Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Blog do meu Saco’

.

replay1

Texto publicado em 16/08, ainda na primeira faze do Brasileiro, na época em que a venda do meia Valdívia foi concretizada. Ali, boa parte da torcida apoiava a negociação, sob o argumento de que o craque não rendia e não queria mais ficar.

.

Rodando a Mídia Verde hoje encontrei essa citação estúpida no Blog do Meu Saco, dentro de um excelente texto sobre Valdívia:

.

“Vamos combinar uma coisa. Qual a partida decidida por Valdivia no Campeonato Brasileiro? Ou mais: quantas partidas Valdivia decidiu neste ano? Você há de se lembrar do jogo contra a Ponte Preta, do título paulista e…

Não vender Valdivia agora é correr o risco de ter o jogador no clube por muito mais tempo do que ele estará disposto a jogar no Palestra Itália.

O time que busca derrubar o Grêmio – missão ingrata – e tentar a taça que não é sua há catorze anos já está pronto. Na quinta-feira passada, contra o Vitória, a escalação do segundo turno esteve em campo e brilho, embora com Valdivia na vaga que será de Kleber.”

.

Não vou nem comentar a incoerência exposta no último parágrafo, fruto da diarréia mental de quem se acha tão bom a ponto de não reler o que escreve antes de publicar. O texto é de PVC. E, como você lê lá no blog citado, a verdade é essa: colunistas de respeito, ou mesmo gente que já demonstrou simpatia pelo Palmeiras, dentro da imprensa paga, se convenceu muito cedo que Valdívia não era assim tão bom. Que Valdívia não era assim tão importante, nem decisivo. E, publicando esse tipo de opinião sem pé nem cabeça (no time ideal de PVC, Valdívia jogou no lugar de Kléber…) deu-se a essa diretoria o aval que precisava para se livrar de El Mago o mais rápido possível. Por dinheiro de pinga.

O que me assombra é o número de palmeirenses que passaram a concordar com essa tese ingrata: “O Valdívia não decide jogo”. E o que me revolta é minha memória, que não se apaga: porque me lembro bem que quem plantou essa idéia e divulgou com ar de despeito em tudo que é microfone foi aquele anão punheteiro do outro lado do muro.

O que me entristece é ver tanta gente boa comprando a idéia do Cunha.

Anúncios

Read Full Post »

.

Vamos lá, por André Falavigna:

Minha história:
Muito se diz acerca do fato do São Paulo jamais ter perdido finais para times de menor expressão, como o Palmeiras o fez, por exemplo, contra o Guarani. Também, pudera. Quando o Palmeiras enfrentou o Guarani, em 1978, Arnaldo César Coelho teve olhos-de-lince para punir Leão com um cartão vermelho e anotar penal a favor do Guarani, desconsiderando o fato óbvio de que, para Leão agredir Careca, seria necessário ao atacante colocar-se ao alcance do goleiro e, portanto, em posição irregular. Portanto, ainda que tenha havido agressão é preciso que tenha havido, ainda, irregularidade anterior – necessária, inclusive, à anotação da irregularidade posterior. C’est la vie, como diria Capitão Kirk.
Agora, vejam o que ocorreu em 1986, quando o placar contava 1 a 1 e já corria o segundo tempo do segundo jogo. Sei não, mas com árbitros assim não parece ser muito difícil manter Golias invicto contra David. Não acreditem em mim. Acreditem no que vocês vão ver agora.

Read Full Post »

.

* Bom dia, Palestra! Após quase 2 meses de molho, este blogueiro sairá de casa hoje para realizar um freela, porque dinheiro não cai do céu… Não estranhem, portanto, a ausência de postagens durante o decorrer do dia. A noite voltaremos com tudo, antes ou depois de desancarmos o Àncash…

* Sobre o título do post: a coisa anda mais estranha e imoral do que de costume pelas redações da imprença. Quem acha que não, visite o Blog do meu Saco e tire suas conclusões.

