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REPUBLIQUE-SE, 1
(DAQUI ATÉ DOMINGO, É SÓ PORRADA)
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I
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Jânio Quadros e sua vassoura em evento na Câmara do Rio, em abril de 1953
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Adhemar de Barros, o interventor getulista do Estado Novo, era inimigo mortal de Jânio Quadros. Só essa verdade basta para definir a simpatia deste blogueiro que vos rabisca pela figura hipnotizante do homem que construiu a personagem do varredor da impunidade e da corrupção; se não, voltemos ao tempo onde Jânio ainda era vereador de São Paulo, lá pelos idos da segunda metade dos anos 40, mais precisamente entre 1947/49, período que abarca grande parte dos fatos que narrarei agora.
Na verdade, Jânio não conseguiu se eleger. Aproveitou-se de uma decisão do TRE, que extinguira em 47 o registro do Partidão; suas vagas foram rateadas na Câmara entre vereadores do PDC, partido de Jânio e sigla pela qual ele havia conseguido uma suplência na Casa.
Mas, se o início de sua vida pública foi embaraçoso, muito mais constrangedor seria o exercício de seu primeiro mandato, para seus adversários. Porque, nessa mesma eleição, Adhemar de Barros foi eleito governador de São Paulo, pelo partido progressista da época, o PSP. Nesses tempos, os prefeitos da capital e cidades consideradas ‘estratégicas’ para o estado eram nomeados pelo governador, e agiam de acordo com as prioridades do homem do estado, ou sob o comando direto do chefe de governo.
Jânio Quadros lutou de modo peculiar contra a corrupção (pouco dissimulada) de Adhemar e seus capachos; fez campanha virulenta pela deposição de Paulo Lauro, cuja atuação como Secretário de Negócios Internos e Jurídicos de Adhemar gerou até um livro de Osvaldo Chateaubriand: Terra Arrasada tornou-se um retrato da imoralidade política da era adhemarista.
O governador não se deu por vencido e nomeou prefeito da capital o guarda-livros da fábrica de chocolates Lacta (de propriedade de Adhemar), Milton Improta. Este, por sua vez, criou para si próprio um cargo muito bem remunerado na Fazenda do município – iniciativa que lhe valeu a demissão, após nova perseguição dos oposicionistas de Adhemar.
E assim Jânio foi se destacando no cenário paulistano: perseguindo, desvendando e alardeando as falcatruas de Adhemar e sua trupe. Além disso, em seu discurso de posse, condenou com veemência a extinção do Partido Comunista (partido o qual, aliás, Jânio detestava), que lhe dera a oportunidade de assumir a cadeira; instituiu a obrigação do leite em pó gratuito aos filhos de operários e criou algumas “taxas do burguês“, que incidiam, por exemplo, no Jockey Club de São Paulo; regulamentou a venda da cachaça e tentou proibir a comercialização de Coca-Cola ou, como bem definia o homem da vassoura, “a água negra do imperialismo“, ou ainda “o veneno americano“.
Um ato heróico da passagem de Jânio pela Câmara dos Vereadores não pode ser esquecido neste espaço: tal fato deu-se quando um vira-latas pessebista, obedecendo ao comando do dono, Adhemar, apareceu na Casa com a proposição do seguinte projeto: subvencionar “clubes de futebol” para que se construisse um estádio gigante na área do hoje Parque do Ibirapuera, “nos moldes do Maracanã”.
Ocorre que hoje todos sabem para qual clube de futebol seria subvencionada a construção do elefante branco. Na época, a coisa não era tão clara.
Alguns socialistas resistentes à idéia já pareciam ser voto vencido pela maioria adhemarista na Casa, e tal projeto hediondo era questão de tempo para que se tornasse lei: até uma mensagem da prefeitura (na época, como já relatamos, à prefeitura cabia atender os interesses do Governador, não do povo), dando o aval para a concessão do terreno, já havia sido enviada à Câmara de Vereadores.
Antes da votação que sacramentaria o atentado contra o povo paulistano, eis que aparece nas tribunas Jânio Quadros, metralhando seu discurso ácido contra os inimigos da democracia e contra a as forças elitistas que planejavam tomar o patrimônio público em benefício próprio. O clima esquentou, nas cadeiras e na galeria. Interrompido pela intervenção de um vereador pessebista, Jânio apontou o dedo para o sujeito, denunciando com uma só palavra o espírito daquela raça:
“- Fascistas!“, gritou Jânio Quadros.
