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Archive for the ‘Academia’ Category

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REPUBLIQUE-SE!  (TEXTO DE 17/03/09)

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Esse monstro que molda o Manto do Palestra é a lenda que tanto fez tremer os adversários, os mesmos que hoje nos zombam; ele defendeu nossas cores, nossa história e nossa meta por 14 longos anos, por mais de 300 partidas.

É o homem que preservou o azul da Itália em sua armadura, em 1942, quando nos tornamos Palmeiras, jurando nunca nos esquecer de onde viemos.

E esse homem de mãos soberanas e coração apaixonado realmente não deixou o Palmeirense esquecer, durante toda sua vida, quem devemos odiar. E, quando alguns esqueciam, de tempos em tempos ele aparecia para lembrá-los de que ‘Aqui é Palestra’ e que por lá o inimigo nos espreita.

Esse homem é Oberdan Catani, o meu ídolo. Ele vai sempre ao Jardim Suspenso, e não quer nada em troca da torcida que tanto ama.

Ele não se reúne com bandidos; nem joga bola com bandidos, a menos se o objetivo for tocá-los do Palestra.

Ele não tira foto sorrindo com bandidos; ele não se veste como puta, nem de brincadeira.

Não, senhores. Oberdan Catani não é inocente. Nem senil. Nem venal.

Oberdan Catani é a história viva do Palestra, e representa a saga destemida  de um povo. Coisa que, infelizmente, cada vez menos gente compreende.

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N.CS:

1) Oberdan Catani completa hoje, 12/06, 90 anos de idade e dignidade. Cent’ anni para nosso monstro imortal!

2) Esse post foi escrito por ocasião da reunião de amigas promovido pelo vereador Marco Aurélio Cunha e um outro ídolo do Palmeiras, o que explica a amargura do blogueiro por todo texto. Oberdan, no entanto, é maior que tudo. E merece ser homenageado apenas por ser o mito fabuloso que sempre foi, seja sob as traves ou nas fileiras do Palestra Italia.

Parabéns ao grande herói!

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REPUBLIQUE-SE:

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Escolhi essa foto de Telê Santana  porque nela ele aparece com um agasalho digno, honrado, ao contrário do que nos acostumamos a guardar na memória.

Telê foi contratado (pela última vez) para ser treinador do Palmeiras em janeiro de 1997, quando o manager Luxerley Wanderburgo se despediu de novo do Palestra, assumindo o time do Santos. Porém, por conta de dois AVCs em um curto espaço de tempo, Telê não pôde jamais se sentar no banco de reservas para orientar a Academia.

E por ter aceitado o desafio de ser técnico Alviverde, Telê foi desprezado pelo time oportunista, o mesmo que o usou até o último fôlego; como não era mais útil (e ainda aceitara emprego do inimigo), jamais foi devidamente homenageado em vida pelo clube que tirou do ostracismo e do papel de eterno coadjuvante; pelo contrário, foi o Palmeiras quem bancou os custos do tratamento do técnico, mesmo quando já havia ficado claro que ele não teria mais condições de assumir qualquer equipe; e foi do Palmeiras que Telê recebeu toda a atenção e preocupação que um ídolo merece.

Ninguém, daquela diretoria sórdida, jamais apareceu na casa do treinador, em Minas, para saber se ele estava bem, ou se precisava de algo: um homem doente, na curva da vida, não combina com a imagem de prostituta radiante que o time da ditadura tentava vender, já há 12 anos atrás.

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Em 1974, o ex-jogador Leônidas da Silva se vê forçado a interromper sua gloriosa e premiada carreira de radialista: o ‘Diamante Negro’ começava a ficar limitado pelo mal de Alzheimer, e não mais podia seguir adiante.

O natural seria, então, esperar pela gratidão do clube que Leônidas colocou na história, quando inventou um lance mágico e eternizou uma imagem explorada até hoje pela casa de tolerância de Vila Sônia. E qual foi o futuro de Leônidas, daí em diante?…

Eu lhes digo: 30 anos vivendo em um asilo, tendo por companhia apenas a fiel e incansável segunda esposa, Albertina Santos.

A verdade é que, após a aposentadoria nos gramados, Leônidas chegou a ser diretor da Boutique, em 1951: e decidiu trocar o posto ornamental por uma nova carreira (o desafio de ser comentarista de rádio), onde foi igualmente único – e ganhou sete troféus Roquette Pinto pela contundência que opinava nas ondas médias do rádio. Tal escolha, no entanto, custou caro a Leônidas: custou-lhe esquecimento ao invés de reconhecimento; custou-lhe uma vida apertada até o dia de sua morte, custou-lhe ser vítima do ranço daquela sub-raça, que nunca soube perder.

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E tudo que você leu acima foi para chegar no seguinte: Pedro Rocha está mal, está doente e está pobre. O craque que ajudou Madame a conquistar 2 títulos paulistas e seu primeiro nacional-ilegítimo enfrenta, inclusive, um sério quadro de depressão, como você pode ver aqui. Pedro Rocha confessou, há pouco tempo atrás, que perdeu a alegria de viver – efeito do ostracismo em que se encontra.

E o que fez a cafetina, então? Procurou Pedro Rocha? Ofereceu-lhe apoio psicológico, moral ou financeiro? Claro que não, Pedro Rocha não é mais ‘útil’ agora, então por que ajudá-lo?

Ao invés disso, na mesma semana, Ela foi procurar um ídolo vivo, gigante e eterno. Mesmo que tal ídolo jamais tenha defendido as cores nazistas – pouco importa: Ademir ainda tem evidência, ligações políticas, espaço na mídia, tudo que uma prostituta dessa laia preza.

E, vendo por esse ângulo, a humilhação do começo da semana se inverte: porque deixam morrer à míngua quem construiu sua própria história, enquanto escalam um homúnculo bizarro para chupar o pau de um camisa 10 do Palestra.

E faz questão de sair bonito na foto, o tal anão de circo, como quem diz: “olha só, mamãe:  olha como eu vendo minha camisa fácil, fácil”.

Cuidado, Urtigão. Cuidado, borboletinha… vocês são ídolos falsos de um time sem história, sem raça e sem caráter. Rodem a página para cima e leiam seu próprio futuro.

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Gracias a nuestro amigo Rodrigues Marcos!

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Alguns textos de hoje acabaram “encavalando” por um erro meu – portanto gostaria de deixar este aqui em primeiro plano, para quem não viu:

Todas as mensagens de apoio que os amigos enviaram foram repassadas ao nosso presidente, conforme prometido. A breve (e sincera) mensagem que vem de volta é a seguinte:

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“Meus caros palestrinos,


Não sei se terei virtude e fortuna para corresponder a tanta esperança. Mas garanto que as energias de que disponho estão concentradas em fazer o melhor -talvez o quase impossível – para o Palmeiras honrar suas tradições.

Saudações,

Belluzzo”

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Belluzzo nos braços da torcida:

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Do canal Parmerista!, no YouTube.