* Quando falávamos aqui por esses blogs verdes, há alguns meses atrás, de uma “agenda” coordenada pela imprença para inflar a candidatura do Morumbi-2014, não estávamos exagerando. Sei, vão dizer que é paranóia, afinal de contas o estádio já estava escolhido e nós é quem estamos forçando a barra. Mas a verdade não é bem assim, analise:

a) A diretoria leonor tratou de procurar todos os principais candidatos a prefeito para ver se garante alguma verba pública ou obra viária que beneficie seu ponto diretamente, porque sabe que o estádio tem uma infra-estrutura deficitária no que tange satisfazer os padrões da FIFA para poder receber um jogo de Copa; seja por conta da falta de conforto do estádio, pela falta de transporte público para se chegar ali ou ainda pela ausência total de lugares para os torcedores estacionarem seus automóveis com segurança.

b) Os agentes FIFA já vieram a público declarar que o estádio é obsoleto e que não há garantias de que a “disputa” já acabou, ou que nem tenha começado, como querem os jornais.

c) O SPFW teve negado o apoio do único poder público vigente no estado, o do governador, e agora não tem espaço (ou verba) para construir o estacionamento que lhe falta, exigência da qual a entidade máxima do futebol não abrirá mão.

d) Há a expectativa, mais do que concreta, de que haverá ao menos um estádio de 1º mundo pronto em SP, antes mesmo que os leonores consigam angariar recursos suficientes para reconstruir aquele paquiderme.

Voltando à paranóia: ainda que ela exista, ainda que seja um exagero nosso acreditar que há uma campanha da mídia que favoreça a candidatura de seu querido time, leia comigo essa matéria do UOL, publicada ontem (obrigado ao Sandro, caro leitor que nos alerta para o texto):

Com Morumbi “86% pronto”, São Paulo rechaça briga por abertura

Guilherme Costa
No Rio de Janeiro

“Nem o projeto de uma reforma completa no estádio Mané Garrincha, nem a força política de Belo Horizonte. Baseada na importância que a cidade possui nos contextos político e econômico, além de uma necessidade pequena de intervenções no Morumbi, a delegação de São Paulo rechaça uma briga pelo direito de sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014, que acontecerá no Brasil.
‘Nós não conseguimos imaginar que a abertura não seja em São Paulo. Trata-se de uma cidade do mundo, com uma repercussão internacional muito importante. A estrutura esportiva não está bem no Brasil inteiro, mas a Copa provocará uma ventania e mudará muitas coisas. E quanto a isso, nós partimos de um ponto interessante’, analisou Walter Feldman, secretário de Esportes, Lazer e Recreação da capital paulista.’ “

Bom, que Walter Feldman bate cartão na Boutique a gente já sabe – ele tem aparecido bastante nesses últimos dias com declarações pró-SPFW, disfarçadas sempre de declarações pró-São Paulo (o estado). Mas note duas coisas aí: a matéria sai na mesma semana em que a FIFA abriu os olhos para Brasília e Belo Horizonte como possíveis sedes de abertura da Copa do Mundo, em detrimento ao nosso estado, seja por conta da estrutura dos estádios ou da força política exercida por essas capitais. E mais, o texto quer deixar claro que somente o Morumbi pode sediar jogos da Copa no estado (não se trata mais aqui da abertura), pois necessita apenas de “pequenas intervenções” (não precisa ser erguido, não é isso?…)

É o que me confunde… porque aquele clube vendeu à sua torcida um projeto de R$ 200.000.000 de reais, no mínimo, que vocês podem ver aqui. E depois de verem, digam-me se o estádio já está 86% (que número é esse?) pronto, como prega o assessor de imprensa e resquício de arquiteto, o sr. Rui Ohtake. Mas não vamos julgar o repórter antes de terminar a matéria, não é mesmo? Afinal de contas, só transcrevi até aqui a introdução, com declarações de apenas uma das partes interessadas; mas agora deve vir a apuração dessas afirmativas, o trabalho investigativo e a consequente análise crítica de quem escreve o texto. Caso contrário não seria matéria de jornal, seria release de assessoria de imprensa… Vamos lá:

