissolúveis; o mistério do Armando Marques, o mistério da contraprova, o mistério do gás… E quando menos se espera, ataca, se esquivando às consequências: esburaca o próprio estádio para não ver nossa torcida explodir, tenta matar essa torcida dentro do Pacaembu – porque não sabe perder; pede mais dinheiro público, se esquecendo que é o maior devedor previdenciário entre os clubes do estado. Cunha na mídia a expressão “esquema Parmalat” – porque é muito humilhante para você perder para um povo.

E se eu sou fascista, você não tem raça. Nem fibra, não tem gosto na boca porque não tem alma.

20 de Setembro, há 68 anos deste dia santo:

Nascemos campeões. Você fugiu. Não contava com Adalberto Mendes – e acho que se cagou só de olhar para o queixo de Oberdan Cattani, entrando em campo de Azul. Era a Itália que resistia. Sob aplausos de um povo generoso que você queria ver nos apedrejando. Você fugiu.

A partir dali nos tornamos ainda maiores. Molti nemice, molto onore. O Time do Século. Pra você poder enfiar no cu aqueles jipes toyotas. Pra você sobrou um bêbado, um anão, a casca inóspita de um anti-estádio e a fama de ser puta.

Por isso estou aqui. É ódio. E este ódio será tua herança.

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Avanti, Palestra!

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O Derby e os outros jogos

Só um torcedor inexperiente imaginaria que o Palmeiras era mesmo o favorito na tarde de ontem.

Fui ao Pacaembu ciente de que o Palmeiras chegara ao confronto no pior dos cenários: líder isolado, invicto, vindo de 5 vitórias, contra um Corinthians afundado na sua mais profunda crise.

A história conta que, em situações assim, quem está por baixo se levanta. Estivessem os dois em pé de igualdade, e a vitória Alviverde seria mais fácil – como, aliás, sempre foi.

Aos revoltados, inconformados e desiludidos digo que é preciso entender a transcendência de um Derby. Não é um clássico qualquer, é um dos maiores confrontos do mundo, expondo rivalidades das mais extremadas no Futebol: quando Palmeiras e Corinthians entram no gramado para se enfrentar, não importa qual campeonato esteja em disputa. Não importa a posição na tabela, o retrospecto no ano, o ambiente que vivencia cada clube.

É Palmeiras x Corinthians, e o mundo da bola se curva à lógica absurda desta paixão. Vencer, para quem está no limbo, não é só uma oportunidade de renascimento – é a chance clara de fazê-lo. A única chance.

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Das nossas limitações

Claro, o Palmeirense de cabeça inchada poderá me acusar de vomitar retórica aqui sem levar em conta o que foi o jogo: uma injustiça.

É verdade. O Palmeiras, durante os 90 minutos, tomou a iniciativa de ir para o ataque, ditou o ritmo de jogo, atacou muito mais e perdeu chances claras de matar a partida. O Corinthians, por sua vez, achou seu tento em um contragolpe fuminante e não teve nenhuma outra façanha digna de registro, salvo as defesas sobrenaturais de seu iluminado arqueiro.

Acontece que essa história de injustiça, no Futebol, geralmente nasce de algum fator concreto – e nem tão injusto assim. Tivéssemos nós um centroavante de ofício no Pacaembu, e nem falo de um grande atacante – um Obina, um Robert, até um Saulo com a 9 – e o Alviverde teria matado a peleja no primeiro tempo com a simplicidade de uma criança.

Não temos, no entanto, este cara no time. E aí deu no que deu. O que fazer agora? Entender que esta derrota, por mais doída que seja, foi profilática. Nada mudou, na prática: somos líderes, eles seguem comendo sua própria lama. Ou seja, tiremos deste jogo a lição que nos cabe: nosso elenco não está pronto, por mais que tenha melhorado no conjunto. A hora é ideal para corrigir as falhas, trazer as peças que faltam e deixar Felipão mexê-las com a maestria que tem feito desde o começo de 2011.

Sem revolta, sem cobranças, sem ameças – que não somos nós os mendigos, os coitadinhos. A hora é também do torcedor se lembrar que somos limitados e já sabíamos disso. A hora é de reconhecer a honestidade com que cada um vem lutando com nossa camisa em campo e dar nosso apoio a este grupo que está esboçando sua nova cara para o ano todo. O resto é resto.

