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Posts Tagged ‘2008’

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20 de Setembro. Há 70 anos deste dia santo:

Você atacou nossa casa, nosso nome, nossa gente. Distribuiu panfletos na porta do Palestra Italia, querendo que a sociedade tomasse conhecimento que ali era o castelo de um bando de fascistas. Espalhou que estávamos contra o Brasil, como se já não fossemos, todos, brasiliani no coração.

Nós nos defendemos com a hombridade que você nunca vai conhecer. Com lanternas ao anoitecer, com barris de combustível se preciso fosse – e se preciso fosse nos juntaríamos às cinzas daquilo que conquistamos nesta terra.

De lá para cá foi sempre essa coisa repulsiva, esse comportamento passivo-agressivo que beira o ridículo. Por vezes você nos enreda em mistérios indissolúveis; o mistério do Armando Marques, o mistério da contraprova, o mistério do gás… E quando menos se espera, ataca, se esquivando às consequências: esburaca o próprio estádio para não ver nossa torcida explodir, tenta matar essa torcida dentro do Pacaembu – porque não sabe perder; pede mais dinheiro público, se esquecendo que é o maior devedor previdenciário entre os clubes do estado. Cunha na mídia a expressão “esquema Parmalat” – porque é muito humilhante para você perder para um povo.

E se eu sou fascista, você não tem raça. Nem fibra, não tem gosto na boca porque não tem alma.

20 de Setembro, há 70 anos deste dia santo:

Nascemos campeões. Você fugiu. Não contava com Adalberto Mendes – e acho que se cagou só de olhar para o queixo de Oberdan Cattani, entrando em campo de Azul. Era a Itália que resistia. Sob aplausos de um povo generoso que você queria ver nos apedrejando. Você fugiu.

A partir dali nos tornamos ainda maiores. Molti nemice, molto onore. O Time do Século. Pra você poder enfiar no cu aqueles jipes toyotas. Pra você sobrou um bêbado, um anão, a casca inóspita de um anti-estádio e a fama de ser puta.

Por isso estou aqui. É ódio. E este ódio será tua herança.

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Post escrito em 20/09/2008

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Essa vem do Valor Econômico:

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Os dados,  que se referem ao ano de 2008, ainda apontam o rivale como segundo colocado como marca rentável, atingindo a cifra de R$ 2,694 bilhões em mídia espontânea.

Isso significa que o time do marquetíngue, ou da ‘mídia forçada’, vai ter que descer o chicote em seus servos espalhados pelas redações de sampa: nem o tri-hexa-bambi foi capaz de levantar o pau do defunto do Privadão.

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Quero sair um pouco da pauta do dia, ainda que seja para falar de um assunto chato (porém necessário).

Antes de mais nada, quero dizer que fui conferir pessoalmente as bilheterias do Palestra no sábado, antes do jogo Palmeiras x Barueri. Cheguei por volta das 13:50 e entrei a 10 minutos do início do baile Verde, às 15:50: apenas sete guichês estavam abertos durante esse período… A coisa não repercutiu porque o público (de 13.278 pagantes) não foi o suficiente para gerar longas filas, mas a verdade é que a imposição de Belluzzo (que exigiu os 25 guichês abertos para a venda de bilhetes nas datas dos jogos) foi desrespeitada pela BWA novamente – ali, na porta de nossa Casa.

O que o presidente fará a respeito, não sabemos. Mas é certo que cabe à nossa diretoria retaliar essa afronta com o peso devido. Por hora aguardemos, pois esse não é ainda o cerne da questão aqui.

O problema é mais embaixo: o que me coça atrás da orelha é a perpetuação da burrice instalada por Gualtieri e cia, quando aumentaram o valor do ingresso mais em conta para R$30,00; nossa renda, nesse sábado, foi de R$ 370.127,50. Dividida pelo público já registrado acima, chegamos à média de R$27,87 reais por cabeça (levando em conta as meia-entradas, contrabalanceadas com ingressos mais caros como os do Setor Câncer).

Não levou-se em conta, assim como em 2008, o esforço que o Arquibaldo está fazendo para preencher as lacunas do Palestra tanto no Paulista como na Libertadores; não levou-se em consideração, mais uma vez, o bolso desse sofredor que quer acompanhar o Palmeiras a qualquer custo, ainda que seja para ver um time incerto (graças a nosso treinador, não sabemos mais se empurraremos, ao entrar no Jardim, o Palmeiras A ou B).