Belo Horizonte, Brasília e São Paulo travam uma disputa política pelo direito de sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014. Diferentemente de seus concorrentes, a capital paulista não fala em obras contundentes no Morumbi, estádio escolhido para sua candidatura. Em vez disso, prefere enaltecer o atual momento do local.

‘Fizemos uma análise sobre como o Morumbi está e como precisa ficar. Para cumprirmos o caderno de encargos da Fifa, estamos com 86% dos itens prontos. Os 14% que faltam são referentes a setores de imprensa, setores VIPs e algumas adequações no interior’, argumentou Ruy Ohtake, arquiteto responsável pelo projeto de mudanças no estádio paulistano. A obra no Morumbi será realizada paulatinamente, sem a necessidade de fechamento do estádio. O custo do projeto ainda não foi anunciado oficialmente, mas especula-se que o estádio consuma entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões da iniciativa privada.

‘Tanto o [governador José] Serra quanto o [prefeito Gilberto] Kassab vetaram qualquer tipo de dispêndio de verbas públicas com a reforma do Morumbi. Trata-se de um estádio privado, e o São Paulo vai conseguir dinheiro para adequá-lo a partir de parcerias com a iniciativa privada. Temos convicção de que o local estará pronto e ajustado a todas as coisas que a Fifa pedir para a Copa do Mundo’, ponderou Feldman.

Além dos pontos que integram o caderno de encargos da Fifa, o São Paulo planeja uma cobertura para as arquibancadas do Morumbi. Uma estrutura metálica será instalada na parte externa do estádio, e sustentará um tecido que impedirá a passagem do sol, mas não da claridade. ‘Nem havia a necessidade de se fazer isso, mas a diretoria do São Paulo achou importante para modernizar o estádio. Montaremos toda a estrutura fora dali, e faremos apenas a instalação no Morumbi. A obra vai ser feita entre dezembro de 2011 e janeiro de 2012, quando o estádio estiver fechado para as férias’, explicou Ohtake.”

Quem não teve ânimo para ler por inteiro, não se preocupe: ninguém tem. Quando você pega algum folheto distribuido na rua, ou um folder na sua caixa de correio, ressaltando tão somente as qualidades de uma empresa – você lê tudo aquilo, ou já prevê no primeiro parágrafo que o texto será “uma maravilha” até o final, portanto vai gastar seu tempo com outros afazeres?

Bem, a menos que você precise do serviço que estão tentando te vender, a segunda opção será a mais lógica. De novo:

a) Repare que a disputa é tão somente “política” segundo o UOL, precaução adotada pelo veículo para que não se fomente contestações sobre as verdadeiras condições estruturais que o estádio apresenta; ao contrário, vamos “enaltecer o atual momento do local”, seja lá o que isso que dizer…

b) O que seriam “algumas adequações no interior“, ninguém sabe, pois ninguém perguntou ao arquiteto. Pode ser um banheiro aqui, outro ali – como pode ser a reforma geral de todos os anéis, visando a diminuição de inúmeros pontos cegos que o Morumbi apresenta, ou visando ainda minimizar a falta de conforto daquele centro de entretenimento. E há uma diferença enorme (financeiramente, inclusive) entre uma coisa e outra…

c) O texto grifa o falso orgulho leonor de que “aquilo é um estádio privado e receberá dinheiro privado” – mas não atenta para a frase de Feldman, que se trai, dizendo: “Tanto Serra quanto Kassab vetaram qualquer tipo de dispêndio de verbas públicas com a reforma do Morumbi. Ora, jornalista… se vetaram, vetaram um pedido. Porque eles pediram. E queriam mesmo é dinheiro do governo, mas parece que isso não é digno de nota…