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As sapatilhas da moças

Bastou um Derby que atraísse a atenção nacional e as emissoras de TV para vermos novamente o câncer do marquetíngue maculando a legitimidade de uma batalha como esta: contei 7 jogadores do Palmeiras e 5 do Corinthians calçando uma chuteira laranja-berrante-inédita. Não olhei a numeração dos caras e não quero nem saber quem recebeu para usar este lixo formatado para vender chuteira na TV, lixo que provavelmente não se encaixa na forma do pé de cada atleta e que compromete seu desempenho – mas que rendeu alguns tostões nas contas dos jogadores: quem aceitou e se expôs ao ridículo usando aquilo é puta e precisa rever seus conceitos. Quem se vende por uma chuteira se vende por qualquer coisa. Dizem que jogador é “tudo puta” mesmo, mas alguns dos que entraram em campo neste domingo estão dando baratinho, baratinho.

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Fiel?

Tenho dito faz tempo e vou repetir agora que não consigo mais ver a diferença entre a organizada do Corinthians e a do Morumbi. Assim como os leonores de lá, os neo-bambis que se entiulam “fiéis” vivem de uma propaganda canalha e mentirosa que não se justifica nas arquibancadas.

Ontem, com medo de perderem feio para o Verdão após o vexame na Colômbia, esses neo-bambis não ocuparam sequer metade do Tobogã, destinado todo para eles. “Nação”, “torcida que tem um time”, blá blá blá e na hora H fugiram de medo do Palmeiras. Tal e qual qualquer bambi da Independente, sem tirar nem por.

Para ficarem mais idênticos ao São Paulo, agora, basta construirem um estádio com dinheiro público. Falta pouco. Só sei que fiel é meu cu, que nunca abriu as pregas. Eles abriram faz tempo, e a troco de esmola.

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Segue o jogo, Palestra.

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N.CS.: Texto do irmão Adriano Pessini, produzido para o Jornal Agora SP e gentilmente compartilhado com os amigos do Cruz de Savóia

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Não sei se perdi o trem da história ou se o tal do futebol moderno evoluiu tão rapidamente assim que não me dei conta, mas juro que até agora não passa pela minha cabeça o fato de um jogador defender um clube e ser presidente de outro que disputa a MESMA competição.

A Confederação Brasileira de Futebol e a federação paulista dizem que já acionaram seus departamentos jurídicos para ver se há algum empecilho na contratação de Rivaldo pelo São Paulo, só que, pelo ineditismo da coisa, não têm uma posição oficial.

Daí, eu me pergunto: e precisa de lei para isso? Não sou advogado e nem sei se é legal ou não, mas, e a ética esportiva?

Ok, muitos vão me falar que o Tricolor já jogou com o Mogi e que dificilmente o clube de Rivaldo chegará às quartas de final. Mas e se o São Paulo precisar de uma derrota do Mogi na última rodada para pegar um adversário mais fácil na outra fase? E se o Mogi precisar de um tropeço da equipe da capital na rodada derradeira para fugir do rebaixamento? E se Rivaldo, coincidentemente, perder um pênalti nessa partida? E se o Mogi fizer corpo mole com uma equipe menor que esteja disputando algo com os rivais históricos do time do Morumbi?

Podem me chamar de visionário e falar que eu vejo maldade em tudo, mas estão dando corda para algo que poderá se tornar sórdido e que poderia ser cortado pela raiz pelo simples bom senso. Só que é bem mais fácil achar brechas nas leis do tão maltratado futebol.

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N.CS.: Texto do irmão Adriano Pessini, produzido para o Jornal Agora SP e gentilmente compartilhado com os amigos do Cruz de Savóia

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Melancolicamente, chega hoje ao fim a gestão do professor Luiz Gonzaga Belluzzo à frente do Palmeiras. Já fui convidado a ir a sua casa, sempre fui bem tratado por ele e, assim como muitos, achei que sua eleição seria uma revolução no futebol brasileiro.

Continuo e sempre continuarei respeitando-o como pessoa, mas não há como negar que sua gestão foi a mais decepcionante da história do clube (ainda mais porque a concorrência para ser a pior é enorme).

Belluzzo se vangloria de ter tirado do papel a nova arena e de ter aumentado a receita do clube _o que é verdade_, mas se esquece de dizer que rasgou algumas de suas propostas. A profissionalização de todos os setores do clube, incluindo o futebol, e a alteração estatutária foram seus maiores erros. Ou melhor, suas maiores omissões.

