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A partir da esq.: Ângelo Giordano, os filhos Giuseppe, Rosina (Tia Rosa), Enrico e Carmela, e a matriarca Angiolina Guerrini
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1971, um ano que o bom Palestrino não esquece. A vergonha maior da arbitragem no futebol brasileiro seria registrada na final daquele campeonato nacional. A história já foi contada e recontada nessa Mídia Verde, portanto bastam hoje três palavras para encaixar o leitor nesse contexto histórico: Leivinha, Armando, Ditadura. Só isso.
Mas, para uma família de fanáticos Palestrinos, descendentes de originários do sul da Bota, esses dias marcariam o início de um sonho. 1971 foi o ano em que os netos de Ângelo e Carmela (foto) decidiram tomar as rédeas de seu destino aqui no Brasil.
Morando desde sempre no glorioso Cambuci, que tantos oriundi abrigou em sua história, quiseram arriscar sua sorte no mesmo bairro, abrindo uma mercearia perto de casa. Coisa pequena, tocada pelos netos do patriarca (Giuseppe, Ângelo, Mario e Helena), sempre sob o olhar cuidadoso da mãe, Rosina Blasi. Vendiam ali mantimentos de emergência para os conhecidos da região, como toda mercearia de bairro.
Acontece que ali, quem conhece, sabe: é tutti buona gente, os clientes não conseguiam refazer a despensa e ir embora; era entrar lá e começar uma conversa gostosa que, aos sábados, poderia levar uma tarde inteira. Assim, a cervejinha no balcão virou negócio inevitável. E, italianos que eram, logo a loirinha, trincando, já vinha acompanhada de uma sugestiva sardela, de um antepasto, de uma alichela. Em pouco tempo de vida, a mercearia já vivia repleta de amigos que se encontravam no ponto da família Blasi para jogar conversa fora e terminar mais um dia de lavoro na companhia dos seus.
Dona Rosina, ou simplesmente Tia Rosa, acompanhava com zelo o progresso dos filhos e via com bons olhos aquele movimento. Como tinha uma mão magistral para cozinhar, decidiu incrementar aquele negócio de família: deu de fazer uma bela feijoada aos sábados e oferecê-la aos clientes que marcavam ponto na mercearia.
Daí para o sucesso foi um pulo: a pequena venda, mesmo com as duas ou três mesinhas da calçada, não comportava mais seu público. Durante a “febre da feijuca”, que se alastrou pelas bocas do bairro, a fila na porta do comércio, na Heitor Peixoto, formava um cordão humano até a esquina da rua Mesquita. Como todo nobre italiano que aqui aportou, aquela bela família havia conquistado o coração de todas as raças. E como era caprichosa (como todo italiano pelo mundo), Rosina queria atender a todos cozinhando com esmero.
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Nos tempos da mercearia: Maria Teresa (esposa de Mário), os filhos Helena e Mário Blasi com a mãe, Rosina
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Foi desse modo, aos poucos e de repente, que surgiu a cantina Tia Rosa. Sua feijoada de sábado é ainda como era: uma das mais absurdas da cidade, saborosa e sem frescuras. Mas o que Rosina queria mesmo era voltar às raízes e incrementar a cozinha com a culinária de seus antepassados, a comida da Basilicata, pertinho do Mediterrâneo. Logo vieram suas massas, de todo tipo e sem igual. Ganhou aplausos com seu risoto de lula e conquistou reconhecimento com sua perna de cabrito.
“Ainda é a melhor de São Paulo”, diz com orgulho o hoje sexagenário filho Mário, recordando o triunfo da mãe Rosina, enquanto me mostra matérias elogiosas feitas por jornais e revistas, em diferentes épocas.
Mas o melhor ainda estava por vir. Palestrinos doentes que eram, Ângelo, Giuseppe e Mário não arredavam pé do Jardim Suspenso, estavam lá sempre que podiam assistir um treino. Logo se tornaram “figurinhas carimbadas” entre aqueles que corriam atrás do autógrafo de seu ídolo (e olha que, naquele tempo, ídolo era outra coisa no Palestra). Foi assim, entre um “Vocês de novo?” e um “Vai lá na nossa cantina”, que Ademir da Guia começou a frequentar a casa.
Divino gostou e levou Dudu, que levou Leivinha, que levou César Maluco, que não saía mais de lá. Mas esse gostava mesmo de uma bela pratada de rabada, ou dobradinha. Na falta dessas iguarias, o atacante mandava pro gol o tanto que houvesse de feijão com arroz na cozinha, somente isso, conta Mário. Nas paredes da cantina ainda você encontra uma foto rara, a formação no gramado do Corinthinhas de Vila Monumento, esquadra amadora para a qual César Maluco oferecia seus instintos de matador por diversão.