d) Ninguém perguntou para Ruy Ohtake, ou para o secretário (ou para algum diretor) de onde virá tanto dinheiro: não há contestação – o SPFW disse que vai conseguir, e ponto. Nem o eufemismo para a falta de verbas que aflige a elite da Zona Sul, a tal da “obra que será realizada paulatinamente”, suscitou desconfiança no repórter ou no editor. Pelo contrário, alguém afirmou isso ao escriba, com essas palavras, e ele transcreveu.

e) Finalmente, o mais grave: só o São Paulo fala na matéria… lendo-a, você só encontrará os dados que o clube quer passar, o orçamento e o prazo nos quais o clube quer fazer acreditar seu torcedor, somente a imagem de lisura institucional e controle da situação que o clube quer vender…

Nada ou ninguém para fazer um contraponto. Assim não dá! Todo santo dia ter que começar assim: fica difícil falar de futebol por aqui, não fica? Porque não é coisa esporádica, é uma dessa por hora na imprença e todos os veículos se transmutaram numa assessoria voraz dessa turma.

Adoraria pensar só no Verdão, que encara hoje o Àncash e está na ponta do Brasileiro – mas seria negligência com quem nos visita deixar passar isso em branco. Não é questão de perseguir ninguém ou se fazer de vítima. Apenas queria poder comprar um jornal e ver uma matéria decente tratando de futebol, mas em São Paulo (ou no RJ, caso desse texto), parece coisa impossível.

A noite retomaremos essa (ou outra) conversa. Abraços, amici!

.

Read Full Post »

.

Amici, hoje é dia de San Gennaro, o mais Palestrino de todos os santos! Não poderia deixar passar essa data sem fazer as honras a esse ícone tão representativo da nossa cultura, mas já gastei o verbo por esses dias – e quero presentear-lhes com um texto para lá de consistente que nem todos leram, do meu irmão André, pois que foi postado em espaço restrito para assinantes.

Não conseguiria eu escrever nada que fosse tão pertinente a essa data, muito embora a crônica que deixo abaixo seja de 27/08, um dia após a fundação do nostro Palestra. Um presente para os leitores e amigos desse blog.

NÓS, O PALMEIRAS
Os senhores vão me dar licença, mas jamais crônicas minhas haviam sido publicadas, neste Literário, numa data tão próxima ao dia em que a Sociedade Esportiva Palmeiras comemora seu aniversário. Portanto, desta feita, não vou encontrar meios de escapar de certas obrigações. Explico-me. Corre agora meu terceiro agosto ocupando este espaço. Nas ocasiões anteriores, foi diferente. Tive tempo suficiente, entre a tarefa de escrever e a referida data, para contornar qualquer sentimento – seja de obrigação da minha parte, seja de expectativa dos outros, os que me lêem – que me impusesse a missão de tocar em assunto tão perigoso. Entretanto, como preparo com um dia de antecedência (ou ao menos deveria fazê-lo, afinal) essas crônicas com as quais lhes amolo, o ano da graça de 2008 reservou-me a tarefa de elaborar esta justamente em 26 de agosto – dia em que o Palmeiras completa 94 anos, donde não estou conseguindo pensar em mais nada a não ser em tambores rufando, sinos repicando, incenso, Honra e Glória. Não sei se foi sorte, não sei se foi azar. Talvez tenha sido sorte, porque dentre os maiores deleites que há nesta vida está o de discorrer sobre o objeto do nosso amor. Mas receio que talvez tenha sido azar, porque não costumo sair-me bem nesse tipo de aventura – como direi? – menos debochada. Vejamos.

