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contrei muita gente e muitas histórias no Palestra Itália no sábado. Me encontrei e reencontrei com minha própria história. Foi um bom jogo no final das contas. Um jogo disputado como há muito não se via e alguma vontade dos que vestem o manto sagrado. Como devem ter percebido, prefiro deixar as análises do futebol em si para outros blogueiros. Gosto é de falar de emoções e impressões, do que está no ar.
Último jogo em nossa casa. Último jogo em dois anos (os Deuses permitam que sejam só dois anos). Jogo em que me esgoelei, gritos que deixaram minha garaganta arranhada e voz rouca. Gritos que puderam aliviar (ainda que pouco) o peso do peito e a vontade de sair chutando tudo e todos. Gritos que traduziam toda minha frustração e tristeza. Gritos que bem me podiam fazer perder a voz nesses dois longos e tenebrosos anos que vêm por aí.
Difícil acreditar e aceitar que um cacete desses esteja acontecendo. Como bem disse o Ademir, última vez que tomamos chuva no Palestra Itália. Caraleo, não tinha me dado conta disso! Última vez que a chuva molha o gramado do Jardim Suspenso. E a garoa desceu fina, gelada, doída agulha a penetrar em nossas carnes. A cortina cerrando o palco de tantas alegrias e tristezas. Palco de nossos maiores contentamentos e maiores e frustrações.
Jogo terminado e vontade de ficar por ali, pela arquibancada. Choro a embaçar a vista e a borrar o lápis de olho, pernas que não se moviam, cerébro custando a processar a inevitável verdade: último em muito tempo. Via-crúcis pelas alamedas do estádio, passagem pelos amendoins: “Chico Lang/ veado”, vamos gente, me ajudem, cantem também, não deixem a tradição morrer! A baixinha, voz potente e quase que sozinha a entoar tais versos. Olhares de espanto, meios sorrisos. Não sabem do que se trata? Mais alto ainda: “CHICO LANG/ VEAAAAAAAAAADOOOOOOOOOO”, pra terminar de arrebentar com minha voz. Se hoje o pessoal quase não canta mais esse clássico, imagina daqui a dois anos quando não poderemos nem ver o jogo em pé?
Palestra Itália, divã do psicanalista, como bem definiu o Beto Boi. Palestra Itália a terapia semanal, quinzenal. Palestra Itália lugar para extravasar, torcer e descarregar as tensões da dura vida. Lugar para o júbilo, melancolia, lugar de futebol, paixão irracional. Lugar para fazer amigos também, não tenho a menor dúvida. Grande parte dos que tenho hoje, devo ao Palmeiras. E cito-os novamente nesse texto, personagens que serão lembrados daqui a 50, 60 anos. Serão lembrados porque estavam na última partida em nosso estádio tal qual o conhecemos hoje. Estavam porque amam o Palmeiras tanto quanto eu.
Os meus carinhos para os que partilharam desse triste dia comigo: Ademir, Carlinhos – Botucatu, os moços do Foras de Forma, Hiran, Alex, Tati, Gabriel, David, Tania Clorofila, Ale Biachini, Lagrutta, Renan, Mifuquim, Diego, Deivid, Marcão, Pessini, Téo, Tchack, Silvio, Osmar (Homem-Sonho), Beto Boi, Barneschi, Júnior, Moacir, Aragonez, Michel, Izidoro, Rose, Marcela, Gustavo, Gérson, Sérgio, Otávio, Pikachu, Joca e tantos outros que encontrei.




Chico Lang ViadOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO :P
verdi
É isso ai que vc disse que eu penso.
Concordo que não lotaremos a arena com ingressos a 300,00 nem a 50,00, mas é bem melhor ter 42.000 lugares……………
Tem um timinho de praia que virou viuva do Pelé, e alguns palmeirenses querem virar viuva do palestra……………
Bola pra frente pessoal, que hoje é verdão 3 X 1 bichas !!!!!!!
Porra, quanto drama, mudem de assunto.
Começo a achar que palmeirense adora sofrer mesmo…após uma boa vitória, vamos chorar agora por outro motivo.
Isso já estava planejado faz tempo, não vai mudar, vamos torcer então para que nos orgulhemos da nova Arena, assim como nossos filhos e netos.
Saudade é uma coisa, depressão é outra.
E parem com o papo de que vão meter 42.000 pessoas lá dentro pagando 300,00.
Com certeza, se não houver ingressos populares o time jogará com poucas testemunhas.
Ou então , seremos mais ricos que o Real, Manchester e Barcelona juntos.