Como legado, não vai conseguir nem sequer eleger seu sucessor, coisa que até Mustafá conseguiu.

Perder ou ganhar faz parte do futebol, mas nesta só o Palmeiras _e sua torcida_ perdeu. De goleada.
O professor sempre citou Sartre em seus discursos, então, ficam duas frases que resumem bem sua gestão: “O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter” e “se você sente solidão quando a sós, está em má companhia”.

Sobre as eleições, Tirone está com a faca e o queijo na mão para ficar com a presidência. Só tem que tomar cuidado para os ratos não comerem o queijo antes da hora e mudarem de lado…

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Do zero

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Começou sem gols e sem graça a jornada do Palmeiras em 2011; mas começou, este é o verbo. Não podemos encarar este tropeço como se fosse a continuação dos revéses que vivemos em 2010.

É mais do que justificável a desilusão do torcedor Alviverde, que cumpriu no rastro do seu time uma longa jornada de mágoas e decepções. Deixar, no entanto, que essa irritação ganhe corpo na arquibancada no início de uma nova temporada será um grande erro.

Quando o Palmeiras entrar em campo pela segunda rodada do Paulistão, na quinta-feira, um novo ciclo terá se iniciado dentro do clube. Sob uma nova gestão, um time que  está sendo montado surgirá no Barão de Serra Negra tentando entoar a canção que Felipão, do banco, ainda tenta afinar: perder a paciência no desenrolar deste processo é um luxo ao qual não podemos nos dar.

Boa parte da torcida pode achar que nada mudará dentro do clube, seja qual for o vencedor do pleito de quarta-feira; muitos, ainda, continuarão descrentes quanto a capacidade deste elenco de conquistar grandes feitos – enquanto alguns palmeirenses seguirão céticos quanto ao repertório de Felipão na hora de armar a equipe.

Se todos estiverem certos em suas desconfianças, no entanto, lembremos de uma coisa sempre: o Palmeiras é um time que só tem uma – porém compacta – linha de defesa no seu front: a nossa torcida. Apartados, time e torcida nunca conquistaram nada em quase 100 anos de história. Juntos, arquibancada e jogadores foram protagonistas e testemunhas de nossas maiores glórias.

Temos ídolos no Palmeiras, elemento do qual tanto precisamos para que a magia se faça. Confiemos neles. Tratemos o Palmeiras com um pouco mais de complacência daqui em diante. Ou apenas destilaremos nossas frustações enquanto formamos outra equipe insegura dentro das quatro linhas.

Pelo bem de todos, é hora de tratar o Verdão com carinho no campo.

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Este é o legado do Palmeirense Belluzzo para seu torcedor. Sem mais.

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Felipão tentou avisar há mais de um mês: disse que não ia ser fácil, que Assis promoveria um leilão e decidiria pelo que é melhor para ELE. Sim, foi Felipão, técnico mundialmente famoso, gaúcho, malaco, velho  conhecido do cafetão Assis e de sua cortesã preferida, Ronaldinho Gaúcho, quem deu a letra antes de todos.

Mas, cá entre nós, que opção sobraria para o Palmeiras de hoje, além de acreditar em mais um conto de fadas?

Belluzzo entrará para a memória do Palmeiras em um hall exclusivíssimo de ex-presidentes: para nossa imensa torcida ele disputará para sempre, com Sacomani e Mustafá, o título de pior presidente que o clube já teve na história. O “economista” ficará marcado como o mandatário que mais gravemente endividou o Palmeiras ao longo de uma gestão; como o chefe que mais tempo atrasou, sistematicamente, os salários dos funcionários em toda história; como aquele que melhor (sic) pagou treinadores – mesmo os que já haviam deixado o comando do elenco, – além de ter de carregar para sempre a pecha do articulador que consolidou a entrega do futebol do Palmeiras à exploração sem retorno (e oportunista) da Traffic e WTorre.

Para alguém nesta situação, às vésperas de uma eleição que pode devolver o Palestra aos tempos negros do obscurantismo – através do candidato de Mustafá Contursi – não havia outra saída além de tentar, mais uma vez, vender à torcida a ilusão de um salvador da pátria. Afinal, foi o que ele fez desde o início de 2009 – e o fez com uma dose de megalomania egocêntrica que não se viu nunca  antes na história desse clube…

O que não dá é para vir agora à imprensa com uma nota oficial ridícula (mais uma) dando uma de corno traído, como quem não soubesse do que Assis é capaz, como quem não tivesse sido avisado… O que não dá é para escalar um bode ébrio e sem classe como Pescarmona para exprimir revolta na opinião pública; o que eu não quero mais ver é o napoleão de hospício do Palaia se fazendo de indignado nos microfones, como se tivesse algum caráter ou ascendência moral para fazê-lo.