Agora vamos fazer aqui uma continha básica: se todos os ingressos para o jogo contra o Barueri tivessem seus valores contemplados por uma promoção da diretoria, custando R$15,00, teríamos os seguintes benefícios:

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1) Um estádio cheio de Palestrinos felizes por poderem ver o Palmeiras em campo sem serem achacados;

2) Uma renda ligeiramente superior, levando-se em conta esse estádio recheado com, digamos, 25.000 torcedores (ao invés de 13.000 em um sábado de sol): renda de R$375.000,00 + time jogando com moral, empurrado pelos seus;

3) Um torcedor satisfeito, pois teria mais condições de comparecer contra o Noroeste e ainda teria tempo para sanar seu bolso – e comprar ingressos para o jogo da volta contra aquele time pequeno que esqueci o nome, lá do Recife.

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Mas não podemos igualar o preço dos ingressos, tampouco fazer tal promoção, porque:

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1) Os simpatizantes do Setor Câncer não poderiam se sentir ‘diferenciados’ daqueles que sujam os banheiros, sendo que estes pagariam o mesmo preço que eles pelo ingresso;

2) As filas na bilheteria seriam imensas, pois a BWA continua cagando na cabeça do Palmeiras;

3) Se o Palmeiras não ganha, haja corneta na orelha dos jogadores…

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Enfim, constato que Gualtieri saiu, mas sua burrice elitista criou raízes lá dentro. É só uma constatação óbvia de como trabalhamos para perder torcida e renda.

A solução não posso apontar: não sou economista…

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“Faremos uma esfinge dos jogadores como uma moeda em uma placa no chão, com padrinhos torcedores. Quem quiser ser padrinho do Roberto Dias, por exemplo, vai dar um lance pela Internet. Os quatro maiores lances serão representados por estrelas na moeda”.

“É uma fórmula diferente e inédita, e esperamos que seja copiada, assim como copiaram varias outras coisas nossas”.

“É o São Paulo mais uma vez inovando nesta área, como já fez quando vendeu um pedaço da grama do Morumbi, por exemplo. O Palmeiras, Corinthians e Santos também estão evoluindo nesta área, e eu acho ótimo. Eu quero mais é que isso aconteça mesmo”.

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As palavras acima refletem os devaneios megalomaníacos de Julio Casares – e revela seu gosto duvidoso por uma estética cafona (esfinges, moedas, ouro), bem parecida com a daqueles moradores mais ricos da Barra da Tijuca, que até clone da Estátua da Liberdade já fizeram, na esperança de imortalizar sua subserviência ao dinheiro.

Relevando-se essa impressão subjetiva, admitamos: em todo resto o vice-presidente de marketing do SPFW tem toda razão – seu time é pioneiro em quase tudo, e é difícil copiar a eficiência de tal clube. Senão vejamos:

1) O SPFW é o único time brasileiro que foi à falência duas vezes, e na mesma década.

2) O SPFW é o único clube do Brasil que construiu seu patrimônio sem esforço algum: roubou um estádio (o Canindé) do Germânia com a mão de ferro da ditadura, depenou o imóvel, vendeu para a Portuguesa e ganhou de presente do governo biônico de Adhemar de Barros um terreno para a construção de outro estádio. Na construção, como o próprio presidente do clube admite, cimento e areia foram desviados do Estado para ajudar o time da Ditadura a sair do chão.

3) O SPFW é o único time do país que ostenta 6 títulos nacionais vergonhosos:

em 1977 , na final contra o Atlético MG, o volante leonor Chicão pisou na perna do meia Ângelo até quebrá-la, na cara do juíz, no começo do jogo. Antes disso, já haviam conseguido, na calada da noite, a suspensão do ídolo Reinaldo daquela decisão.

em 1986, precisaram operar (e muito) o pobre Guarani, em Campinas, para sairem do Brinco de Ouro com o segundo troféu

em 1991, o título em si não poderia ser disputado pelos extelionatários do futebol, uma vez que o regulamento da CBF determinava que times de segunda divisão (em seus estados) não poderiam participar da primeira divisão do Nacional. O SPFW conseguiu o feito virando a mesa da FPF em 1990, quando o Nazi Club foi RE-BAI-XA-DO. Este é, talvez, o título mais ilegítimo dos cervídeos.

de 2006 a 2008, bem… não vamos nos repetir mais por aqui – basta consultarmos os dossiês da Mídia Palestrina, onde toda farsa bambi e seu esquema de arbitragens camaradas estão devidamente documentados. Madonna que o diga.