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Inscreva-se na Videoteca do Cruz de Savóia. Demora 10 segundos, não custa nada e você tem acesso a mais de 200 arquivos de vídeo (o número cresce diariamente) sobre o Palmeiras e futebol, todos devidamente organizados nos seguintes canais:

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E tenham todos um ano espetacular, cheio de glórias e alegrias para toda Nação Alviverde…

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E jamais se esqueça, Palestrino: você torce para o  time mais lindo do mundo: o maior time do mundo. Aos outros, como explicar? Como sentiriam o que sentimos?…

Obrigado, Palestra! Sempre, sempre, meu grande amor!

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E aí está, amici! O presente natalino deste blogue é uma homenagem especial do cérebre cartunista Emílio Damiani para todos os leitores desta página. Grande Emílo, mais uma vez, muito obrigado!…

O cansaço me venceu em um dia imprevisível de um ano insólito – por conta disso estou adiantando este post.

E quero aproveitar a data para agradecer a confiança dos amigos que ganhei por aqui; esta relação diária, com todos vocês, me fez amadurecer como se tivessem passado alguns anos em minha vida. Nada que eu escreva daqui por diante retribuirá a riqueza que vocês me proporcionaram com esse convívio.

Revelo, na última hora (pois só tive certeza hoje), que compromissos profissionais farão com que eu precise de muita ajuda para manter este blogue vivo em 2009. Contarei, para tanto, com a análise certeira de Palestrinos apaixonados que quiserem colaborar com nosso conteúdo: vocês, leitores. Sim, a partir de hoje, este blogue está aberto a quem tiver o que dizer. Nosso e-mail está ali em cima!

E falaremos mais sobre isso… Agora, sem lero-lero, o prometido:

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divino

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Todos que já aderiram ao perfil do Cruz de Savóia no orkut (não é necessário ser membro da comunidade/fórum reservado) poderão baixar esta pérola num tamanho bem maior e em alta resolução, diretamente do álbum “Divino”.

Para quem ainda não nos procurou e também quiser o cartoon grande: é só passar lá e solicitar a inclusão de seu perfil entre nossos amigos; mesmo que eu viaje, entrarei ocasionalmente na web, somente para aprovar as novas adesões.

Emílio: simplesmente SENSACIONAL!!!

E o artista fez mais! Enviou-nos um “chorinho” de respeito, olhem só que caricatura essa:

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Dener, imortal:

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Amici, agora só me basta desejar-lhes um Feliz Natal e um ano-novo cheio de grana, saúde e vitórias, dentro e fora de campo. Voltaremos a postar, com a ajuda de vocês, logo após a virada do ano.

Um abraço enorme e sincero,

Raphael.

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Às vésperas do jogo com a Lusa, manifestei aqui minha ira contra as opções e o modus operandi do treinador palmeirense… fui criticado de várias formas, porque, na época, a torcida estava ao lado de Luxa. Naquele contexto, o torcedor estava magoado com Valdívia, e queria apoiar o treinador que disse, oportunamente, que o Palmeiras era maior que Valdívia – e ele podia ir embora.

Hoje apareci aqui para criticar Marcos. E fui apedrejado novamente pela torcida, que agora coloca a culpa do nosso fracasso em Luxemburgo, suas escolhas e atitudes recentes. Seria engraçado se não fosse trágico…

Não isentei a diretoria por sua famosa omissão, não isentei o treinador e sua vaidade da responsabilidade pelo insucesso, apenas fiz uma crítica pontual a respeito de um ídolo. Foi o suficiente.

Gostaria de dizer, especificamente aos mais novos e exaltados, que cresci enquanto meu povo atravessava o deserto.

Em outras palavras, apenas quando atingi a maioridade plena pude ver meu time ser campeão. Antes disso, como já havia comentado no post anterior com o amigo Ademir, convivi com Palmeiras desastrosos, carentes de ídolos maiores. Lembro-me de Vágner Bacharel, cara adorado pela torcida, mas um construtor de avenidas em campo, ali no setor que ele tinha de defender. E, independente do resultado, quando o jogo acabava, os microfones iam todos para Bacharel, pois era o ídolo máximo e aquele que a torcida queria ouvir. Ficávamos, invariavelmente, somente com sua análise a respeito do que ocorria dentro de campo.

E vi o velho Chevrolet voltar ao Verdão como um veterano consagrado, cunhado como “o zagueiro mais habilidoso” que o Brasil já teve. Embevecido por esses elogios, decidiu o beque encerrar sua carreira como um centroavante extra-oficial, e não conseguia voltar para a marcação. Mas, quando o Palmeiras perdia com um gol de contra-ataque, Luizão Pereira corria aos microfones para pagar geral contra o resto da defesa.

E eu, como torcedor apaixonado e inexperiente que era, ficava do lado dele. Dizia coisas do tipo: “manda os 10 embora e fica só com o Luís Pereira, porque ele é palmeirense”.

Acontece que hoje sou bem grandinho, e já fui enganado antes.

Eu sei o que Marcão fez. Quem não quiser ver, paciência.

Só uma última pergunta para as marias de plantão: quem é o 10 do Palmeiras?

Se você demorou mais de um segundo e meio para responder, descobriu a razão pela qual o Palmeiras não irá triunfar nesse semestre: nosso Palestra precisa de um ídolo na meia-esquerda para virar Academia e ser campeão. Não sou eu quem quer assim, é a História quem diz.

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Quem não precisa de Valdívia agora?

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1) O Parmera:

Em 1947, era dado como certo o primeiro tricampeonato da triste história leonoresca. Seria o terceiro título paulista em três anos, mas o Verdão entrou em campo para rasgar as vestes da meretriz, aplicando-lhe um 4 x 3 e desmanchando seus sonhos.

Campeã paulista de 48 e 49, Madame chegava ao ano santo de 1950 novamente embalada e favorita ao título; mas teria de enfrentar e bater os Homens de Verde para conquistar a glória inédita do tricampeonato, e aí não deu… Em uma partida no Pacaembu que entrou para a História como “o Jogo da Lama” (devido à emoção da peleja e à forte chuva que esmerdeou o gramado, não graças a mais uma falcatrua do emo-clube), o Alviverde conquistaria seu segundo título do ano (conquistaria mais três, fechando as Cinco Coroas do ano santo).

Já na década de 70, Madame fez tudo direitinho: tinha um ditador de presidente, árbitros que eram coniventes com o poder público, por bem ou por mal, e ainda conseguiu transferir todos seus jogos importantes para o Privadão, que fica ali na chácara da esposa de Adhemar de Barros. E assim sagrou-se bicampeã paulista, nos anos de 70 e 71. E, em 1972, o clube bem-amado fazia uma campanha impecável, e chegou ao final do certame invicto: agora vinha o tri?

Bom, acontece que participava daquela disputa uma certa Academia, que estava tinindo, e que havia anotado uma campanha ainda mais irretocável. Na hora do “vamo vê”, sobraram os dois, invictos, e os Homens de Verde jogavam pelo empate. E foi com um clássico 0 x 0 que o Palestra novamente frearia os anseios da grande cortesã, sagrando-se campeão paulista.

