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GLORIOSO E IMORTAL I: O CAMBUCI E O FUTEBOL
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Antes de começarem a digerir este texto, sugiro aos amigos apaixonados pela bola a leitura indispensável do livro “Visão do Jogo – Primórdios do Futebol no Brasil“. É um registro histórico caprichosamente produzido pelo historiador José Moraes dos Santos Neto, cujas referências vocês encontram em detalhes aqui. Na falta de tempo para ler ou procurar esse livro agora, torna-se obrigatório um exame do texto do colunista Eduardo Carvalho, “Chutando Bexiga de Boi“.
Nessa coluna, baseada no livro citado, ele faz destrinchar a mentira que se estabeleceu como verdade pela repetição: a de que o futebol se espalhou pelo Brasil por força do ideal de um inglês chamado Charles Miller, que aqui desembarcou com um sonho e um livro de regras debaixo do braço. Primeiro porque Charles Miller é paulista, filho de escocês – e, enquanto ele crescia, o futebol já encantava os populares por aqui: conta Moraes que padres jesuítas, em Itu, foram os primeiros a trazer da Europa para o Brasil, em torno de 1880, os ballon anglais“, câmaras de borracha redondas, envoltas em capas de couro, que serviam para padres e alunos realizarem um “bate bolão” sob traves de madeira montadas nos páteos de seus colégios; e, a partir da paixão pelo esporte que tomava seus alunos, é que o futebol se espalhou entre os populares, em várias regiões do Brasil.
Enquanto isso Miller foi estudar na Inglaterra, onde conheceu o futebol e ganhou fama de bom driblador e atacante ligeiro. Mas, quando voltou ao Brasil, ensinando regras e trazendo suas chuteiras e uma bola, tinha o desejo tão somente de divulgar esse esporte entre os seus, dentro de seu círculo, a elite paulistana do final do século XIX.
Procurou os ingleses do clube que frequentava, oSão Paulo Athletic Club, para estabelecer as regras que aprendera e fomentar a criação de times realmente fortes, para que pudessem competir dentro de sua própria esfera de elegância, que era a que importava; Miller não agiu assim por preconceito aos mais pobres, acontece que o proletariado imigrante que já brincava de bola no Velódromo simplesmente não existia na sua concepção. Grandes empresários bretões, como sabemos, patrocinaram a criação dos primeiros clubes dessa metrópole:
São Paulo Railway, São Paulo Gás Company e London Bank. Então, em 1905, o Clube Atlético Paulistano conseguiu transformar o Velódromo em propriedade particular sua, e os clubes formados pela elite não mais aceitaram dividir seu espaço com o povão, com times formados por negros e mulatos, relegados somente aos campos naturais formados na várzea do rio.E o que isso tem a ver com a história do bairro em que nasci e vivo há quase quatro décadas? Explico mais à frente: agora falemos um pouco de sua formação, para não perder o fio do tempo.
A região é conhecida desde o século XVI. Há poucos bairros com registros mais antigos na nossa cidade, mas, sobre a origem do nome, há controvérsia. Historiadores se dividem entre o vocábulo indígena “Gu-ã-mbec-y“, empregado para designar um riacho “que corre livre entre margens altas”, e a abundância de uma frutinha azeda que percorria esse mesmo leito, por entre as glebas do Sitio do Tapanhoim.
Corruptela ou geléia, Cambuci tornou-se o limite entre o campo e a cidade durante a infância da São Paulo de Piratiniga, já no século 19; sabiam os viajantes e tropeiros, vindos da baixada da Glória, que haviam chegado às divisas urbanas quando já podiam descansar, limpar o corpo e matar a sede de seus animais no córrego que à época percorria a atual Rua do Lavapés. Pelo entorno dessa trilha, que também reconduzia os tropeiros em direção ao Caminho do Mar, começaram a surgir, timidamente, pontos de comércio; nasceram chácaras, sítios, fazendas.
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Fábrica de Tecidos Cambuci, o início da poderosa BUNGE
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Poucos anos depois, o desenvolvimento da metrópole já começava a alastrar seus galhos: em 1890, por decisão do ainda governador Jorge Tibiriça Piratininga, decidiu-se pela construção do Museu Paulista no coração do Ipiranga, bem como da linha de bondes que atravessaria o Cambuci, do Centro ao museu (esse, diga-se de passagem, representou para o Estado uma inovação arquitetônica, trazida pelo engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi): havia agora nesse bairro trabalho e moradia para os imigrantes europeus que nele se estabeleceram, em sua grande maioria italianos. E surgia também nessa região de operários (que compreendia ainda Mooca, Brás, Bexiga, Barra Funda) o interesse pelo calcio, pela diversão que era reunir-se aos seus e disputar uma peleja na campina depois do árduo trabalho.