Enfim, Casares tem toda razão: tem coisas que só o SPFW faz por você.

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O Gladiador, suspenso da batalha do Parque Antárctica, comemora primeiro gol Alviverde. Danilo Verpa/Folha Imagem

O Gladiador, suspenso da batalha do Parque Antárctica, comemora primeiro gol Alviverde. Danilo Verpa/Folha Imagem

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1) O Parmera:

Já narrei o fato em alguma postagem anterior, e me repito agora: em 1984 o futebol vivenciou uma barbárie no Brasil; uma decisão jurídica sui generis marcaria o Campeonato Paulista daquele ano e marcaria nosso calcio. Porque tratou-se de uma aberração, não um precedente. Mário Sérgio (o Rei do Gatilho, o técnico que nos ajudou hoje no Olímpico) foi o protagonista.

O Verdão, que havia começado com Mário Travaglini uma bela campanha, já emplacara 7 vitórias seguidas. Era apontado como favorito ao título, que encerraria um jejum de 8 anos. Faltava, porém, enfrentar aquela que nos perseguia pela vida – Madame. E ganhar significava afastar quem nos perseguia na tabela, o Rivale.

Na bola, 2 x 1 Verdão. E o jogo encerrou-se em um dos maiores quebra-paus entre jogadores que o país já havia visto. Na época, quem indicava o jogador que deveria fazer o exame antidoping era o médico do clube adversário; no caso do São Paulo, o doutor era Osmar de Oliveira.

Mário Sérgio havia se apresentado ao Palmeiras vindo do clube leonor, onde todos (jogadores, diretores e departamento médico) sabiam de seus amores – os cavalos, a vida noturna e o pôquer…

Seu teste apontou positivo para anfetamina, verdade que o atleta confirmou anos mais tarde. Em sua defesa à época, Orlando Duarte testemunhou na corte que Mário Sérgio tomava a substância somente para se manter acordado na jogatina, não com objetivo de melhorar seu desempenho e sob sua inteira responsabilidade.

Mas esse não é o caso; nem é o caso de reviver o argumento de que as luzes foram apagadas, as amostras trocadas na contra-prova, blá, blá… Nem o D.M. de Madame me incomoda, porque o Santos seria campeão com Chulapa, para minha alegria. O que marcou o episódio foi o fato da pena imposta ao Palmeiras ser inédita, arbitrária, impensável até mesmo nas cabeçinhas dos procuradores de hoje: tiraram os pontos da vitória do Palmeiras. O clube foi punido como se fosse o autor do crime, como se acobertasse e drogasse o habilidoso ponta para tirar proveito em campo dos adversários. Tiraram os pontos da vitória do Palmeiras…

O disco quebrou: tiraram os pontos da vitória do Palmeiras. Inédito. Extinto.

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Nesse ano de 2008, em apenas uma semana, duas definições a gol marcarão novamente a história da nossa grotesca arbitragem.

Por duas vezes, o juíz voltou atrás de sua decisão após uma equipe ter concluído o momento máximo do espetáculo. Por coincidência, ou não, o beneficiado foi o mesmo.

Botafogo x São Paulo: quarta-feira, dia 29, Engenhão. Os visitantes ganhavam por 2 x 1 quando, aos 35m do segundo tempo, o Botafogo empata com um balaço da entrada da área. Após o caga-regras ter sinalizado o gol, seu bandeira o chama e pede a anulação do lance. Alega que o impedimento passivo de um botafoguense (que abriu as pernas para se esquivar do lance) influiu na decisão do goleiro adversário. O arqueiro leonor então peita o juíz, que se encolhe e volta atrás, fato esse tão desmoralizante quanto raro.

(Desculpem, mas cabe um aparte: quem defendeu a legitimidade da decisão do bandeira do Engenhão, na imprença, vai dizer o quê agora, a respeito da posição de Borges no primeiro gol contra o Internacional?)