Pulamos para a década de 90 quando, sob a liderança de um bonequinho de marquetíngue que vendia Danete, Madame obteve êxito em 91 e 92, abocanhando mais um bi Paulista. 1993 chegava com a promessa de levar para o Jd. Leonor a primeira honra de um tricampeonato. Nesse ano, porém, as meninas sucumbiriam diante do nosso rival nas semi-finais. Mas, por um capricho histórico, no ano onde novamente o tri não viria, o Palmeiras se sagraria campeão.

Quatro vezes. No cu dela.

Aí vieram as obsessões que a nossa geração já conhece: Madame bate o pé e afirma ser tricampeã mundial, mesmo a Fifa desautorizando, mesmo que ela compute nessa soma dois jogos na neve do Japão, às 9:00 da manhã, contra times mistos da Europa em pré-temporada. Em um deles, ganhou contra o Milan, que nem campeão europeu havia sido – estava lá somente para tapar o buraco do Olympique, pois o time francês acabara de ser banido de competições internacionais justamente por se comportar nos bastidores de uma maneira à la SPFW.

Ganharam, sim, três Leonores de América. Mas não foi na sequência e foi daquele jeitinho que já nos cansamos de mostrar, eliminando à fórceps seus concorrentes indesejáveis, como o Palestra, mais recentemente, por exemplo. Um torneio que nunca mereceu destaque algum na grande mídia, até que o mais querido conquistasse o primeiro triunfo.

Porque aqui, entre os nossos, onde o futebol é escrito com F maiúsculo e onde todos desprezam essa corja imunda, não conseguiram nenhum tri, não: sempre apareceu o Palestra Itália para restabelecer a ordem das coisas, sempre que foi necessário.

Por isso fiquei feliz domingo à noite, quando olhei a tabela. Agora sei que seremos campeões.

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2) A Putana:

*Se você passou hoje pelo blogue no Palhaço Juquinha, já deve ter visto essa: o chupa-ovo deixou um post maldoso ali, tirando sarro da condição etílica de Rubens Barrichello na festa que sucedeu aquela veadagem de F1. Sim, o P.J., o mesmo garoto de recados que teve de ligar para o resgate e precaver os paramédicos para que comparecessem com litros de glicose à sede da ESPN, após entrevista com J.J. Scotch Whiskey. Mas, sobre isso, você não vai ler uma linha lá.

*Palavras de José Roberto Wright, que, não por acaso, faz um biquinho nas páginas do Boletim de Madame: “Não acho que haja dolo ou complô por parte da Comissão Nacional de Arbitragem ou dos mesmos. A maior besteira que escuto seguidamente é que os apitadores querem ajudar os clubes de São Paulo. Quanta bobagem!

Também acho, Wright. Afinal, o único time de sampa na disputa é o Verdão, que tem sido seguidamente prejudicado. Santos e Lusa estão se afogando, o rivale nem está entre nós e aquele time genérico (por todo canto do mundo há um time de elite, que joga sujo e que todos rejeitam) poderia ter surgido em qualquer lugar onde as liberdades individuais de um povo fossem suprimidas.

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3) O cabeçudinho:

É tanta falta de cultura que nem sei se vale a pena responder a esse parasita sem talento. Diria que o comentário da leitora Mi é mais que suficiente para reduzir à insignificância o caráter do filho do camelô midiático. Mas vou deixar aqui pequenas considerações; assim, da próxima vez que ele for tentar ser mal-educado com um torcedor que lhe apresenta argumentos, pelo menos não vai passar o vexame de se mostrar um ignorante que só está onde está porque o papai tem dinheiro.

* Em primeiro lugar, se fosse realmente preciso, pegaríamos em armas, sim. Nossos antepassados fizeram isso para defender os constitucionalistas de 32, pelo simples fato de que queriam ser vistos como brasileiros, queriam ser aceitos pelo próprio povo… Entre outras coisas, não queriam ver um verme sem cultura e sem história como você vir vomitar esse tipo de merda 80 anos depois.

* Outra coisa, orlandinho: a Academia foi prejudicada, e muito. O time da ditadura militar, aquele para o qual papai te ensinou a torcer porque “é uma grande moleza”, garfou o título de 71 quando o sr. Armando Marques anulou gol legítimo de Leivinha, com medo do governador biônico que estava sentado no banco de reservas e era presidente da Boutique. Nem isso você sabe, marginal…

Vai estudar, vagabundo!

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Ângelo Giordano, os filhos Giuseppe, Rosina, Enrico e Carmela, e Angeolina Guerrini

A partir da esq.: Ângelo Giordano, os filhos Giuseppe, Rosina (Tia Rosa), Enrico e Carmela, e a matriarca Angiolina Guerrini

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1971, um ano que o bom Palestrino não esquece. A vergonha maior da arbitragem no futebol brasileiro seria registrada na final daquele campeonato nacional. A história já foi contada e recontada nessa Mídia Verde, portanto bastam hoje três palavras para encaixar o leitor nesse contexto histórico: Leivinha, Armando, Ditadura. Só isso.

Mas, para uma família de fanáticos Palestrinos, descendentes de originários do sul da Bota, esses dias marcariam o início de um sonho. 1971 foi o ano em que os netos de Ângelo e Carmela (foto) decidiram tomar as rédeas de seu destino aqui no Brasil.

Morando desde sempre no glorioso Cambuci, que tantos oriundi abrigou em sua história, quiseram arriscar sua sorte no mesmo bairro, abrindo uma mercearia perto de casa. Coisa pequena, tocada pelos netos do patriarca (Giuseppe, Ângelo, Mario e Helena), sempre sob o olhar cuidadoso da mãe, Rosina Blasi. Vendiam ali mantimentos de emergência para os conhecidos da região, como toda mercearia de bairro.

Acontece que ali, quem conhece, sabe: é tutti buona gente, os clientes não conseguiam refazer a despensa e ir embora; era entrar lá e começar uma conversa gostosa que, aos sábados, poderia levar uma tarde inteira. Assim, a cervejinha no balcão virou negócio inevitável. E, italianos que eram, logo a loirinha, trincando, já vinha acompanhada de uma sugestiva sardela, de um antepasto, de uma alichela. Em pouco tempo de vida, a mercearia já vivia repleta de amigos que se encontravam no ponto da família Blasi para jogar conversa fora e terminar mais um dia de lavoro na companhia dos seus.

Dona Rosina, ou simplesmente Tia Rosa, acompanhava com zelo o progresso dos filhos e via com bons olhos aquele movimento. Como tinha uma mão magistral para cozinhar, decidiu incrementar aquele negócio de família: deu de fazer uma bela feijoada aos sábados e oferecê-la aos clientes que marcavam ponto na mercearia.