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Esse ponto de encontro Palestrino poderia ser descrito como um pequeno salão aconchegante, onde a gente se sente na sala de casa, jantando com a família. Mas isso só é verdade até que você começa a olhar em volta e percebe o toque de surrealismo que orna o ambiente…
A começar pelas mesas, que têm um taxímetro pendurado, não me perguntem por quê. Daqueles antigões, mesmo. Sei que é coisa de Ângelo, que era artista plástico e amante de arte conceitual. Mas é coisa de maluco: uma saída d’água protegida por uma portinha metálica avisa que é para abri-la em caso de incêndio. O sujeito curioso que não resiste, no entanto, acha lá dentro somente uma bica, uma torneirinha dessas que se implantam em garrafões de pinga. Em uma coluna no centro do salão, há um quadro em branco com um compasso escolar fincado no centro; junto a porta, um quadro de 1 m², todo verde e escrito “O Tia Rosa doa 1m² de área verde para a cidade“.
Loucura essa que só perde para o aspecto de “museu de um tudo” que preenche o espaço; objetos que os irmãos foram colecionando durante a vida e que estão expostos pela casa. Há desde um aparelho de barba movido à corda (que funciona), passando por rádios de válvulas exóticos e Olivettis intactas, do tempo do onça, e culminando com uma máquina fotográfica que seu avô trouxe da sua Marcicomouvo, quando emigrou da região de Potenza.
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O mestre Dudu é outro fã da casa dos irmãos Blasi. Ao seu lado está Mário, o irmão que hoje recebe e atende os clientes
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Eu ainda diria que a cereja do bolo é o “pay-per-view” do Brasileirão, que você pode assistir em qualquer uma das três TVs, todas antigas, como convém. E quando sai gol do Verde, Mário atira as bandejas ao chão, mesmo que não esteja servindo alguém: nesse caso, ele vai até o balcão, pega algumas e joga com força ao pé das mesas, só para manter a tradição e dar aquela sorte.
Se você não conhece o lugar, não perca a chance… Porque tudo nessa vida se perde em um piscar de olhos, e ali você almoça conhecimento, janta História. Hoje, restaram apenas Mário Blasi, para contá-la, e sua irmã Helena, que a tempera com os segredos aprendidos na cozinha da mãe e que nunca deixou cair a qualidade dos pratos. A eterna Academia, inclusive, recomenda: não é muito raro encontrar por lá um craque do passado matando a saudade do sabor d’Itália.
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PERAÍ, CRUZ!!! ISSO TÁ ME CHEIRANDO A JABACULÊ…
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Bom, e que catzo esperava o amico?! Continuar dedicando o tempo necessário para deixar essa página sempre pertinente, prestando um serviço ao Palestrino que nos visita, requer um pouco mais do que paixão, na minha idade. Seria preciso correr atrás desse tipo de parceria, mais cedo ou mais tarde – e sinto muito orgulho pelo fato do nosso primeiro padrinho trazer as coisas da Bota consigo, além de ser um reduto Verde que frequento há tanto tempo.
Elaborei portanto mais que uma chamada comercial, contando uma bela e verdadeira história de vida, que ganhará uma página especial, em homenagem a quem confiou na gente. E, claro, em respeito aos nossos leitores, que merecem ser bem tratados quando passam por aqui.
Gostou desse formato de anúncio?
Porque gostaríamos muito de ter mais empreendedores Palestrinos nesse espaço Verde. Nossa frequência é boa e, principalmente, nosso leitor tem bom gosto!
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Gostei do formato da publicidade em meio a notícia. Com certeza quando este Palestrino Mineiro (Lavras/MG) for a Sampa terá o maior prazer em frenquentar a Tia Rosa.
Anteontem estava pensando no Programa Altas Horas da semana passada onde colocaram cantores dos bambis x os dos gambás e fiquei pensando sobre quem são as celebridades do meio artistico que são palestrinos. Sei que o Sérgio Reis e o Moacir Franco o são. Quem mais será? É uma coisa que gostaria de saber.
Equipe do Tia Rosa, parabéns e brevemente estarei aí.
Fábio
mundo pequeno do caramba!
[...] TIA ROSA [...]
Esse post é a adaptação do que Milton Neves chama de “publicidade jornalística” para o mundo dos blogs.Tem juquinha que não suporta isso,mas eu,que gosto de marketing,de uma boa história,de uma leitura agradável e ,claro,de uma boa comida e de nosso Palmeiras,achei bem legal.Parabéns pela iniciativa ! Dá vontade de prestigiar a cantina também pela iniciativa de ser parceira da Mídia Palestrina.
qual o horario de funcionamento do tia rosa,o roubo do filha da puta do armando marques foi na final do paulista.sabado o segundo tempo salvou a patria.vida breve para a hipocrisia bambi.