O panetone será reformado ( infelizmente com dinheiro público), mas nós queremos manter o velho Palestra do jeito que está mais 100 anos…depois reclamam…
Tem algum bambi reclamando por isso?
Tem algum gambá chorando pq não quer um projeto de novo estádio , mas sim , manter a sua história para sempre dentro do Pacaembu?
Torço pro Palmeiras até em futebol de botão!
Somos grandes, é simples assim.
A questão não é essa Valdir, todos esses problemas seriam resolvidos de outra forma, combatendo os cambistas e os filhos da puta do clube que facilitam a ação deles, ganhando em cima disso também… O aumento da capacidade do estádio nesse caso, como já disseram, implica na transformação dele num shopping, e isso eu não vou defender nunca.
Junior…
kkkkkkkkkkkkk
Pô, ai pegaram pesado com vc, hein….
Quanto ao futebol ser como uma corrida, tbm concordo que não é, mas como ja disse anteriormente em outro post, ja fiquei de fora do palestra em jogos importantes por ficar sem ingresso.
Pensem bem, como podemos ter mais torcedores no nosso estadio, se em todo jogo importante é aquele inferno para conseguir um ingresso?
Não vou generalizar, mas nestes tipos de jogos , para conseguir um ingresso vc tem que, ou dormir na fila, ou ter muita sorte , ou ter um “padrinho” la dentro do palestra (nenhuma das 3 opções é o meu caso).
Então, acho que para os simples mortais (como eu) sera bem melhor um estadio com 45.000 lugares do que um com 22.000, mesmo que o com 22.000 seja charmoso, aconchegante,etc,etc.
Se muitos daqui dizem que devemos tirar o palmeiras da mão de alguns “velhos” que se acham donos do palestra, porque não dar oportunidade de mais torcedores irem ao estadio, ao invés de somente as organizadas e a famosa turma do amendoim (pois p/ esses sempre tem ingresso) sempre estarem nos jogos?
Ô Valdir, quem é que falou que vamos abandonar o time?
Mas quando aparece um boçal falando que eu sou um marginal, e que pra ver um jogo terei que desembolsar R$300, num estádio que mais vai parecer um cinema do que qualquer outra coisa… Você quer que eu imagine o que?
Esse argumento de que “o novo sempre vem”, como diria Belchior, é o mesmo usado para, no mundo todo, despropriar os povos do que lhes é mais característico, do que lhes dá o vigor de um povo. Isso ocorre em nome de uma uniformização chamada globalização, a uniformização imposta de cima, vinda do “primeiro mundo”, deste mundo que ousa olhar do alto e dizer “vocês aí debaixo são retógrados e, por isso, não mais devem existir”; dizem isso sem compreender, sem penetrar a vida dos “debaixo”, só concluem que estes povos pouco podem comprar, consumir, então devem ser destruídos.
Não comparem, por favor, o Palestra a uma pista de corridas. O futebol não é um mero esporte; o futebol é algo que gera divindades, gera “povos” – que chamamos torcidas -, povos que se unem no culto à uma divindade, que se elevam nesse culto. Agora, o templo que abrigou o culto à nossa divindade – o Alviverde Imponente -, o lugar onde uma massa dispersa teve todos seus corações finalmente unidos, onde suas vozes passaram a bradar em uníssono, enfim, o lugar onde esta massa dispersa se tornou um povo, cairá. Foi dada a largada, a diáspora palestrina começou. Nosso templo ruiu, nosso povo se dispersou novamente e ficamos um pouco mais distantes da nossa divindade, nossa razão de existir. “Teremos” um grande shopping center em lugar de um templo, e, caminhando em direção à modernidade, nossos deuses se tornarão cada vez mais ínfimos. Logo, então, um estádio de futebol poderá ser comparado à uma fria pista de corrida.
Cada coisa tem seu tempo. A pista de indianápolis um dia precisou ser asfaltada, correr em cima de tijolos não dava mais.
Mas deixaram, na linha de chegada, um única fileira de tijolos, pra lembrarmos de como era.
Se pudéssemos, construiríamos outro estádio novo em folha, e manteríamo o antigo palestra de pé. Mas não dá!
Nossos avós um dia já viram que o estádio precisava ter o jardim suspenso, e assim fizeram…
Não sei onde vão mexer, derrubar, etc. Mas por favor, deixem um pedacinho do velho, para lembrarmos como é que era!
Sei que muitos irão me massacrar, mas la vai………
Caraleo!!!!!! vcs torcem p/ o palmeiras ou p/ o estadio palestra italia?