Sei que já disse, antes, muito do que penso sobre o futebol, sobre seus principais clubes, sobre as torcidas dessas agremiações. Portanto, não vou maçar ninguém com assuntos ou piadas velhas, por melhores que sejam. Apenas, parece-me que é o caso de lembrar-lhes daquela minha opinião segundo a qual nossos times de coração não são outra coisa que não nossas pequenas pátrias. Porque, de muitas maneiras e sob diversos ângulos, o Palmeiras, para mim, é um lar, e a cada vez que vejo aqueles homens – quaisquer que sejam, onde quer que seja – entrando em campo enfiados no fardamento esmeralda, então é como se eu voltasse para casa. Para a minha casa. Para a casa do meu pai, para ficar ao lado dos meus irmãos.

Conheci muitos sujeitos, muito sensatos e os quais respeito muitíssimo, incapazes de compreender por que times de futebol são tantas vezes tratados como se fossem algo além do que são – times de futebol, nada mais do que times de futebol. Gostaria de enriquecer-lhes o espírito esclarecendo dois ou três pontos de fundamental importância. Compreendo que o Palmeiras não é, literalmente ao menos, minha família, e que aqueles que são literalmente minha família me são mais valiosos do que o Palmeiras; mas não posso deixar de acrescentar, complementarmente, que, por outro lado, uma família minha sem o Palmeiras poderia ser algo muito digno de devoção, mas ainda assim seria outra coisa totalmente diferente desta família na qual cresci e que farei crescer; e que, portanto, o que os senhores pedem quando me pedem menos arrebatamento ou grandiloqüência ao referir-me ao Palmeiras parece-me antes sugestão para que eu invente, do nada, uma família desconhecida e obviamente inexistente, para somente depois, tarde demais até, soar como algo vagamente assemelhado a um chamamento à sensatez e à racionalidade.

Não há um único dia em minha vida em que eu não me lembre do Palmeiras. Quando acordo, a primeira coisa que me ocorre é que Deus é bom e perfeito e me permitiu acordar de novo, e de novo, e outra vez – o que, diante de minha dieta, acresce de ares milagrosos a já fantástica rotina do Universo. A segunda é que Deus é bom e que me permite, de maneira não menos milagrosa, acordar ao lado de uma mulher talhada para o meu talhe e, de quebra, estupendamente cheirosa – e isso todos os dias, abençoados. A terceira, consecutiva e célere, desde que me conheço por gente é:

– O Palmeiras joga hoje?

E só depois me lembro de que o mundo tem manteiga, frutas, ovos, leite e pão, que a água encanada e a eletricidade já chegaram ao Cambuci Profundo, especialmente para esquentar meu banho, e que quase nada conhecido valeria o prazer de mijar grosso e barulhento na manhã do dia novo.

Há fatores curiosos nessa relação. Quanto pior for a situação do time, menos chances há de minha atenção desviar-se, dentre outras coisas porque se há algo que caracteriza essa afeição é que não há a menor necessidade de explicá-la por inteiro – daquele modo como se explicam tão bem tanto as vacinas como os genocídios. Assim, munido de motivos muito racionais, mas nem por isso articuláveis em sua plenitude, posso amar o Palmeiras não porque ele é campeão, rico, belo ou grande, mas sim fazê-lo grande, belo, rico e campeão porque o amo – o que é muito mais bonito de se fazer, além de um jeito muito melhor de se tocar a vida.

A memória de que sou palmeirense caminha ao meu lado o tempo inteiro; não ativa, histérica e patológica, mas como a certeza silenciosa e tranqüila de que amo viver, de que sou casado, de que não devo roubar, mentir ou desejar o mal. A memória de que sou palmeirense permeia algumas de minhas melhores memórias; o sol esplendoroso do Palestra lotado ou o pomar dum sítio que não vou ver mais, a pizza na Turiassú ou a chuva nas minhas costas durante a peleja perdida no verão remoto, os grandes natais que ainda promoverei, o filho que ainda vou ter, meus mortos que ainda vou enterrar – todos tão meus como o Palmeiras.