É claro que as várzeas não eram primazia do Cambuci; de fato, qualquer margem de rio que cruza essa metrópole (Tamanduateí, Pinheiros e Tietê) era naturalmente ocupada pelos habitantes da região como área de lazer variado, fosse para piqueniques entre amigos, remo ou natação entre estudantes ou simples passeios nos fins de semana. Futebol, também, havia por todas as vargens.
Mas foi por essas bandas, que compreendiam a Várzea do Carmo e a Baixada do Glicério, que surgiu o interesse pela formação de times populares, que representassem aquela gente que só tinha aquele espaço e uma cultura própria. E foram tantos que é impossível , hoje, sem a ajuda de um bem vivido setentão, citar o nome de todos. Procurando bem e ouvindo histórias, consegui resgatar o Esporte Clube Vai Quem Quer, o Estrelas dos Boêmios, o Santos do Cambuci, o Huracan da Várzea do Glicério, o Ipiranga Futebol Clube…
Esse último, aliás, foi vítima de um dos episódios mais vexatórios protagonizados por aqueles que, pouquinho mais tarde, gerariam o embrião de Madame: como os times da várzea se fortaleciam e ficavam mais populares a cada dia, a tal Liga Paulistana de Football teve de abrir uma exceção em 1912 e aceitar o Ipiranga na disputa de sua competição metropolitana. Essa liga, originada em 1901, só aceitava até então os times sediados em clubes privados da capital.
A revolta foi grande… O tal Charles Miller e sua patota aristocrática (São Paulo Athletic Club e Clube Atlético Paulistano) simplesmente se retiraram do torneio, ofendidíssimos. Um ano mais tarde a LPF se quebraria em definitivo, com a inclusão do mais forte time de várzea daqueles tempos, o Sport Club Corinthians. Foi demais para a cabeça da Baronesa…
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Várzea do Carmo vista do Páteo do Colégio em 1862. Foto de Militão de Azevedo
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Pulando da várzea para falar simplesmente dos imigrantes europeus: para quem não sabe, também foi nesse bairro que começou a nascer a Associação Portuguesa de Desportos. Foi por intermédio da compra das instalações da Praça de Esportes União Artística Recreativa Cambuci, em 1922, que a colônia portuguesa começou a formar seu histórico clube. Nesse campo que hoje compreende o Largo do Cambuci a Portuguesa unificada travou suas primeiras batalhas, fez sua primeira festa junina, a primeira de muitas que formaram a tradição que ainda sobrevive na Lusa, de arrecadar fundos e oferecer boa comida em festas populares no Canindé.
Por hoje já é muito, mas não é nada ainda. Temos muito o que conversar sobre a importância que o Cambuci teve para a vida cultural e política da cidade: passaremos aos poucos por Alfredo Volpi, pelo movimento tenentista e o anarquismo paulistano, a Revolução Esquecida de 1924, os ilustres oriundi que desenvolveram essa metrópole e se inspiraram na vida cotidiana do meu bairro…
Cambuci: Glorioso e Imortal!
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GLORIOSO E IMORTAL II: O CAMBUCI E O SAMBA
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Carro Alegórico da S.R.B.E. Lavapés – dados da foto perdidos no tempo
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Assinada a Lei Áurea, tocaram-se os negros das lavouras cafeeiras em direção às cidades e à metrópole em expansão; traziam consigo contagiantes instrumentos, de inusitadas melodias, usados até ali como forma de não esquecer sua cultura, no “samba rural” praticado entre a lida nas fazendas.
Mas, ao contrário do que aconteceu no Rio de Janeiro e Salvador, onde o samba evoluiu mais e melhor do que aqui durante décadas, nossa ‘casta’ sociedade não aceitou o negro e seu batuque; impeliu a última geração de escravos às periferias da cidade, contribuindo com a marginalização da própria paulicéia e com seu desordenado crescimento.