Honestamente, vai demorar para eu confiar em qualquer um que assuma o comando do Palmeiras, porque a decepção com Belluzzo foi imensa. Mas tenho a plena convicção de que, saindo essa laia de carcamanos de esquina, já teremos feito um grande progresso.

Até lá, tudo que eu peço a essa gente fracassada e amoral é que parem de nos envergonhar em público. São só 10 dias até a eleição. Por favor, façam o mínimo pelo Palmeiras: escondam-se em sua própria vergonha e parem de falar por nós, porque vocês já provaram por A + B que não têm grandeza ou dignidade para isso.

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Para desenferrujar os links desta sagrada home e para desejar aquele PUZTA ano aos amigos do CS é que passo por aqui hoje e deixo o primeiro post deste 2011. E embora saibamos que a vida não é só futebol, lembremos também que o Futebol é a coisa mais importante nesta nossa passagem pela Terra: é ele quem nos ensina as primeiras regras de conduta na infância, quem nos encoraja além dos limites, dando exemplos de grandes batalhas – e é o Futebol quem nos dá a mais honesta leitura das paixões e injustiças deste pobre mundo de meu Deus (ou do seu).

Quanto ao Parmera, poucas e parcas aventuras se avizinham do nosso sagrado Parque. Sinceramente, começo este ano humilde, esperando apenas que não protagonizemos mais vexames históricos ou confusões macarrônicas como as que temos estrelado nos últimos anos.

Humildade esta, aliás, que deveria servir de parâmetro para os trapalhões que nos dirigem e que nos dirigirão. Levar o Palmeiras a sério é missão árdua que, parece, ninguém está disposto a cumprir.

De forma que esperamos tudo, menos que nos iludam com mais diamantes de vidro. O título deste texto fica por conta da novela Ronaldinho Gaúcho: de nada adianta comprar um pote de cerejas se você não fez o bolo, capice?

Paguem em dia nossos jogadores, contratem um elenco decente e completo, mantenham Felipão e fiquem de olho no que acontece nas sombras do campo, fora das quatro linhas deste sagrado teatro de guerra. O resto nossa torcida faz.

Um grande 2011 para todos os Palestrinos de coração!

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NOVEMBRO 2010

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Aqui ainda é Palestra?

Contra tudo e contra todos!

Os pingos nos is novamente

Que palmeirada…

Se Conselho fosse bom…

O dia em que o Palmeiras virou time pequeno

Quando éramos homens

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OUTUBRO 2010

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Eu paro aqui.

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SETEMBRO 2010

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O declínio do professor

Estou confuso

A inferioridade que machuca na alma do Palmeirense, pelo menos na minha

A direita endureceu, mas não perde a Ternuma jamais

Isso não vai dar cadeia?

Ratos e homens

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Pensa no Natal e, provavelmente, pensarás numa árvore de Natal. Na maioria dos locais onde o Natal é celebrado, a árvore é muito importante. Significa uma vida nova e promete a vinda de dias mais claros na Primavera. A versão de Jenny Koralek deste conto de Hans Christian Andersen é melancólica, mas gosto da intensidade do seu sentimento, cheio da ansiedade e da tristeza que sentimos, à medida que a festa chega ao fim. Guarda este conto para o leres em voz alta com toda a família no dia de Reis. Não comeces, até que todos tenham ajudado a arrumar as luzes e as decorações e até que haja um trilho de fagulhas castanhas desde a sala de estar até à fogueira ao ar livre. Então, estarás, precisamente, num momento de boa disposição para o fazer…

Lá fora, na floresta, encontrava-se um pequeno e belo Pinheirinho. Nasceu num lugar agradável, onde havia muita luz e muito ar. Estava rodeado de muitas árvores maiores — pinheiros, e abetos também — mas o Pinheirinho ansiava por crescer mais. Não dava valor ao ar fresco, ou às crianças que vinham tagarelar para a floresta e procurar morangos e framboesas. Passavam muitas vezes com um cesto cheio, sentavam-se junto do Pinheirinho e diziam: “Que bonito que é aquele pequenino!”, mas não era nada disso que o Pinheirinho queria ouvir.