Daí para o sucesso foi um pulo: a pequena venda, mesmo com as duas ou três mesinhas da calçada, não comportava mais seu público. Durante a “febre da feijuca”, que se alastrou pelas bocas do bairro, a fila na porta do comércio, na Heitor Peixoto, formava um cordão humano até a esquina da rua Mesquita. Como todo nobre italiano que aqui aportou, aquela bela família havia conquistado o coração de todas as raças. E como era caprichosa (como todo italiano pelo mundo), Rosina queria atender a todos cozinhando com esmero.

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os filhos Helena e Mário Blasi entre a mãe Rosita

Nos tempos da mercearia: Maria Teresa (esposa de Mário), os filhos Helena e Mário Blasi com a mãe, Rosina

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Foi desse modo, aos poucos e de repente, que surgiu a cantina Tia Rosa. Sua feijoada de sábado é ainda como era: uma das mais absurdas da cidade, saborosa e sem frescuras. Mas o que Rosina queria mesmo era voltar às raízes e incrementar a cozinha com a culinária de seus antepassados, a comida da Basilicata, pertinho do Mediterrâneo. Logo vieram suas massas, de todo tipo e sem igual. Ganhou aplausos com seu risoto de lula e conquistou reconhecimento com sua perna de cabrito.

“Ainda é a melhor de São Paulo”, diz com orgulho o hoje sexagenário filho Mário, recordando o triunfo da mãe Rosina, enquanto me mostra matérias elogiosas feitas por jornais e revistas, em diferentes épocas.

Mas o melhor ainda estava por vir. Palestrinos doentes que eram, Ângelo, Giuseppe e Mário não arredavam pé do Jardim Suspenso, estavam lá sempre que podiam assistir um treino. Logo se tornaram “figurinhas carimbadas” entre aqueles que corriam atrás do autógrafo de seu ídolo (e olha que, naquele tempo, ídolo era outra coisa no Palestra). Foi assim, entre um “Vocês de novo?” e um “Vai lá na nossa cantina”, que Ademir da Guia começou a frequentar a casa.

Divino gostou e levou Dudu, que levou Leivinha, que levou César Maluco, que não saía mais de lá. Mas esse gostava mesmo de uma bela pratada de rabada, ou dobradinha. Na falta dessas iguarias, o atacante mandava pro gol o tanto que houvesse de feijão com arroz na cozinha, somente isso, conta Mário. Nas paredes da cantina ainda você encontra uma foto rara, a formação no gramado do Corinthinhas de Vila Monumento, esquadra amadora para a qual César Maluco oferecia seus instintos de matador por diversão.

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O bom humor e criatividade recobrem as paredes de madeira do Tia Rosa

O bom humor e criatividade recobrem as paredes de madeira do Tia Rosa

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Esse ponto de encontro Palestrino poderia ser descrito como um pequeno salão aconchegante, onde a gente se sente na sala de casa, jantando com a família. Mas isso só é verdade até que você começa a olhar em volta e percebe o toque de surrealismo que orna o ambiente…

A começar pelas mesas, que têm um taxímetro pendurado, não me perguntem por quê. Daqueles antigões, mesmo. Sei que é coisa de Ângelo, que era artista plástico e amante de arte conceitual. Mas é coisa de maluco: uma saída d’água protegida por uma portinha metálica avisa que é para abri-la em caso de incêndio. O sujeito curioso que não resiste, no entanto, acha lá dentro somente uma bica, uma torneirinha dessas que se implantam em garrafões de pinga. Em uma coluna no centro do salão, há um quadro em branco com um compasso escolar fincado no centro; junto a porta, um quadro de 1 m², todo verde e escrito “O Tia Rosa doa 1m² de área verde para a cidade“.

Loucura essa que só perde para o aspecto de “museu de um tudo” que preenche o espaço; objetos que os irmãos foram colecionando durante a vida e que estão expostos pela casa. Há desde um aparelho de barba movido à corda (que funciona), passando por rádios de válvulas exóticos e Olivettis intactas, do tempo do onça, e culminando com uma máquina fotográfica que seu avô trouxe da sua Marcicomouvo, quando emigrou da região de Potenza.

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Ademir com seu filho no salão do Tia Rosa, no começo da década passada

Ademir no salão do Tia Rosa, com o filho de Mário, no começo da década passada

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O mestre Dudu é outro fã da casa dos irmãos Blasi

O mestre Dudu é outro fã da casa dos irmãos Blasi. Ao seu lado está Mário, o irmão que hoje recebe e atende os clientes

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Eu ainda diria que a cereja do bolo é o “pay-per-view” do Brasileirão, que você pode assistir em qualquer uma das três TVs, todas antigas, como convém. E quando sai gol do Verde, Mário atira as bandejas ao chão, mesmo que não esteja servindo alguém: nesse caso, ele vai até o balcão, pega algumas e joga com força ao pé das mesas, só para manter a tradição e dar aquela sorte.

Se você não conhece o lugar, não perca a chance… Porque tudo nessa vida se perde em um piscar de olhos, e ali você almoça conhecimento, janta História. Hoje, restaram apenas Mário Blasi, para contá-la, e sua irmã Helena, que a tempera com os segredos aprendidos na cozinha da mãe e que nunca deixou cair a qualidade dos pratos. A eterna Academia, inclusive, recomenda: não é muito raro encontrar por lá um craque do passado matando a saudade do sabor d’Itália.

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PERAÍ, CRUZ!!! ISSO TÁ ME CHEIRANDO A JABACULÊ…

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Bom, e que catzo esperava o amico?! Continuar dedicando o tempo necessário para deixar essa página sempre pertinente, prestando um serviço ao Palestrino que nos visita, requer um pouco mais do que paixão, na minha idade. Seria preciso correr atrás desse tipo de parceria, mais cedo ou mais tarde – e sinto muito orgulho pelo fato do nosso primeiro padrinho trazer as coisas da Bota consigo, além de ser um reduto Verde que frequento há tanto tempo.

Elaborei portanto mais que uma chamada comercial, contando uma bela e verdadeira história de vida, que ganhará uma página especial, em homenagem a quem confiou na gente. E, claro, em respeito aos nossos leitores, que merecem ser bem tratados quando passam por aqui.

Gostou desse formato de anúncio?

Porque gostaríamos muito de ter mais empreendedores Palestrinos nesse espaço Verde. Nossa frequência é boa e, principalmente, nosso leitor tem bom gosto!

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Cantina Tia Rosa. Rua Heitor Peixoto, 728, Cambuci. Fone: 2914-9771. Preço médio: R$ 18,00 p.p.
Citando o Cruz de Savóia, a primeira cerveja Premium (grande) é por conta da casa!

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Deixo abaixo três textos que vão desagradar muita gente que nos acompanha; depois disso, perdoem-me se não atualizar a página com a frequência costumeira, pois estou com nojo do Palmeiras. E nojo de São Paulo, e nojo de quase tudo.