Ocorre que naquele ponto da história, para o negro, a necessidade de sobrevivência e a afirmação de sua identidade eram coisas inseparáveis; buscaram a mesma sociedade que os tinha usado como escravos pois tinham que trabalhar, mas não eram aceitos com seu ritmo e jeito próprios pela comunidade paulistana da época. Por isso criaram zonas de resistência nos limites da cidade: dali se espalharam terreiros pela fronteira urbana, onde o povo negro já podia rezar sua cultura, suas danças e sons, sua culinária e seu modo de vida.
Foi da Barra Funda, reduto de negros, que Dionísio Barbosa inventou o primeiro cordão da cidade, em 1914, onde desfilavam homens de camisa verde e calça branca, sob o batuque trazido de Pirapora. Com sua trupe de 15 ou 20, quase todos parentes, instituiu o primeiro movimento cultural criado pelos negros em São Paulo; vários cordões se formaram nas periferias e avançavam com seus bumbos para o espaço branco do carnaval da metrópole, de onde eram expulsos sob bexigas de urina e porradas da polícia.
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Madrinha Eunice viveu no Cambuci até os 86 anos
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Novamente, o que isso tudo tem a ver com o Cambuci, também limite da cidade, como já vimos, e também reduto de negros?
Bom, aqui viveu uma mulher incrível chamada Deolinda Madre, que se tornou Madrinha Eunice, criadora da mais antiga escola de samba piratininga. Já pela década de vinte, o carnaval carioca evoluia e despertava bem mais interesse com suas escolas – começava a sufocar os cordões fluminenses. Por isso e pelo ranço aristocrático, sem a percepção dessa mulher, talvez São Paulo se atrasasse ainda mais na tarefa de integrar o samba à vida comum da cidade;
Nesse tempo de Deolinda, aquele córrego que atravessava a atual rua do Lavapés servia para os negros e viajantes em geral limparem seus pés antes de pisarem “a parte nobre”, como ela mesma contava. E Madrinha Eunice talvez tenha intuido, nesse cenário em que vivia, como fazer para ser aceita em seu próprio mundo: criou, em 1937, a Sociedade Recreativa Beneficente Esportiva Lavapés e recolheu, sob a proteção do seu estandarte, todos os elementos e instrumentos presentes nos cordões – e o samba ganhou a cidade;
Foi da Lavapés que saíram os fundadores da Vila Maria, do Peruche e tantas outras que seguiram seu rastro. Nas décadas de 40 e 50, ganhou dezenove carnavais – a Lavapés saia às ruas cantando musicas populares do seu tempo, como Carmem Miranda, idéia que ajudou muito a cativar o público.
Hoje, aquela que ficou conhecida como a avó das escolas de samba de SP, sobrevive na quarta ou quinta divisão do carnaval paulistano. É dirigida por Rose, neta de Madrinha Eunice, que faz da própria casa o barracão de ensaio (a Lavapés perdeu sua quadra em 2004).
Foi esquecida na baixada do Glicério por um povo que se esquece, mas jamais deixou de sair às ruas, desde sua histórica fundação, há 71 anos.
Tudo no Cambuci é História.
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GLORIOSO E IMORTAL III: O CAMBUCI E O MODERNISMO
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Feira do Cambuci – Alfredo Volpi – Final da década de 20
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Não tenho a menor competência para dissertar sobre a obra de Alfredo Volpi, nem tampouco isso é assunto para esse blog. Apenas para construir um texto lógico aqui, dando sequência a mais um capítulo da história do Cambuci, basta dizer que a evolução de sua arte mutante foi sempre impulsionada pelas grandes revoluções desse país; os padrões de cores, gestos e significados de suas telas retratam sempre, de maneira intuitiva, as grandes turbulências que Volpi presenciou ou tomou parte.
Volpi veio nos braços do pai imigrante com apenas um ano de idade. A modesta família italiana de Lucca (Toscana) não fugiu do destino de seus pares que aqui aportaram e veio se estabelecer em busca de trabalho proletário no Cambuci, onde o artista viveu até morrer, aos 92 anos, em 1988. Jamais se deixou levar plenamente por nenhuma corrente artística, fazia questão de não ser rotulado como isso ou aquilo – desejo alcançado com sua obra singular e autodidata. Sujeito simples, ora alegre, ora introspectivo, durante toda sua vida (e especialmente na velhice) Volpi se recusou a receber homenagens do bairro que engrandeceu e enfeitou ao longo dos anos.