Ficar chorando por causa de um estadio é o fim do mundo.
Um dia a nostalgia tem que dar lugar a modernidade. Isso é um fato incontestavel!
Alguns parecem meus avós que vieram da Italia e construiram suas casas e nunca iam a lugar nenhum , pois não podiam deixar a casa “sozinha”.
Temos que nós apegarmos ao nosso time, e não a um amontoado de concreto (mesmo que la tenhamos vivido momentos inesqueciveis).
Os momentos foram proporcionados pelo time e não pelo estadio.Ou estou errado?
Só p/ dar um exemplo: os gambas nunca tiveram um estadio e nem por isso abandonam o time !!!!
Quando vou ver o verdão, não me importo se é no palestra ou em qualquer outro local, o que importa é ver meu time jogar bonito e ponto final.
Enfim é isso.
Saudações palestrinas………………
Carol, parabéns pelo texto. Vc, assim como a Tânia (“blog da Clorofila”), descreve mto bem a emoção q o Palmeiras desperta em nós palmeirenses!
Abs, Augusto BH (q, mesmo morando longe, nas poucas vezes q foi ao Palestra se sentiu uma das pessoas mais felizes do mundo!).
Pra ser chato assim…com certeza é ex-fumante!!!
Ao som do apito, se encerrou mais um jogo no Palestra. Que tristeza é essa, cacete? Vencemos, vencemos bem! Quantas vezes não voltei feliz da vida, excitado, em catarse por voltar com uma boa vitória do meu Palmeiras? O que há dessa vez? O que há… é que não há mais Palestra Itália. Me emocionei ao final do jogo e, agora, após ler esse belo texto, as lágrimas brotam novamente. Tempos negros se aproximam, temo que a nossa casa não se pareça mais em nada com o que ainda é, que não só a aparência, mas a essência também seja arrancada dela. Pretendem elitizar o Palestra, pretendem abandonar a casa pelo status do ‘moderno’ – que em todos âmbitos da vida destrói povos e culturas – e pretendem afastar quem ocupou, viveu e respirou Palestra por quase um século. Nos resta esperar, amigos. A esperança veste verde, sempre vestiu. Também a luta e a garra. Na espera, talvez na espera pela luta, mantendo a esperança, continuemos entoando o cântico saudoso: “Chico Lang veeeeado! Chico Lang veaaaaado!”.
Há beleza e esperança em tua nostalgia Carol, e é assim que deve ser, para qualquer um que se diz palmeirense.
Tenta catequisar o Cruz pq ele anda muito melancólico…vai cair em depressão assim…
Parabéns pelo belo texto Carol. E obrigado mais uma vez pela lembrança.
gde beijo, Michel
Nêgo dá o cu com força e depois vem aqui arrependido encher o saco alheio….
“Não gosta de futebol e vem aqui azucrinar! E fumo mesmo. O pulmão é meu, o dinheiro idem.
VAI DAR MEIA HORA CU, Ô BABACA! ISSO QUE TÁ FALTANDO NA SUA VIDA.
Por que caraleo esses malditos aparecem por aqui?” [ 2 ]
Não gosta de futebol e vem aqui azucrinar! E fumo mesmo. O pulmão é meu, o dinheiro idem.
VAI DAR MEIA HORA CU, Ô BABACA! ISSO QUE TÁ FALTANDO NA SUA VIDA.
Por que caraleo esses malditos aparecem por aqui?
Sò o fato de postar uma sua foto com um cigarro na mao, naquela pose babaca de quem acha o maximo estar fumando, jà diz tudo sobre vc…
Pobres alienados…
Tbm despedir-me do verdão.
E fui acometido por uma visão surreal no meio de abraços, gritos e suspiros. Vi um casal de belas garotas entre os marmanjos de plantão. Isso mesmo, duas palestrinas abraçadas e expressando seu amor livremente entre olhares incrédulos!
Eu já sabia, o amor é verde!
Tambem fui um dos ultimos a deixar as bancadas do “Velho” Palestra.
Um nó na garganta e um misto de sentimentos.
Quem venha a arena….
http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/
Um ótimo texto também.
texto de muito bom gosto … show Carol e pra variar consegui ingresso no ultimo minuto … graças ao grande gustavo pereira hehehehehe vlw Gú te devo mais esta !!!!
Valeu, Barneschi!
Beijão
Já fui num jogo numa arena na europa. A parte da torcida organizada não senta um segundo sequer.
Valeu, Carol! E vai por mim: assistiremos aos jogos de pé. Não vão nos tirar esse direito. Belíssimo texto para a despedida.
Beijos