Foi o bastante para que Adhemar soltasse das correntes seus cães; e Altimar Ribeiro de Lima, autor do projeto de lei encomendado pelo governador, invadiu a tribuna para agredir Jânio a socos e pontapés.
Ontem, hoje e sempre, essa é uma verdade imutável: quando a realidade vem à tona, essa turma veste a carapuça de carrasco, perde a compustura e parte para o chilique inconsequente.
O vereador do PDC, dizem, ameaçou sacar seu revólver na Câmara para se defender da agressão – mas foi contido por outros vereadores. Jânio Quadros, no entanto, ainda teve forças para se erguer e, com o rosto coberto de sangue, gritar mais uma vez contra os desmandos daquela gente que queria roubar um pedaço tão nobre da cidade.
Jânio teve que ser socorrido ali mesmo, na sala de taquigrafia da Casa, enquanto o povo saia das galerias e rumava eufórico para frente da Câmara, gritando em coro:
- Viva o vereador Jânio Quadros!
Os detratores da História tiveram, então, que se contentar em roubar um terreno bem longe de Jânio Quadros e dos olhos do povo. Por conta de Jânio, Adhemar foi obrigado a doar ilegalmente o terreno do Jardim Leonor, através de sua imobiliária, a ‘Aricanduva’. Graças a ele, Laudo Natel teve que fazer aquele esforço mirabolante para desviar caminhões e caminhões de cimento, ferro e areia, que foram deslocados para aquele portal do inferno em Vila Sônia, onde nenhum ser humano que presta gosta de ir.
E, somente por conta da civilidade extremada de Jânio (por que não?), é que hoje o povo paulistano pode passar seus fins de semana entre as árvores e o lago do Parque do Ibirapuera.
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II
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O capítulo anterior desta série visava situar o amigo que nos acompanha no contexto político do estado de São Paulo na década de 40, além de trazer à tona mais um pedaço da História, aquela que a imprensa dos barões do café insiste em guardar em suas gavetas.
Ali vimos que o cargo de prefeito da capital, por exemplo, não passava de um emprego burocrático no qual seu mandatário era subordinado às vontades do governador que o havia nomeado.
Na primeira parte, nos concentramos no governador de SP e suas artimanhas, que almejavam a tomada de um terreno público em área nobre da cidade; o objetivo era construir um estádio para seu time, o SPFC (além de obter a garantia de subsídios do governo municipal para erguê-lo).
Neste texto aqui, não precisaremos ir tão longe. Vamos nos concentrar no poder municipal de São Paulo no ano de 1940, ou melhor, no interventor federal da cidade: Adhemar de Barros…
Foi por obra e graça desse ilibado cidadão, de uma tradicional família de cafeeicultores do estado, que o clube da elite obteve licença (de caráter permanente), para a exploração e arrendamento do estádio Paulo Machado de Carvalho. Presente do interventor em exercício.
Logo o Pacaembu, onde o glorioso Palestra Italia e Corinthians inauguraram o gramado, em rodada dupla, contra Coritiba e Atlético MG. Neste dia, Getúlio Vargas, presente, foi vaiado pelas duas torcidas; ambas estavam, então, ao lado de Adhemar e Prestes Maia…
Vencemos por 6 x 2, e a dignidade perdemos de goleada.
Mas então o Palestra de João Minervino, de Ítalo Adami (que 2 anos mais tarde veriam o Palmeiras nascer gigante, no jogo mais memorável do Pacaembu), ergueu sua voz e disse não.
E nem se deu por venvido com as notas do Boletim da época que, mais em que qualquer outra, era uma assessoria de imprensa obscura atendendo aos anseios dos donos do estado.
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(com meus grifos):
“Pacaembú, Campo oficial do São Paulo F.C.
Pleiteada uma licença especial junto á Prefeitura do Estado – Sensacionais declarações do Sr. Armando Gomes, tesoureiro do gremio bandeirante, á reportagem de A NOITE – O Palestra fará oposição – Uma reunião agitada no conselho de Fundadores da L.F.E.S.P.
S. Paulo, 24 (Da Sucursal de A NOITE, pelo telefone) – O tesoureiro geral do São Paulo F. C., Sr. Armando Gomes, ouvido pela reportagem de A NOITE, adiantou uma notícia de sensação.