Pois bem. Domingo, Finados, Vila Belmiro. O Palmeiras vencia os anfitriões até o início do segundo tempo; mas, em um escanteio a favor do peixe, Kléber Pereira se antecipa a Bruno no primeiro pau. Vendo que não iria alcançar a bola, estica o braço para tentar empurrá-la. Bruno, praticamente um estreante na Academia, quer que seu braço alcance antes a pelota: gol do Santos.

Wilson Luíz Seneme não se dirige ao centro do gramado: tendo percebido a artimanha do matador santista, o bandeira sinaliza para o árbitro a irregularidade do lance, e Seneme anula o gol. O que viu-se então foi um massacre: todos os jogadores do Santos cercaram o bandeira, sob os urros da massa enfurecida. Logo, o árbitro vem em seu socorro, tira-lhe o peso dos ombros e toma uma decisão retroativa: agora é gol do Santos.

Pela segunda vez em uma semana os árbitros rasgaram seu livro de normas, seu código de ética e sua pretensa paixão pelo esporte: negaram sua autoridade, rejeitaram sua profissão. A troco do quê, é o que me pergunto agora.

Sabem o saldo da confusão? Luxemburgo, o técnico Alviverde, foi expulso…

Mas cabe aqui outro aparte:

A partir de novembro de 2008 fica instituído que o braço do atacante de linha pode ser usado para se tentar fazer um gol no futebol, desde que ele não alcance a bola. Isso também aconteceu duas vezes em uma semana, quando a regra foi formalmente oficializada no dia de Finados…
Coincidência, ou não, o time prejudicado foi o mesmo.

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2) Tocando no assunto, vamos parar de bobagens?… Luxemburgo não começou a carreira ontem, muito menos fez sua fama por ser ingênuo. Porra, vocês sabem disso, amici! Vamos, pois, encerrar essa falácia de “Luxa x Belluzzo”. Tá na cara que um bate e outro assopra o cu de Madame. E quem assopra é o cara que tem de lidar com a comissão de arbitragem e quer ver seu time bem na fita, cáspita! Se ainda não deu resultados, isso é outra coisa. Mas as duas declarações da semana foram muito bem coordenadas, não tenham dúvidas disso.

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3) Eugenia. E a Mídia Palestrina anda incomodando, I

Esse blog vai adotar esse termo, a partir de hoje, quando abordar seu tema primeiro, o caráter da “sub-raça alienada”… Para dar uma conotação mais ampla, antes que alguém se sinta ofendido, ou entenda que comparo o sofrimento do Palestrino às provações dos campos de concentração nazistas da Segunda Grande Guerra.

É que uma palavra mal colocada pode servir de arma para o inimigo que te espreita. Gente burra e covarde.

O texto que deixo linkado é uma peça de obscuridade e hipocrisia que eu poderia, modéstia à parte, dissecar e destruir sem muito esforço mental ou estilo literário. É uma merda de texto escrito por um são-paulininho que não consegue se esquivar no closet. Cita “uma tal de Mídia Palestrina” para se remeter às origens do termo Clássico do Ódio – e o faz usando o Cruz de Savóia como gancho.

Curioso é que no texto ele acusa nossos avós de serem partidários de Hitler; mas sou eu, o pequeninho, quem tem que se precaver dos sentimentos das minorias…

Façam sua própria leitura e análise, depois a gente conversa:

O Clássico do Ódio

De resto, é Avanti, Palestra! Contra tudo e contra todos, minha esperança renasce!

Eles nunca foram tricampeões. Sempre pararam na gente… Sempre. Fico feliz em ver a tabela.

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Acontece, em certos anos, de o Palmeiras não ter um time muito eficiente. Quando a esse fator se alia uma certa desmoralização da direção do clube, então Madame não vê problemas: vem jogar em nossa casa sem reclamar, combina a estratégia de jogo com o caga-regras e sai de campo com um resultado favorável, sem ter que mexer em “pauzinhos” maiores.

Mas naquele ano a situação era outra… o time de Palestra Itália montara uma esquadra de respeito para o Paulistão, havia uma parceria forte por trás da direção do clube, e a esquadra Verde já havia aplicado um impiedoso 4 x 1 no clube leonor, no interior, na fase classificatória; na ocasião, envolvidos pelo toque de bola do Palmeiras, a esquadra nazista perdera a cabeça diante dos seus súditos, cometendo 3 penalidades máximas em um intervalo de 15, 20 minutos.