No ano seguinte, tinha crescido um rebento novo e no ano que se seguiu cresceu ainda mais. Pode-se sempre dizer, pelo número de anéis que tem no tronco, há quantos anos uma árvore está a crescer.

— Oh, se eu ao menos fosse tão grande como os outros! — suspirava o Pinheirinho. — Então, espalharia os meus ramos para bem longe e, do meu topo, estaria atento a todo o mundo. Os pássaros construiriam ninhos nos meus ramos e, quando o vento soprasse, apenas abanaria, tão orgulhoso como as outras árvores.

No Inverno, quando a neve pousa por todo o lado branca e brilhante, uma lebre veio a correr e saltou por cima do Pinheirinho, o que o pôs zangado. Mas, três Invernos passado, a pequena árvore tinha crescido tanto que a lebre teve de a contornar.

“Oh, crescer, crescer e envelhecer! É, de certeza, a melhor coisa do mundo”, pensou a árvore.

No Outono, os lenhadores vinham sempre para abater algumas das árvores maiores. O Pinheirinho estremeceu de medo, pois as árvores grandes caíam estrondosamente no chão e os ramos eram cortados para que parecessem bastante despidas. Eram colocadas em camiões e levadas dali. “Para onde iriam?”, perguntou-se o Pinheirinho.

Na Primavera, quando as andorinhas e as cegonhas chegaram, a árvore perguntou-lhes:

— Sabem para onde vão as árvores? Viram-nas?

As andorinhas responderam que não, mas a cegonha disse:

— Sim, penso que sim. Vi muitos navios novos, quando deixei o Egipto. Tinham mastros muito altos; penso que eram as árvores. Cheiravam a abetos. Tudo o que posso dizer é que eram altas e imponentes — muito imponentes.

— Quem me dera ser suficientemente grande para ir para o mar! — suspirou o Pinheirinho. — Que tipo de coisa é o mar e a que se assemelha?

— Levaria muito tempo para explicar tudo isso — disse a cegonha. E partiu.

— Devias estar feliz por ainda seres jovem e forte — disseram os raios de Sol. E o vento e a chuva beijaram a árvore, mas o Pinheirinho não queria saber do que eles diziam.

Por altura do Natal, foram cortadas muitas árvores jovens; árvores que eram mais jovens e mais pequenas do que este Pinheirinho impaciente. A estas belas e jovens árvores não foram cortados os ramos quando foram colocadas nos camiões e levadas para fora do bosque.

— Para onde vão? — perguntou o Pinheirinho. — Algumas são muito mais pequenas do que eu. Porque é que não lhes cortaram os ramos? Para onde vão ser levadas?

— Nós sabemos! Nós sabemos! — chilrearam os pardais. — Andamos sempre a espreitar pelas janelas na cidade e, por isso, sabemos para onde vão. Vão ser decoradas da maneira mais bonita que possas imaginar. Olhámos pelas janelas e vimos que eram colocadas em vasos, numa quente sala de estar, e decoradas com as coisas mais bonitas — maçãs douradas, bolos de mel, brinquedos e centenas de velas. — E depois? — perguntou o Pinheirinho, com todos os ramos a tremer. — E depois? O que acontece depois?

— Bem — disse o pardal — só vimos isso, mas era maravilhoso.

— Talvez isso me aconteça um dia! — gritou o Pinheirinho. — Isso ainda era melhor do que viajar pelo mar. Se pelo menos agora fosse Natal! Oh, se ao menos me levassem! Se ao menos estivesse numa sala de estar quente, decorado com coisas bonitas! E depois? O que aconteceria? Devia ser ainda mais maravilhoso. Porque me enfeitariam? Oh, quem me dera que isto me acontecesse!

— Sê feliz aqui connosco — disseram o ar e a luz do Sol. — Sê feliz aqui na floresta.

Mas o Pinheirinho não era nada feliz. Crescia, crescia e continuava ali, verde, verde-escuro. As pessoas que o viam diziam: — É uma árvore muito bonita! E, por altura do Natal, foi cortada antes dos outros. O machado cortou-a bem fundo, no tronco, e a árvore caiu para o chão com um suspiro: sentiu uma dor, e agora estava triste por ter de deixar o lar. Sabia que nunca mais iria ver os amigos, os pequenos arbustos e as flores — talvez até os pássaros.