Disse o dirigente do tricolor bandeirante que o São Paulo havia obtido da Prefeitura do Estado uma licença para a cessão do Estádio Municipal do Pacaembú, mediante o pagamento da taxa de 10% sobre a renda bruta apurada. Terá o São Paulo, em carater permanente a posse da majetosa praça de sports, onde passarão a se realizar as atividades de seus diversos departamentos.
Convocados o Conselho de Fundadores da Liga Paulista
O São Paulo, providenciando sobre o palpitante assunto, requereu á Liga de São Paulo a convocação do Conselho de Fundadores. Será pleiteada então pelo gremio tricolor a oficialização do campo do Pacaembú para local dos seus encontros, em obediencia ao que dispõem os regulamentos da entidade.
Oposição do Palestra?
Consta que surgirá do Palestra uma forte oposição aos desejos do São Paulo. Adianta-se que o gremio palestrino tentará frustrar os planos dos tricolores na reunião do Conselho de Fundadores.
Afirmou-nos ainda o diretor do São Paulo que o seu club cederá o estadio aos clubs para pelejas amistosas, segundo uma taixa fixa estabelecida.”
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Esta é a transcrição do texto da imagem que abre o post.
A idéia, vejam os amigos, era privatizar o Pacaembu. Com um contrato inextinguível, dar ao clube dos coronéis o direito exclusivo de exploração e arrendamento do espaço. Palestra e Corinthians que pagassem, se quisessem jogar ali.
Hoje, há um clube que se opõe ferozmente à tentativa dos rivales de arrendar o mesmo estádio, e contestam a moralidade disso. Eu não gosto da idéia também, mas hoje as coisas são feitas aos olhos do público, dentro das normas de um Estado democrático de direito – na mais plena assepção do termo: não há a imoralidade que o São Paulo pratica tão bem.
Naqueles tempos, no entanto, foi o Palestra quem se levantou, o clube que sempre teve a lealdade em padrão.
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Abaixo, a transcrição do mesmo jornal (no trecho que trata das alterações que foram feitas após a reunião dos clubes fundadores da Liga):
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“Todos os clubes podem jogar no Estadio.
Exposta a questão, os representantes dos fundadores procuraram examiná-la em face dos estatutos, que estabelecem, em seu artigo 100, que dois ou mais clubes não poderão mandar jogos num mesmo campo.
Após vários debates, ficou resolvido que todos os clubes poderão “mandar” jogos no Pacaembú, sendo aprovada então uma proposta do São Paulo F. Club, pleiteando a realização dos seus jogos no Estádio Municipal. A segunda parte da proposta estabelece que os demais clubes tambem poderão se utilizar do Estádio, desde que o S. Paulo não mande jogo na data pretendida e que haja acordo recíproco entre os adversário.
Quer dizer, assim, que o estadio figura na lia como campo oficial do São Paulo para os seus jogos no campeonato, nas datas em que o tricolor deva jogar em seu campo. Fora dessas datas, o estádio é livre, podendo cada clube utilizá-lo para jogos de campeonato desde, naturalmente, que faça um acordo com a Prefeitura e com seu adversário.”
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Seria repetitivo usar este espaço para relatar a tentativa de vingança que rechaçamos em 1942. Ou para relembrar o triste fim do clube Deutsch Sportive e o destino do estádio do Canindé, em 1944.
Já conhecemos bem a vergonha que a intolerância produz em uma sociedade, não precisamos sequer cogitar o povo mexicano, hoje.
O fato é que é preciso relatar o modus operandi dessa herança maldita do estado sempre e sempre, para que nunca mais um Palestrino incorra no erro de querer se comparar com essa gente, ou de ficar ao lado deles em qualquer questão. Nunca mais.
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III
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Alertado por um comentário do grande Cláudio, achei necessário deixar registrado, neste um último capítulo, mais essa gloriosa passagem na formação do clube que representa os interesses da elite paulistana.