Chegava as semifinais do Paulista… O medo Dela era o Palestra conquistar aquele título e ela ver reeditado o pesadelo de uma década atrás, onde a atenção da grande mídia e as negociações em moeda forte se voltaram para o clube do Jardim Suspenso; porque isso obrigaria Madame, novamente, a ter de fazer coisas ridículas na TV, criar factóides em massa para poder permanecer em evidência – coisa que dá trabalho e custa caro. E a semifinal, quiseram os deuses, seria justamente SPFW x Palmeiras, esse com a vantagem de jogar por dois resultados iguais e decidir a vaga em seus domínios.

Madame agiu rápido para evitar que o pior se desse: naquela época (como em todas as outras), ela tinha o poder da caneta, os funcionários públicos de alto escalão no bolso, o ranço autoritário que ainda fazia ditar as regras do jogo. Assim, tratou de acionar seu procurador de estado, pedir-lhe que bradasse contra a realização do segundo jogo no Palestra, por falta de segurança.

Em uma ação coordenada, recebeu em sua sala da presidência os diretores do maior boletim esportivo do estado, numa reunião regada a whiskey e insinuações de altas cifras em moeda estrangeira; enquanto isso, mandou seu coronel ficar de prontidão para atuar no primeiro jogo, que se daria no Privadão da zona sul.

Na semana seguinte, o que se viu foi isso: o coronel ficou na linha de fundo no primeiro jogo, ameaçando a carreira da bandeirinha, uma pobre moça que, mais tarde, se dirigiria aos prantos para o vestiário, dizendo-se pressionada pelo militar que a intimidava dentro de campo para que “atuasse corretamente”. E atuar corretamete significava fazer vistas grossas ao ataque leonor, que anotaria um gol de mão, que ela teve de validar, ainda no primeiro tempo.

Com 50% do objetivo cumprido (reverter a todo custo a vantagem Palestrina para o último embate), era hora de Madame partir para o segundo ato: então, o tal boletim que ela havia pago 15 dias antes, mandou seus fotógrafos às imediações do Palestra para registrarem imagens de caçambas estacionadas ao redor do estádio; o tablóide, por sua vez, “entrevistou” o procurador de estado (esse havia saído do primeiro jogo com vários ‘presentinhos’ do camarote leonor), que afirmou, dando a capa que o boletim precisava: “O Palestra Itália é um barril de pólvora”.

Choveram pedidos à Polícia Militar para que o embate fosse transferido de casa. A polícia concordou. A peça de Madame chegava assim ao seu final glorioso. Chegava?

Assim seria, mas, por um capricho daqueles mesmos deuses da bola, Madame esbarraria dessa vez na paixão clubística da autoridade máxima do estado, o governador. Esse, notoriamente um palmeirense roxo, enquadrou a PM, querendo saber do que se tratava aquela palhaçada: exigiu laudos técnicos que comprovassem o perigo iminente de se promover um clássico no Parque Antarctica, o mesmo palco de tantas decisões no passado. E sem ter como comprovar o inexistente, a PM foi obrigada a voltar atrás, o procurador-de-gaveta teve de ficar quietinho, e decidiu-se que o mandante de direito, o Palmeiras, jogaria em sua casa.

Para piorar a situação Dela, nenhum incidente aconteceu no dia do jogo. Precavido, o governador mandara a PM seguir de perto as duas torcidas, desde seu desembarque nos metrôs da região até a porta do estádio. Sol, paz, cantoria dos dois lados, uma tarde perfeita. E agora?

Bom, agora Madame tinha que jogar bola… Acontece que, na época, o Nazi Club sustentava sob suas metas um poderoso marqueteiro; que embora fosse um arqueiro sabidamente medíocre, rendia manchetes positivas à socialite da bola. Nessa tarde, porém, o goleiro limitado falaria mais alto, e Ela teve que descer para o vestiário, após a primeira etapa, com um tremendo frango entalado na garganta: 1 x 0 para o Palmeiras, vantagem verde recuperada.