Volpi começou a trabalhar como carpinteiro, entalhador e principalmente pintor de fachadas e decorador das mansões paulistanas, já em 1911. Presencia, atento, o movimento modernista, enquanto elabora suas próprias paisagens (como a ilustração que abre esse texto). Observa de longe, já que qualquer pretensão de um artista de sua classe esbarraria na questão social. Ironicamente, foi enfrentando o preconceito dessa elite a quem servia (e dos próprios imigrantes que já haviam feito fortuna), que Volpi conseguiu se estabelecer como talvez o maior expoente da segunda geração de modernistas no Brasil.
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O Palacete Santa Helena foi um dos edifícios mais espetaculares que essa cidade já viu. Projetado pelo italiano Corberi e erguido entre 1922 e 1925, chegou junto com o modernismo no Brasil, nas asas da elite tupiniquim, trazendo em sua fachada inúmeras e requintadas esculturas. Foi demolido para construção do metrô da Sé em 1971, sacrifício que o tempo provou ser estupidamente desnecessário.
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Nosso artista uniu-se, quase que casualmente, a outros imigrantes menos abastados para pintar suas telas em um edifício no centro da cidade, o Palacete Santa Helena, na década de 30: no grupo, um ferroviário (Clóvis Graciano), um açougueiro e desenhista (Fúlvio Pennacchi), um figurinista (Aldo Bonadei), um torneiro mecânico (Alfredo Rizzotti), um ourives (Manuel Martins) e, acredite, um jogador de futebol (Francisco Rebolo). Humberto Rosa era professor de desenho e Volpi, como já foi dito, pintor e decorador.
Mas o que seria um encontro despretencioso entre artistas empolgados com a revolução cultural que a cidade vivia, tornou-se um movimento forte e duradouro no contexto modernista: por conta da exclusão imposta pelos intelectuais que patrocinavam o movimento, não podiam esses artistas mostrar suas obras junto aos expoentes da época, nos chamados “Salões de Maio“, onde se apresentava anualmente o trabalho da “vanguarda”. Assim, viram como saída criar seu próprio espaço de exposições para poder se expressar. Em um gesto de oposição clara àquela casta de artistas “nobres”, inauguraram em 1937 um grupo chamado “Família Artística Paulista“, oferecendo um espaço novo onde pudessem mostrar seu talento.
A reação da elite paulista foi rápida: usando a voz dos críticos em jornais da época (que coisa, hein?), tentou a todo custo desqualificar a arte imigrante, taxando-a como ultrapassada, presa a padrões estéticos excessivamente tradicionais e perdida no contexto histórico. A exposição de 37 assim fracassava, e não fosse por Mário de Andrade, que tinha influência na mídia e passou a defender esses artistas vorazmente, talvez esse grupo que veio a ser conhecido como Grupo Santa Helena
tivesse sucumbido ali mesmo. A própria longevidade dessa união pode ser definida pela recusa dos intelectuais da época em aceitá-los no mercado artístico.Mas, uma vez consagrado, Volpi, menos conservador que seus pares, começa a se distanciar desse grupo e dos parâmetros a ele atribuídos. Não escapou às críticas de que havia “se aberto muito” ao mercado mas, mesmo sem ser aceito até os 55 anos pelos críticos, quando dividiu com Di Cavalcanti o prêmio da segunda Bienal de São Paulo, o pintor oriundi conseguiu ser referência obrigatória quando se fala de modernismo brasileiro.
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O pintor Alfredo Volpi passeia perto de sua casa no Cambuci, indiferente à inauguração, naquele mesmo dia, de um grande painel que reproduzia uma obra sua na rua da Consolação (Fonte: FolhaImagem)
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E passaríamos horas aqui falando da obra de Volpi. Esse legítimo aventureiro passou por muitas fases e lugares ao longo de seus 92 anos – e teremos que omitir muita coisa para não fugir do nosso ponto; Volpi era uma figura do Cambuci, com seus tamancos de operário e seu cigarro de palha – e é isso que vim contar hoje. Descia do carro e distribuia suas notas entre os mendigos que achava pelo bairro, pois não aceitava a miséria alheia; contam os amigos que Volpi se excedia na generosidade porque simplesmente não dava valor ao dinheiro; foi nesse bairro que Volpi adotou e criou mais de vinte crianças carentes. Ao longo dos anos, se uma criança não tivesse para onde ir, era só bater à sua porta. Disse certa vez, ao menosprezar os elogios que recebia: “O que eu mais queria na vida era ver minha obra nas mãos das crianças”. Porque sua imaginação era assim… seus temas estavam sempre recheados de elementos lúdicos, bandeirinhas, barquinhos, fitas, alternando cores como notas musicais, tudo como quem vê o mundo com os olhos maravilhados de um menino.