O amigo cita o blogue de Pedro Alexandre Sanches, onde há uma bela análise sobre um trecho do livro “Tietê – o rio que a cidade perdeu – São Paulo, 1890-1940″, de Janes Jorge. A análise, em si, vale a visita; mas o trecho do livro ali citado, reproduzo aqui com meus grifos, porque sua leitura é essencial para a compreensão do comentário postado pelo parceiro das Barricas:
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“(…) ardilosamente, a Light alterou o seu projeto inicial, o que trouxe conseqüências desastrosas para São Paulo e cidades próximas. Primeiro, conseguiu uma concessão do governo estadual para retificar o rio Pinheiros em troca do direito de propriedade sobre as várzeas inundáveis saneadas, que foram posteriormente vendidas. As várzeas do Pinheiros foram definidas, por esse contrato de concessão, como as áreas atingidas pela água do rio com base na maior cheia registrada. Por isso mesmo, em 1929, a Light provocou a maior enchente da história da cidade, ao abrir as compotas de Guarapiranga quando os rios paulistanos já estavam altíssimos em virtude de vários dias de chuva intensa. As águas do Pinheiros e do Tietê avançaram sobre terrenos onde jamais imaginaria que isso pudesse ocorrer.
“Outra modificação fundamental no projeto Serra foi que as águas do Tietê foram incorporadas ao complexo hidroelétrico de Cubatão com a reversão do curso do Pinheiros retificado, através das usinas elevatórias da Traição, construída na altura do Butantã, e a de Pedreira, na represa do rio Grande. O Tietê, represado em Parnaíba, passaria a ser afluente do Pinheiros e as águas de ambos, assim como as da represa de Guarapiranga, iriam para a represa do rio Grande. Correndo ao contrário, os maiores rios da cidade, Tietê e Pinheiros, tornaram-se tributários do pequenino rio das Pedras e passaram a acionar as turbinas em Cubatão. Desse modo, a Light, em um só lance, se apropriou das várzeas do Pinheiros, conseguiu aumentar a produção de eletricidade com menos investimentos em obras e impedio que as águas do Tietê seguissem em direção à hidroelétrica de seus competidores – que, diante disso, abandonaram seu projeto, vendendo suas instalações para a própria Light”.
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Agora, muita atenção para o documento que Cláudio encontrou em um site bambi e reproduziu para nós:
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Walter Ostrich (Oliver) foi o encarregado de desenhar o distintivo que resultou simples, com um visual limpo e moderno, um triângulo tricolor com as iniciais SPFC encimado. A reunião de fundação foi no dia 27 de janeiro de 1930, no número 28 da praça da República. Discutidos os estatutos, foi eleita a primeira diretoria, com Edgard de Souza Aranha como presidente.Clodô, Nestor, Mário Andrada e Sérgio.
A curiosidade é que entre os dezoito membros do Conselho Deliberativo figurava o jornalista Júlio de Mesquita Filho, de O Estado de S. Paulo. Vários jogadores do Paulistano se inscreveram imediatamente no novo clube: Friedenreich, Joãozinho, Cassiano Passos, Barthô,
Com algumas reformas, o campo da Floresta foi aberto ao público no dia 9 de março, com a realização do Torneio Início da APEA, quando o SPFC enfrentou o Ipiranga. Formiga marcou o primeiro gol do novo clube. Como Souza Aranha era também presidente da Light & Power, as negociações para a iluminação da Floresta foram rápidas e no dia 28 de março foi realizado o primeiro jogo noturno de São Paulo.”
(…)
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Sem mais, amici.
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nossa mas perde um tempo n…e o mais engraçado é q falam q o sp n é rival, como se pra gente fosse mta bosta hahahaah…faz um do rival ai seu cruz…coloca no blog da porcada um pouco do outro time, pq assim parece q o sp íncomoda!
Pior é que eu fui nesse SPFW e Bostafogo.
Fiquei na torcida do Fogão com a camisa do Palmeiras!
As moças ficaram iradas!!!
criei um!!!
procure “felipaul”
Esse timinho desde sempre foi traíra.
Bixarada!
Salvei esse texto muito muito bom!
Bacio Rivale
Então num aposto cerveja :(
não tenho twitter!
Quero teu twitter antes, Lippe. Aí eu aposto.
Cambada de filho da puta, timinho nojento.
TIME DE VIADO TIME DE VIADO TIME DE VIADO TIME DE VIADO
VAMO PALESTRA !!!
Não satisfeitas, as putas ainda querem mais.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u613992.shtml
uma caixinha de cerveja, Cruz??
ou é covarde? (no melhor estilo Marty McFly)
BOA CRUZ!
É DOMINGO PÔ!