Naqueles tempos, os seguranças dos clubes costumavam se precaver de um possível ataque de torcidas organizadas carregando em suas bolsas uma espécie de gás de pimenta, um genérico na verdade, de venda proibida e embalagem pouco segura. O clima na descida ao vestiário foi pesado. Perdendo, sem jogar nada, Madame fugiu pelos corredores internos do Palestra ouvindo o bradar de 30.000 homens verdes, que batiam com a mãos nas placas metálicas fixadas no entorno das arquibancadas (sim, ainda existiam arquibancadas), produzindo um som atemorizante: “Ô bicharada! Ô bicharada!…

Com medo, acuada, a realeza e seu séquito adentraram o vestiário e ali se trancaram. Cobranças de tudo que é lado: seu técnico mal-humorado foi um capítulo a parte; esse, sentindo-se indisposto desde um churrasco devorado às vésperas do clássico, no sábado, estava particularmente irascível com seus comandados. E toda diretoria leonor ali presente, aumentando o teor da cobrança: logo, um segurança tremeu e derrubou no chão uma daquelas embalagens de gás venenoso, em pleno vestiário fechado. Nada que fosse causar grandes danos, pois todos notaram de pronto o ocorrido, e se tocaram para fora dali.

Mas o emo-clube sabe transformar um contratempo em vantagem, esse talvez tenha sido sempre seu maior dom: com um jogo certamente perdido, após a humilhação do frango e a vergonha de ter de retornar ao nosso campo (não em um campo neutro), Madame me sai com essa: seus jogadores abrem a porta do vestiário fingindo estar cegos, sobem ao gramado chorando e se deitam em frente às câmeras de TV, fingindo passar mal.

O técnico, então, procura pela câmera da Globo para vomitar ao vivo o churrasco indigesto, dizendo-se intoxicado. Os diretores da Boutique procuram os microfones para dizer que foram sabotados no intervalo, e estranhamente ninguém procura o médico do clube, ou a ambulância presente no estádio. Era a saída perfeita: explicariam a derrota com um fator “extra-campo”, enquanto aproveitavam para limpar a honra de seus filhotes da ditadura, que tentaram por uma semana remover o mando de campo do Palmeiras.

Tomariam ainda outro gol no segundo tempo, esse memorável, pois o meia palmeirense, autor do gol, mandou o marqueteiro que atuava sob a traves inimigas calar a boca, para todo mundo ver.

E o que era para ser mais um factóide compondo o castelo de mentiras do SPFW não se concretizou: um coronel desavisado, responsável pela segurança do estádio, afirmou às rádios que aquilo não era gás de pimenta.

Vários laudos periciais posteriores comprovaram que o gás só poderia ter sido lançado de dentro do vestiário. E, para fechar com chave de ouro, o técnico de Madame (que alegara não conseguir enxergar durante o segundo tempo, sob o efeito do veneno, e assim não pudera arrumar o time) passou por 3 exames no IML: tanto o primeiro, como a contraprova deninitiva, revelaram não haver nenhuma intoxicação por gás no organismo do sujeito. Uma vergonha que entrou para a história não só como mais uma farsa, mas como outra tentativa de denegrir a imagem do Palestra Itália, como já haviam feito há pouco mais de 60 anos.

Durante os meses que se seguiram (e principalmente às vésperas dos novos clássicos), o boletim que Madame sustentava ainda tentou infringir culpa à torcida verde pelo ocorrido. Mas, com argumentos tão descabidos quanto os do “jogo das caçambas”, a mentira não ganhou fôlego, e Ela tem que ir dormir, até hoje, com mais essa vergonha escondida embaixo do colchão.

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Falar de 1971, ditadura, Leivinha, Armando Marques, mão-de-ferro, Madame, governador biônico… às vezes tudo isso no mesmo caldeirão pode, por assim dizer, encher o saco de quem lê e até de quem escreve. Por conta disso vou reproduzir aqui uma história que contei meses atrás, mas ninguém levou a sério; e assim seja, uma vez que não tenho provas do que ouvi e, como não vivi aquela época, não posso afirmar categoricamente a veracidade do que me foi narrado.

Além do mais, nos dias de hoje, em que convivemos com procuradores sinistros, vigilância na rede e escutas telefônicas, é melhor mesmo apresentar o texto como um “conto fictício”, cuja semelhança com a realidade é mera coicidência:

Enzo (bela alcunha eu criei) é filho de um palestrino romântico e apaixonado. Conheci seu pai. Era daqueles palestrinos fanáticos, propensos a desmanchar uma amizade de 30 anos se alguém aparecesse na sua casa minutos antes do Palmeiras tomar um gol em jogos decisivos. “Veio aqui pra secar, filha da puta!”, ele dizia. E não convidava mais.