Pensei bem antes de postar essas reflexões, mas é o seguinte: um blogueiro amador é um abnegado. Gasta horas e dias de sua vida para construir um veículo de informação virtual, e muitas vezes nem ele tem idéia exata da validade e pertinência do que escreve, sob a ótica de quem lê, isso quando os leitores o visitam. Portanto, tanto esforço só pode ter uma jóia de valor: penso que esse é o único espaço do mundo onde posso dizer o que quero, do modo que acredito, sem ser obrigado a me adequar a nenhum juízo moral que não seja o meu próprio. Portanto, lá vai meu ódio destilado – e me perdoem os que se sentirem ofendidos:

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1) O resultado de hoje era tão óbvio que não me deixou triste: o Palmeiras não merece ser campeão. É verdade, ainda é possível, nesse campeonato equilibradíssimo, onde o líder é medíocre em campo e aqueles que o seguem não fogem da burocracia da bola. Podemos chegar lá. Mas é o seguinte, seria uma injustiça, porque esse time não merece o penta. E explico:

Temos uma torcida maravilhosa, e é só isso que me entristece. Mas essa torcida foi tratada como lixo pelo próprio clube, desde a primeira rodada em que foi mandante. Disseram que não éramos bons o bastante para torcer pelo Palmeiras no Palestra, e tentaram aumentar o ingresso para R$40,00, para ver se gente melhor apareceria no campo. Não deu. Voltaram atrás, mas não muito: ainda sustentamos o ingresso mais caro do Brasil.

Esse ingresso inflacionado tem uma razão de ser, e a razão não é a nova realidade do mercado da bola, onde a bilheteria deve representar importante fonte de renda ao clube. O verdadeiro motivo dessa cobiça nos foi revelado logo após a final do Paulista (onde a diretoria deixou a polícia nos espancar na fila dos ingressos, que sumiram, e ainda dentro do Parque Antarctica, já no segundo tempo da finalíssima): há gente lá dentro, como o Sr. Pica Pau, o sr. Ebem Gualtieri e o Sr. Palaia (alô, Conrado, estou tentando separar o joio do trigo…) que tem uma relação para lá de obscura com a empresa de fachada dos irmãos Balsimelli, como já cansou de mostrar o bravo Barneschi.

Os ingressos adentram a diretoria, somem das bilheteria e reaparecem em massa nas mãos dos cambistas.

Alguns são falsos, confeccionados pela própria BWA, coisa já fartamente comprovada.

O Palestra lotado é sempre uma ilusão de ótica: por mais que o torcedor não encontre ingresso, em todo jogo 1000, 2000 ingressos são “devolvidos”, segundo a lenda de quem desvia a “féria” de domingo.

Se o torcedor associado reclama, conselheiros ameaçam-no de expulsá-lo do clube, como fizeram com o amigo Ademir – que tirou foto e registrou o fato, na final contra a Ponte.

Mas, na hora do jogo, foda-se o Palmeiras. Porque, durante os dias que antecederam alguns embates, nesse torneio, ficou bem claro que havia a intenção de se prejudicar nossa equipe. Ou pelo fato do adversário criticar a arbitragem e botar pressão, ou pelo fato do STJD instalar o terrorismo na cabeça do nosso elenco, ou pelo fato da imprensa querer causar um clima de guerra onde só havia paz. Mesmo assim, essa diretoria passiva viu o Palmeiras ser roubado em casa domingo passado, ser humilhado pela arbitragem em seus domínios, e não reagiu, nem na quarta-feira.

Como uma puta que apanhasse para devolver o dinheiro ao cafetão. Quando ele bate e toma a grana, ela não reclama. Só chora.

Nesse sábado, como já havia nos alertado o 3VV, escalaram o mais caseiro dos caga-regras para conduzir nosso jogo. O cara havia apitado 12 ou 13 jogos: 30 pontos para o mandante e apenas 6 para os visitantes, se não me falha. Três desses pontos como visitante foram para o SPFW, jogando na Bahia, contra aquele time cujo nome não entra nessa página. Jogos do Fluzão? Nenhum: esse foi o primeiro. O cara veio de Brasília para fazer o que fez, com uma missão a cumprir. Porque o Palmeiras pode ter se perdido em campo, bobeado na marcação, mas aquele primeiro gol… Eis o que ocorreu:

Na batida da falta, a bola era do Marcos. Mas apareceu Washington, matador certeiro em jogos decisivos, na frente do Santo, sem marcação alguma; então Marcão novamente teve de agir como zagueiro (fato recorrente no certame), e desviou sua atenção para o atacante, se esquecendo da bola. Já o avante, quando percebeu que não conseguiria desviar a redonda, esticou acintosamente o braço, ludibriando nosso arqueiro, que tentou prever a trajetória da pelota no lance.

Qualquer juíz sério invalidaria a jogada e premiaria o “coração de leão” com um amarelinho. Agora, o fdp é Washington, o Flu, o juizão que tinha um trabalho a cumprir? Não, né… Se por aqui sabíamos o que aconteceria (palmas ao 3VV novamente) e ainda tentamos avisar (como no domingo passado), por que raios aqueles caras que desviam dinheiro do Palestra não perceberam? São burros? Ou estão cagando para o Palmeiras?

Claro, novamente, vamos separar o joio do trigo, porque há ali gente séria, gente de bem: assim me parecem ser Toninho Cecílio, Cipullo, Belluzzo e sua trupe. Só que o problema é mais embaixo: de boa intenção, os times pequenos estão cheios… De covardia, também. Precisamos de um homem lá, cacete! Um cara que levante a voz e intimide a imprensa e os tribunais, como Eurico Miranda fez a vida toda para defender o seu time, estando ele com a razão, ou não. Ele amava seu clube e demonstrava isso, por isso ficou tantos anos no poder sem ser incomodado.

Disse isso outro dia e fui mal compreendido: se é para ver meu time dominado por uma facção comprometida, que não cuida da receita que adentra no clube, melhor seria ter um ditador com o saco roxo, que subverte a ordem vigente para ver o time que ama levantar a taça.

Porque não está resolvendo nada nos fiarmos naqueles cagões de fala mansa e paletó, que se escoram nos aportes de capital (conquistados graças ao patrimônio imenso do Palmeiras) para venderem a imagem de uma administração moderna. São bundões, só isso. Covardes, covardes….

Por esses motivos, e ainda pelo fato de termos uma equipe irregular, inconstante, que não sabe se impor nos momentos decisivos, não merecemos ser campeões brasileiros nesse ano. Se você não se convenceu ainda, analise comigo:

11ª Rodada: Madame 2 x 1 Palmeiras, nem entramos em campo;

13ª Rodada: Goiás 3 x 2 Palmeiras, quando os goianos lutavam contra o descenso;

21ª Rodada: Internacional 4 x 1 Palmeiras, um dos poucos trunfos do Colorado até então;

24ª Rodada: Palmeiras 0 x 3 Ixpót, em casa, depois de tudo que engolimos deles;

31ª Rodada: Fluminense 3 x 0 Palmeiras: nunca vi um campeão com essa campanha.

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2) Attecchiri era um sobrenome engraçado, motivo de piada para o amigo desde os tempos do primário, como se esse também não levasse um sobrenome hilário, herança de sua terra natal: Abbagliato.