“Não pinto bandeirinhas, hostia!“, diria agora Volpi, com o mesmo humor com que recusou-se a sair de casa para receber uma homenagem dos moradores do bairro (por ter pintado um painel no Cambuci em via pública); “Ma que, homenage, io stô trabalhando“, diria o gênio, antes de fechar a porta de sua casinha e voltar para seu ateliê, onde pintou a vida toda apenas com luz natural. Senhores, foi esse bairro de imigrantes e alforriados que abrigou e inspirou o pintor mais intuitivo e original que o Brasil já produziu – e um dos mais célebres. Ele não pintava quadros somente: criou um estilo próprio, coisa que, dizem os entendidos, é raríssimo em se tratando de pintores de terceiro mundo. Passeando por aqui você ainda pode encontrar amigos que o conheceram, murais pintados em capelas e até em casarões antigos. Foi ele quem criou essa tradição de pintar pelas ruas do bairro, que mais tarde abriu as portas para os Gêmeos e seus grafites geniais espalhados pelas ruas do Glicério ganharem o mundo. Uma boa hora para terminar com a frase de Mário Pedrosa, renomado crítico da década de 50:”Na minha opinião e na opinião de muita gente isenta e autorizada, o antigo e modesto pintor de paredes do Cambuci é, realmente, o mestre brasileiro de seu tempo(…)“
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Jornal do Brasil, 18/06/1957
Fique com um pouco mais de Alfredo Volpi:
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Sou morador do Cambuci desde a infancia e encontrei seu texto procurando algumas informacoes sobre este bairro que tanto amo. Bom texto, ta de parabens, so precisa superar um pouco esse ranco contra o sao-paulo, isso parece coisa de amor bandido… rsss.
[...] CAMBUCI [...]
Valeu, Mônikita. Vou lá fuçar teu blogue tb, rs…
Estou relacionando seu Blog, muito legal o seu.
A historia da rivalidade de nossos clubes se mistura a historia da nossa cidade, dos nossos imigrantes, da vida
vivida com alma e coração.
Como vc já viu no meu blog sou corinthiana e casada com um palmeirense rs… (vdd que em dia de derby é complicado rsrs) mas acho que isso mostra que essa mistura de amizade e respeito que existe entre a nossos times é a prova da verdadeira e sadia rivalidade futebolistica.
Tamo juntos
Viva o maior classico brasileiro!!!!!
Me emocionei vendo vc falar do Cambuci.
Bairro em que nasci,precisamente no Hopsital Cruz Azul, onde me criei em meio a muitos amigos que até hj tenho na minha vida.
Morrei mais de vinde anos no bom e velho IAPI. Só que falavamos IAPEI.
Uma infancia que me deixou muita saudades e foi primordial
na minha formação quanto pessoa.
Lavapés, Baixada do Glicerio, Volpi, o Largo do Cambuci, Igreja da Glória, o colegio Marista (onde estudei por até terminar o colegio) …. a rivalidade sadia entre corinthianos e palmeirenses… SÓ SAUDADE.
Meus Pais ainda moram lá … eu hj estou na Mooca mas não há uma semana que não vá ao meu querido Cambuci.
Tenho um post no meu blog sobre o velho IAPI.
Talvez até tenhamos amigos em comum.
Um grande abraço pra vc!
NOSSAAAAAAAA!!!! ACHEI O MÁXIMO A HISTÓRIA DO CAMBUCI… EU MORO BEM PRÓXIMO DA RUA DA LAVAPÉS….
PARABÉNS…UM ABRAÇO VERDE PRA VOCÊ!!!
FIQUE COM DEUS.
Boa noite, muito obrigado por seu trabalho maravilhoso, sou nascido no Cambuci, e participei de todas essas lembranças que vc. menciona, desde a escola de samba do Lavapés, passando pelo Huracam, Mocidade do Glicério, Bangu ,Estrela do IAPI, Palestra, Democratas etc….. muito obrigado abraços Tucci