Vou chamá-lo de Palestrino mesmo. Esse homem (que completaria esses dias 87 anos) foi conselheiro vitalício do Palmeiras. Um oriundi orgulhoso de sua história, morador do Cambuci toda vida, como eu e meu pai. Entre bebedeiras de pai e filho, contou ele a Enzo muita coisa, que hoje seu filho e meu amigo me transmite, também entre um gole e outro de álcool (com saudades do pai), quando estamos duros e saímos por aí, pendurando cervas pelo Cambuça afora (como hoje, nesse fim de mês).

O último diálogo de família que ele me revelou agora foi esse:

-Você sabe que meu pai e o Armando eram amigos desde a infância, começa Enzo.

-Você já me contou, disse eu.

-É, mas tem coisa que não te contei, porque você é doente…

-Fala.

-Bom… Lá pra 74, 75, ele foi pescar, lá pro Mato Grosso, como fez até não poder mais por conta do pulmão.

-Eu lembro bem, acrescentei entre risos, lembrando das histórias do vecchio.

-Nesse ano foram o Armando e mais alguns. Entre brincadeiras e cachaça em torno da barraca, o cara solta essa pro meu pai: “Vou te contar uma coisa, aqui entre nós, parmerista. Não fica puto, Palestrino!”

No. Conta, Armandinho, você é famiglia, ê?

-Bom… Você lembra daquele jogo, aquele ano? Aquele em que eu fiquei uma semana sem responder teus telefonemas?

-Sei, safado cego!

-Não sou cego, Palestrino! Te disse que não podia com pressão aqueles dias… e você é muito amigo, fiz o que era certo fazer.

Sfoga, Armandinho!

-Bom, eu tenho aquela relação com o Manuel, você sabe. Ele me ligou em casa dois dias antes daquele jogo.

-Eu sabia, Armando… Num conta que é melhor, meu velho: amanhã se arrepende…

-Tem mais cachaça?

-Muita.

-Então cala essa boca velha que amanhã eu já esqueci tudo!

-Eu não.

-Te fode, parmerista! Deixa eu por pra fora!

-Pra me dar una sincope, caraio?!

-Escuta: eu tinha acabado de almoçar, toca o telefone, eu tô lá na poltrona quieto, sozinho, e atendo. “Como vai, Armando?”

“-Bem, meu velho. Mas você sabe que não devia me ligar esses dias. O que foi?”, disse.

-“É… mas a gente se conhece… e as coisas aqui estão tensas, não tinha pra quem ligar…”, responde Manuel.

“-Tensas… vocês estão na final, Manuel!”

“-É, tem outras coisas, sempre. E nesses tempos… você sabe. Essa semana não foi fácil, entrou 100 mil réis que preciso por para dormir mas, fazer caixa dois, agora… Além disso tem uma Mercedes atrás do estádio, na rua! Imagina, não posso colocar em nome do clube, né?”

Então Enzo interrompe a narrativa para explicar que Armando respondeu essa rindo:

“-Sr. Manuel, sr. Manuel… vocês governam esse trem, diretor!

“-O Homem? Por esse dias, só por telefone… e sugeriu que eu te ligasse pra resolver isso.

“-Eu?!”

“-…”

“-O que eu entendo disso, Sr. Manuel?”

“-Não sei. Só sei que eles não podem ser campeões em cima da gente de jeito nenhum!”

Oito, nove dias depois, Manuel entregava pessoalmente cem contos para Armando. A Mercedes ele vendeu logo, fez questão de frisar para o amigo Palestrino, naquela noite no mato: “fui esperto”.

Um dos erros mais grosseiros de arbitragem em uma decisão de campeonato no Brasil havia sido cometido há pouco mais de uma semana. O Homem, estava no banco assistindo.

Palestrino, que por muito menos desfez amizades sólidas, perdoou o amigo (que esqueceu-se da conversa, de fato).

Tudo isso me contou Enzo hoje, antes que eu socasse o balcão várias vezes e ele mandasse pendurar as nove cervas. Mas, para todos os efeitos, é tudo estória: repito, qualquer semelhança com qualquer realidade é mera coicidência, como diria a grobo.


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De concreto, amici, deixo abaixo o belo exemplo apresentado pelo Coisa Verde, resumindo em 59 segundos a diferença de tratamento que o Palmeiras e Madame recebem da arbitragem quando se apresenta uma decisão.

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