Desde os tempos de colégio, da “era da inocência”, percebiam uma empatia entre si, uma disposição de espírito muito parecida, o desejo de construir a própria saga, de levar a cabo o ideal aprendido nas aulas de História e nos jantares com os avós: Veni, vidi, vici, a inspiração máxima do romano Júlio César.

O problema, no entanto, era sempre o mesmo: na hora de empreenderem seus objetivos, sempre se entrepunha a mesma discordância entre os dois. Attecchiri queria fazer as coisas só do seu jeito, com muita calma e sempre de um modo ortodoxo e pouco amigável. O outro, por sua vez, quando tinha uma idéia, queria vê-la em prática, sem analisar as consequências, custasse o que custasse. Abbagliato não parava muito para pensar: era sempre agora, ou nunca.

Assim, sem conseguirem jamais chegar num acordo, foi questão de tempo até que a vida os afastasse, não sem antes promover uma enorme mágoa no coração dos dois. Logo, um e outro não podiam mais se ver, pois a raiva falava mais alto e as nuvens do céu se acumulavam densas.

Curioso é que seus defeitos serviram de mola propulsora para que crescessem na vida e, enfim, alcançassem o sonho de ser maiores que tudo e todos; fizeram sucesso na vida, ambos, e causaram muita inveja. Abbagliato, lógico, foi quem saiu na frente. Com sua disposição e garra inigualáveis, conquistou um sem-número de admiradores apaixonados, a ponto de poder sempre contar com eles quando um problema se apresentava. Por sua vez, Attecchiri, embora demorasse um pouco mais para chegar onde queria, foi muito mais longe do que sua família poderia sonhar… Fez tudo aos poucos, com o capricho e esmero que lhe era peculiar; inovou a roda do mundo em seu meio de trabalho, sendo pioneiro e perfeito em quase tudo que construiu. Teve sua estrada coberta de louros, e também conquistou a admiração dos seus, que passaram a amá-lo cada vez mais, sentindo um orgulho sem tamanho do filho pródigo.

Mais curioso ainda foi quando ambos finalmente perceberam que os mesmos defeitos que os acompanhavam (e que os impulsionaram na vida) também poderiam ser sua desgraça. Attecchiri pagou caro por seu caráter passivo, sua crença no “deixar levar”, pois quem mais o invejava sempre se aproveitou disso para tentar roubar o que era seu. E Abbagliato, com seu impulso incontrolável e a mania de achar que era maior que o mundo, deixou escapar importantes conquistas em sua vida, por se cobrar mais do que devia.

No entanto, não vamos fugir à história: quis o destino que os dois, na idade adulta, fossem morar no mesmo prédio. Pior do que isso (só podia ser brincadeira de Deus, que não tem mais o que fazer), foram parar no mesmo andar. Vizinhos de porta. E logo na primeira vez em que se reencontraram, o ódio falou mais alto que os antigos sonhos de criança.

A parti daí, passaram a competir um com outro de maneira frenética: ambos queriam voltar para casa ostentando um sucesso maior do que o conquistado pelo rival. Porque, mesmo naquelas cabeças adultas, sobrevivia a lógica do primeiro orgulho: quem obtivesse mais glórias, conquistaria também a razão sobre os argumentos da infância, os mesmos que os separaram irremediavelmente.

Assim competiram por anos a fio, e venciam sempre na vida, motivados por suas crenças. Até que um dia Attecchiri se deu muito mal… Sua complacência e vaidade finalmente cobraram seu preço: o grande italiano perdeu quase tudo que tinha e teve que se mudar dali, para a glória e gozo de Abbagliato, que fez grande quizumba em seu apartamento: enfim havia vencido.

Attecchiri, com poucos recursos, mudou-se para o andar de baixo, em um cômodo apertado, triste e humilhado por ter se deixado empobrecer desse jeito. Mas sobrara ainda seu coração, que era nobre, e seu sangue, que era ruim. Assim, em pouco tempo, ele refez sua vida, sua fortuna, e retornou à sua casa, para a decepção do rival.

E foi quando voltou para seu lar que Attecchiri notou a mudança no antigo amigo: Abbagliato, sem poder saber de sua vida por conta da distância, parara de se empenhar no que sabia fazer melhor: ser grande, ser guerreiro. O italiano lhe fizera falta… Então sorriu de canto de boca, esperando a hora em que o vizinho afundaria, para vibrar também.

Não demorou muito: tendo perdido o tino de sua própria nobreza, Abbagliato meteu-se em negócios escusos, meio sem saber – mas sabendo. Vendeu sua alma e teve sucesso momentâneo, e todos voltaram sua atenção para ele, que fazia festa: estando o rival na porta do lado ou não, ele ainda tinha mais glórias para mostrar.

Só que uma hora “a casa caiu” e a falta de lisura dos empreendimentos em que Abbagliato se metera trouxe os problemas à tona, e a polícia até sua casa. Viu tudo que era seu ser confiscado, mas não se desesperou. Tendo um patrimônio inigualável, a fé cega daqueles que o amavam, calculou que nada de mal lhe aconteceria. Passou ainda algum tempo debochando do vizinho, mesmo em meio à penúria, alardeando ao prédio inteiro que jamais se mudaria: ele não era Attecchiri, e Attecchiri era menor.

Mas, não obstante o choro dos que lutavam por ele, Abbagliato enfim quebrou, e teve que se mudar. Por ironia, aquele apartamento um andar abaixo, baratinho e sem janela, estava novamente vago. E para lá Abbagliato foi, engolindo seu orgulho.

Foi a vez de Attecchiri comemorar e ficar embriagado: – La vendeta!, gritava com toda força que havia em seus pulmões, para que Abbagliato o ouvisse lá embaixo. E teve também seus momentos de glória, a partir dali – enriqueceu mais, a exemplo de Abbagliato quando estava em sua posição.

No entanto, logo Attecchiri sentiu um vazio em seu peito. Por mais sucesso que conquistasse, faltava-lhe alegria, e ele não sabia a causa disso. E logo foi se acomodando ao que já tinha, deixou de lado seu capricho com as coisas, parou de lutar, de defender o que era seu… Às vezes ouvia Abbagliato gritar qualquer coisa lá de baixo e sentia uma pontada que lhe esquentava o tórax, reavivando seu interesse pela vida. Mas, sem saber mais das coisas daquele que odiava, parou de se preocupar em entender o porquê.

Enquanto isso, Abbagliato não se deu por vencido. Sabia que tinha de lutar cegamente pela vida e que, se o fizesse, nada o deteria. Logo na primeira oportunidade, ganhou outra vez grande fortuna e voltou ao lar que deixara. Anunciou a proeza ao rival dando outra grande festa, como era de seu feitio.

O que aconteceu nesse momento é o que torna a história mais interessante: Attechiri não andava feliz consigo, tampouco com o mundo – e se guardava em casa, cultivando seu mau-humor de berço. Pois, justamente naquela hora, Abbagliato decidiu comemorar seu retorno, abrindo as portas de seu antigo lar para os milhões de amigos, fazendo um estardalhaço que não permitia ao rival ruminar sua enorme tristeza.