A árvore só voltou a si quando estava a ser descarregada num quintal, juntamente com outras árvores, e ouviu um homem dizer:

— Esta é a melhor. Só queremos esta!

Depois, vieram dois criados vestidos com uniformes brilhantes e levaram o Pinheirinho para uma sala enorme e bonita. Havia, por todo o lado, quadros pendurados nas paredes e, junto do fogão, estavam enormes jarros chineses com leões.

Havia cadeiras de baloiço, sofás de seda, mesas cobertas de livros ilustrados e centenas de brin quedos por todo o lado.

O Pinheirinho foi posto dentro de um vaso grande com areia. A árvore tremeu! O que iria acontecer a seguir? Os criados e as crianças começaram a enfeitá-lo. Nos ramos, penduraram pequenos sacos feitos de papel colorido. Cada saco era enchido com guloseimas; maçãs douradas e nozes pendiam, como se tivessem nascido ali, e centenas de velinhas foram atadas aos galhos. Bonecas que pareciam pessoas de verdade pendiam de outros ramos e, mesmo no topo da árvore, estava fixada uma estrela de latão. Era magnificente, extraordinário!

— Esta noite — disseram todos — esta noite, a estrela brilhará.

— Oh — disse o Pinheirinho — se ao menos já fosse noite! Oh, espero que acendam as velas brevemente. Será que as árvores vêm da floresta para me ver? E será que os pardais vão espreitar pelas janelas? Será que vou ficar aqui ornamentado para sempre?

Todas estas perguntas causaram dores de costas à árvore e as dores de costas são tão más para as árvores como as dores de cabeça para as pessoas. Por fim, as velas foram acesas. Que brilho, que esplendor! O Pinheirinho tremeu tanto que uma das velas pegou fogo a um ramo verde, mas foi rapidamente apagado.

E, naquele momento, as portas foram abertas de par em par e as crianças entraram cheias de pressa. Olharam fixamente e em silêncio para a árvore, mas apenas por um minuto. Começaram a gritar de alegria e a dançar à volta da árvore, puxando os presentes.

“O que estão a fazer?”, pensou o Pinheirinho. “O que se está a passar?”

As velas arderam até ao fim, as crianças tiraram as guloseimas da árvore e dançaram com os brinquedos novos. Já ninguém olhava para a árvore, excepto um homem idoso que se aproximou e espreitou por entre os ramos para ver se todas as nozes e maçãs tinham sido comidas.

— Uma história! Uma história! — gritavam as crianças, e levaram, para junto da árvore, um homem divertido, que se sentou mesmo debaixo dela.

— Vamos fingir que estamos no bosque verde — disse — e que a árvore consegue ouvir o conto.

E o homem divertido contou o conto de Klumpey-Dumpey, que estava sempre a cair pelas escadas abaixo e, já no fim, casou com uma princesa. O Pinheirinho ficou bastante silencioso e pensativo. Os pássaros do bosque nunca tinham contado uma história como esta. Klumpey-Dumpey sempre a cair pelas escadas abaixo e, mesmo assim, casou com uma princesa.

— Bem! Bem! — disse o Pinheirinho. — Quem sabe? Talvez eu também tenha de cair pelas escadas abaixo e casar com uma princesa! — e estava ansioso por ser de novo decorado com velas, brinquedos e frutos, na noite seguinte.

Mas, de manhã, os criados vieram tirá-lo da sala, levaram-no para o sótão e puseram-no num canto, onde não entrava a luz do dia. “O que significa isto?” pensou a árvore. “O que estou a fazer aqui? O que está a acontecer?”

Encostou-se à parede, pensou e pensou. E teve tempo suficiente, pois passaram-se dias e noites e ninguém voltou lá a subir.

A árvore parecia ter sido totalmente esquecida.

— Agora, é Inverno lá fora — disse o Pinheirinho. — A terra está dura e coberta de neve, e as pessoas não podem plantar-me. Suponho que devo ficar aqui abrigado, até que venha a Primavera. Que atenciosos! Mas que pessoas boas! Se ao menos aqui eu não estivesse tão às escuras e tão sozinho!… Era bonito lá fora, na floresta, quando a neve pousava espessa, e aquela lebre vinha saltar por cima de mim; mas, na altura, eu não gostava. Isto aqui em cima é terrivelmente solitário! Mas que pessoas boas!