A música era um atentado aos ouvidos de Attechiri, que ainda achava as visitas de mau gosto e o barulho muito alto. Nesse dia ruim, disse: – “Chega!“, e irrompeu pelo corredor do prédio, pronto a soltar todos os impropérios que conhecia nas orelhas daquele cazzo’n culo. Foi quando a roda completou seu giro…

Quando enfim deu de cara com o rival, disposto ao enfrentamento, percebeu que o antigo amigo o olhava de outro jeito, com um misto de estranheza e revelação. E com Attechiri sucedeu-se o mesmo: viu no olhar do vizinho uma dor perene e o peso dos anos. Sem que se dessem conta, aquela empatia da infância reavivara sua chama, e os dois relembraram em silêncio os velhos dramas.

Houve um tempo em que não eram inimigos, e seus ideais eram parecidos.

Houve um tempo em que os dois eram cientes de sua grandeza – e se uniram muitas vezes, no passado, contra aquela gente vazia e sem alma, sem talento e sem amor, que os invejava e os tentou derrubar tantas vezes.

Houve um tempo em que o inimigo era comum, e o que havia entre os dois era só orgulho e dignidade, e isso os fez ganhar o mundo. Tudo isso compreenderam ao mesmo instante e, embora calados, um pressentiu no outro aquele brilho no olhar:

Estamos juntos outra vez, unidos pelo antagonismo que nos criou. Como preciso de você…

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Então Abbagliato perguntou, de queixo erguido, em tom de ameaça:

– O que é que você quer aqui?

No que o outro respondeu, antes de se virar e ir embora:

– Só vim dizer que sua festa está uma merda.

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3) Tentei o quanto pude deixar minhas convicções políticas longe dessa página. Mas, como não consegui mesmo, agora vou chutar o balde:

Admito que um alienado, daqueles que adoram dizer “político é tudo igual”, vote no Kaxab. Afinal, quem não tem personalidade é levado pela corrente, é uma lei mundana. Agora, o sujeito que se interessa minimamente pelos assuntos da cidade em que vive, que assisitu algum dos debates, vir me dizer que vai votar na Arena?!

Então repito o que já disse em outros fóruns de discussão: São Paulo é a contramão do Brasil. É a marcha-ré do Brasil… 80% do povo dessa nação acham o governo petista bom ou ótimo mas, por aqui, o ranço dos quatrocentões infecta a classe média, que elege um ratinho de Maluf, um candidato do PFL, mesmo sabendo que a Marta é melhor. E o faz por dois motivos bem simples.

Primeiro: A elite de São Paulo é o cancro desse país. Para ficar claro: a elite de São Paulo é o cancro desse país. Se alguém pulou a linha: a elite de São Paulo é o cancro desse país. Sempre que um governo democrata, com visão social, governa essa cidade, eles se enervam e votam baseados no ódio que nutrem pela sua própria gente.

E São Paulo desconhece o Brasil. Eles têm raiva de Marta, porque ela deu condições dignas de vida para gente desprovida de tudo, e isso ameaça a classe-mediazinha de saco rendido e mesquinha. O cara não tem um projeto de governo, e quem vota nele sabe disso. Como votou no Pitta e no Maluf sabendo disso. Gente podre, gente nojenta e desprezível. É em meio a esse povo que vivo. Vão eleger um coronelzinho só pelo prazer de verem os pobres se ferrarem, mesmo que se fodam juntos. Gente pequena e imbecil…

Segundo: Eu prefiro uma puta assumida que solta um “relaxa e goza” para a classezinha que viaja de avião, do que uma bicha enrustida que chama o povo de vagabundo diante das câmeras. E qualquer pessoa sensata prefere também. Escolher o Kaxab entre os dois é assinar uma confissão de impotência e dizer bem alto: “Sou um cuzão conservador que tem medo de mulher”.

Não é à toa que republicanos e pastores dão o cu escondidos.

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Direto da nossa Videoteca, o título do Quadrangular João Havelange, de 1966, em pleno MARACANÃ:

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Já disse aqui: amanhã resgataremos o mito da nossa camisa 10, de Palestra, de Academia, de nobreza e elegância. E como tudo seria pouco para falar Dele, deixemos a palavra com o próprio: abaixo reproduzo, sem mais, entrevista de Divino relatando em detalhes o maior jogo de sua vida, na Revista Placar. Degustem.

Falta pouco, Verdão…

“Na chegada ao estádio, tudo se repetia como em todos os meus outros finais de semana. Desci do ônibus, onde ocupei o esmo banco de sempre (o segundo do lado direito), passei pelo saguão e entrei no vestiário. O ritual, ali dentro, também seguiu o procedimento normal. Detalhes rigorosamente iguais aos de um jogo comum. O nervosismo que tomava conta dos jogadores, no entanto, denunciava: a partida era muito especial. O Corinthians não ganhava um titulo desde de 1954. Por isso, entrou em campo como se partisse para uma guerra. Nós, palmeirenses, também estávamos muito motivados, por se tratar de um jogo contra o Corinthians. Não apenas pela rivalidade, mas principalmente porque, do outro lado, estava nosso adversário mais forte naquele ano. E jogar contra times de qualidade é sempre agradável. E enfrentar o Corinthians em uma decisão era muito especial. Pouco antes de entrar, nosso capitão Dudu ainda veio conversar comigo, como acontecia na maioria das partidas. Ele era uma espécie de técnico dentro do campo. Gritava e orientava cada um dos companheiros. Subimos os degraus que dão acesso ao gramado do Morumbi e, quando concluímos a caminhada, avistamos a multidão. Eram 120 mil torcedores, 70% dos quais torciam pelo Corinthians. Pior, todos estavam enlouquecidos para ver o alvinegro voltar e ser campeão. Não como negar que uma torcida favorável ajuda uma equipe de futebol. Mas o Palmeiras possuía uma imensa vantagem. Estava acostumada a participar de muitas decisões. Havíamos conquistado os títulos paulista e brasileiro de 1972 e o bicampeonato paulista em 1973. Tínhamos duas ausências: Eurico machucado e César suspenso. Nós éramos como a imprensa dizia – A Academia de Parque Antártica”.

“Sentíamos claramente que os jogadores do Corinthians estavam nervosos dentro do gramado. Mesmo assim, houve dificuldades durante a partida. Tentávamos cumprir as determinações básicas do técnico Osvaldo Brandão. O ponta esquerda Nei ficava em cima de Zé Maria impedindo que ele fosse ao ataque. Luis Pereira evitava avançar demasiadamente como costumava fazer. A partida estava muito igual. Não havia erros nem de um nem do outro. A marcação era rígida. Tentava me livrar abrindo espaços para os dois lados. Quando caia para a esquerda, lá estava o Tião no meu encalço. Quando voltava um pouco e vinha para a direita, quem se aproximava de mim era o Rivelino. Era um duelo difícil. Porém eles precisavam mais da vitória. Ninguém queria ser vice campeão, principalmente nas condições em que o Corinthians se encontrava. Então, repentinamente, uma cobrança de faltas violenta do Rivelino acertou a cabeça do Dudu, na barreira. Ele caiu desmaiado e saiu de campo. Poucos minutos depois, estava de volta ao gramado. Se fosse um jogo comum, provavelmente não retornaria. Por isso, a visão do capitão á beira do campo pedindo para entrar mexeu com nossos brios. Ficamos ainda mais determinados em busca da vitória”.