De repente, dois ratinhos aproximaram-se lentamente. Cheiraram o Pinheirinho e, depois, subiram para os ramos.

— Está muito frio aqui em cima — disseram os dois ratinhos. — Também achas, árvore velha?

— Não sou velha — disse o Pinheirinho.

— De onde vens? — perguntaram os ratos. — E o que conheces?

Eram muito inquisitivos.

— Conta-nos sobre o lugar mais bonito do mundo! Já estiveste lá?

— O lugar mais bonito do mundo — disse a árvore — é a floresta, onde o Sol brilha e os pássaros cantam. E, depois, contou aos ratos tudo sobre a sua juventude. Os ratinhos ouviram e disseram:

— Tantas coisas que já viste! Deves ter sido muito feliz!

— Fui — disse o Pinheirinho. — Aqueles foram, realmente, tempos de felicidade.

Mas, depois, contou-lhes sobre a Véspera de Natal, quando tinha sido enfeitado com guloseimas e velas.

— Oh! — disseram os ratinhos. — Como foste tão feliz, árvore velha!

— Não sou velha — disse a árvore. — Só saí da floresta este Inverno.

— Mas que histórias maravilhosas podes contar! — disseram os ratinhos.

E no dia seguinte, vieram com mais quatro ratinhos para ouvir o que a árvore tinha para contar.

Assim, o Pinheirinho contou-lhes a história do Klumpey-Dumpey e os ratinhos correram direitos para o topo da árvore, cheios de satisfação. Na noite seguinte, vieram muito mais ratos, e o Pinheirinho contou outra vez a mesma história. Mas, quando descobriram que a árvore não sabia mais histórias, os ratos ficaram aborrecidos e foram-se embora.

O Pinheirinho ficou triste.

— Era muito agradável, quando os ratinhos divertidos ouviam a minha história, mas em breve vai chegar a Primavera. Vou ficar tão feliz quando me tirarem deste local solitário!…

Quando chegou a Primavera, as pessoas vieram remexer no sótão. Um criado levou a árvore para baixo, onde a luz do dia brilhava.

“Agora, a vida vai começar de novo!”, pensou a árvore.

Sentiu o ar fresco e os raios do Sol no pátio. O pátio estava perto de um jardim, onde as rosas estavam em flor, as árvores cheias de folhas e as andorinhas a cantar.

— Agora, tenho de viver! — disse a árvore, alegremente, e esticou os ramos. Mas, meu Deus! Estavam todos murchos e amarelos. Ficou a um canto, entre as urtigas e as ervas daninhas. A estrela de latão ainda lá estava e brilhava com a luz do Sol.

No pátio, as crianças, que no Natal tinham dançado à volta da árvore, estavam a brincar. Uma delas trepou à árvore e tirou a estrela dourada.

— Vejam o que está agarrado a este velho e feio Pinheirinho — disse a criança, e começou a pisar-lhe os ramos até partirem debaixo das botas.

E a árvore olhou para todas as flores e para o belo jardim e, depois, para ela própria, e desejou ter ficado no canto escuro do sótão. Pensou na juventude fresca na floresta, na Véspera de Natal feliz e nos ratinhos que ouviram com tanta alegria a história do Klumpey-Dumpey.

— Passado! Passado! — disse a velha árvore. — Acabou tudo. Se ao menos tivesse sido mais feliz naquela época.

E veio um criado e cortou a árvore aos pedacinhos. Estava ali um feixe enorme. Ardia resplandecente no fogão, suspirava profundamente e cada suspiro era uma pequena explosão. As crianças sentaram-se junto da lareira, olharam para ela e gritaram:

— Zás! Trás!

Mas, a cada explosão, que era um suspiro profundo, a árvore pensava num dia de Verão na floresta, ou numa noite de Inverno, quando as estrelas brilhavam. Pensava na Véspera de Natal e no Klumpey-Dumpey, a única história que tinha ouvido ou que sabia contar; e, depois, a árvore foi queimada.

As crianças brincaram no jardim e o mais novo usou a estrela dourada que a árvore tinha usado na sua noite mais feliz.

Agora, tudo acabara. A vida da árvore tinha terminado e o conto também.

Hans Christian Andersen

O grande livro do Natal
Ian Whybrow (org.)
Porto, Edições Asa, 2004

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AGOSTO 2010

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A linha GV x a linha JK

Nunca antes neste país

Parabéns pra você que tem História!

O ÚLTIMO PEDIDO

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