“Então veio o gol. O cruzamento do Jair Gonçalves encontrou Leivinha, que subiu mais do que toda a defesa e cabeceou. A bola caiu exatamente no pé direito do Ronaldo. O chute saiu forte, indefensável, no canto esquerdo de Buttice, goleiro argentino do Corinthians. Na verdade, foi esse o diferencial daquele jogo. O gol. O Vaguinho, ponta direito alvinegro, costuma reclamar até hoje, alegando que a chance do empate foi desperdiçada nos momentos finais, em um chute dele próprio. Um fator que contribuiu para dar um gosto especial àquela vitória, é que houve muito equilíbrio. Costumam dizer que a festa palmeirense não teve muita emoção, devido à presença de milhares de corinthianos, tristes e calados no Morumbi. Não é verdade. Os jogadores comemoraram demais. Uma emoção incalculável. Prova disso é que vários atletas foram ao Parque Antártica comemorar junto com a torcida mais um titulo para o Palmeiras. Eu preferi ficar em casa. A noite ainda assisti o vídeo-teipe da partida. Tudo funcionava como se eu acabasse de participar de apenas mais uma, entre as muitas partidas da minha vida. A vitória contra o Corinthians, a faixa de campeão e tudo o que se passou dentro do campo, no entanto, garantiam que aquele tinha sido o melhor de todos os jogos.”

Dia 22 de dezembro de 1974 – Palmeiras 1 x Corinthians 0.
Gol de Ronaldo.
Local: Morumbi.
Publico: 120.522 torcedores.
Juiz: Wanderley Boschilia.
Palmeiras: Leão. Jair Gonçalves. Luis Pereira. Alfredo e Zeca. Dudu e Ademir da Guia. Edu. Leivinha. Ronaldo e Nei.
Técnico: Oswaldo Brandão.
Corintians: Buttice. Zé Maria. Brito. Ademir e Wladimir. Tião e Rivelino,. Vaguinho. Lance. Zé Roberto (Ivã) e Adãozinho.
Técnico: Sylvio Pirilo.

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Esse time será muito campeão domingo. Os mesmos 11 que foram humilhados contra o Sport, no Recife, conduzirão essa esquadra ao seu lugar, contra a Ponte: minha paixão pelo Palmeiras já me ensinou há tempos o quanto nossas equipes se identificam com a torcida – e o quanto o estado anímico do nosso torcedor influencia seus desempenhos. Quando um fala “hoje não sei, não“, o outro treme; quando um pergunta quanto é o couvert, o outro se esporcacha… E quando um grita “Basta!“, o outro vira Academia.

Senão vejamos: esse escrete chegou até aqui passando ao largo das muitas sabotagens que sofreu esse ano – da Federação Paulista e sua persona non grata, da comissão de arbitragem e seu coronel, de Madame e sua cafetina, da imprensa com suas putas… Já o torcedor que chegar ao estádio terá enfrentado desde o preconceito do procurador e o medo de perder nossa casa, passando pelas porradas dos jornais e o cacetete da polícia, e atravessando a mentira que se espalha, a corrupção de sua diretoria que os vendeu aos cambistas como de costume. E sabe-se lá o que mais, ainda é quinta-feira e os limões serviram um prato cheio de acrimônia para os ratos, ontem.

Às vezes, passamos anos vendo coisas ruins se sucedendo com o clube e esperamos no azeite, curtindo e envelhecendo nesse estado. Porque em nós mesmos sempre há grandeza e esperança, somos uma família que a História salvaguarda, esperando o fio condutor que devolverá a clareza aos fatos.

Nosso fio condutor é Vanderley Luxemburgo. Ele deu o “Basta!“. Vai entrar para os livros que o Palestrino guarda na mente o que ele fez no vestiário do Palestra, após as semifinais, apontando a verdade que nenhum faccia di fezza lá de dentro jamais teria peito de mostrar: ali ele fez a torcida e muita gente se lembrar de muita coisa, retomar seus brios. Ele deu o “Basta!” mostrando ao torcedor, tanto ali quanto ontem, como a imprensa é nociva ao Palestra quase sempre. E, sabendo disso, deu mais um “Basta!” assumindo que o Verdão não jogou nada no Nordeste e não estava prestando sequer atenção no jogo – deixando assim qualquer palmeirense previamente informado em relação à capacidade do time no domingo.

Agora lembremos de apenas uma coisa: Aqui é Palestra e é o Palestra quem joga. Não vai ser por 1 x 0, nem 2 x 0… Estamos sofrendo muito e a esquadra já tomou ciência disso.

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Empate?

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Palmeiras x Sport, placar faminto ainda. São 23:10, escrevo enquanto meu sábio radinho vai contando histórias. Como é gostoso sentir o burburinho do Palestra recheado de paixões…

Loucura, mas aprendi a distinguir esses ecos nas caixinhas de som, conheço minha torcida e nossa casa – a tensão das vozes que essa arquibancada projeta é distinta de qualquer outra, o silêncio nos contra-ataques também.

Talvez seja por conta do fosso, da arquitetura, mas não é. O som se acomoda tão maroto em meus ouvidos porque só essa torcida, mesmo quando canta junta ou xinga em coro, destoa de si mesma – cada palmeirense é uma ilha: junte dez de nós em torno de sua mesa e não te dou quinze minutos para que você tenha de colocar panos quentes em uma discussão acalorada, onde a genitora de cada um já terá recebido a devida homenagem… E não importa se a conversa tiver começado com Darinta ou Divino, a gente nunca se entende – o clima será de discórdia até que você sirva o maccherone. E é bom que esteja al dente.

E isso talvez seja por conta das famílias, da ascendência que legitima essa índole despachada, mas também não é: para a maioria dos palestrinos, o conceito de Academia que construímos ao longo da história é tão forte que uma vitória não basta. Precisamos de uma glória “acadêmica” e, mesmo assim, ai daquele catzo in culo que perdeu um gol claro quando estava 4×0… Nesse exato momento, por exemplo, mesmo após ter atravessado o arco-íris no domingo, estou puto com esse empate – e o burburinho concorda comigo. Em parte.

A outra metade dos ruídos – e de mim – navega sob céu de brigadeiro, esperando tranquila a porteira se abrir, mas sabe que nem isso importa. Pois se tem uma coisa em que concordamos hoje, é que estamos na iminência de ver uma esquadra daquelas, digna de cobrar couvert artístico na bilheteria, do jeitinho que estamos mal acostumados!

Pensando bem, amigo, troca o cardápio: prepare a mesa com um farto culatello di Zibello e abra um vinho de respeito, porque esse ano vamos ter muito o que conversar.

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