Em breve – coisa de dias – o Palmeiras jogará de novo. Horas antes, exatamente como muitos e muitos muito antes de mim, vou fazer soar o som atômico no meu rádio. Cada minuto dessa nova transmissão será mais um passo do ritual ancestral e sagrado que me lembra de quem eu sou, de onde eu vim, de onde vieram os meus. Assombroso, o aviso de sempre soará mais outra vez, grave e poderoso como as terríveis profecias do deserto: aqui somos nós, os moços e velhos que, fugindo da fome, da guerra e da morte, viemos a esta terra estranha, agora tua também, juntar nossos braços às forças que ergueram o colosso onde tu moras e de onde tiras o sustento de tua família. Aqui somos nós, aqueles que partilham contigo o gosto pelo barulho, pela música e pela dança estridente, pelo drama e pelo exagero, pelo abismo e pela ressurreição. Nós, que amamos a vitória e que não nos envergonhamos dela, e que por amor a ela e às festas, ao brilho e à música criamos essa força, esse símbolo no qual tu deves te apoiar para não te esqueceres de quem és – nem do que em ti é mau, nem do que em ti é bom. Nós somos o passado e somos tu, somos teu pai e seremos teu filho.

Aqui somos nós, ainda de novo.

Nós, o Palmeiras.
.

Read Full Post »

.

Saudades, amigos. E quantas saudades!… Antes de mais nada, queria agradecer a todos que manifestaram sua solidariedade comigo nessa página, no Forza-Palestra e no Blog do Meu Saco. É bom saber que tenho nesse Mundo Verde amigos sinceros, ainda que distantes, ainda que eu não conheça a maioria de vocês pessoalmente. Foram muitas mensagens verdadeiras de apoio e não tenho como agradecer um por um aqui – mas posso convidar a todos para tomar umas cervejas e comer uns petiscos no glorioso e imortal Cambuci, e assim retribuir todo esse carinho com umas boas risadas, numa bela tarde de sábado, o que acham? Se toparem, por favor, me avisem!

Estou dopadão e por fora do mundo ainda, não sei se poderia escrever algo relevante e não me sinto capaz agora de colaborar com essa Mídia que tanto prezo; portanto, vamos voltando aos poucos às coisas do Palestra. Um pouco de paciência é o que peço aos leitores e amigos; como informou meu irmão, fui acometido por uma catapora (!) extremamente agressiva. Parece engraçado, mas esse vírus não vem para brincar quando atinge um organismo adulto: comprometeu-me o esôfago e atingiu meus pulmões, causando uma inflamação persistente que ainda me deixa muito cansado. Sem contar o “efeito Lúcio Mauro” que remodelou meu rosto, provavelmente em definitivo, já que às lesões da pele associou-se uma tremenda infecção bacteriana.

Mas… dos males o menor; com a graça de Deus estamos aqui. Minhas filhas continuam lindas, assim como minha esposa – e o resto é merda. E amigos como vocês me mostraram que vale a pena construir essa página dia a dia, conversar, discutir, discordar enquanto vibramos juntos pelo Alviverde.

Obrigado de novo, amici, por todo carinho. De coração. A partir de amanhã prometo atualizar as seções desse blog, o bolão, os links e as recomendações. Quanto a novos posts, como já disse, me sinto sem competência e não prometo nada (assim como o Palmeiras). Abraços a todos!

.

Read Full Post »

Rodando a Mídia Verde hoje encontrei essa citação no Blog do Meu Saco, dentro de um excelente texto sobre Valdívia:

.

“Vamos combinar uma coisa. Qual a partida decidida por Valdivia no Campeonato Brasileiro? Ou mais: quantas partidas Valdivia decidiu neste ano? Você há de se lembrar do jogo contra a Ponte Preta, do título paulista e…

Não vender Valdivia agora é correr o risco de ter o jogador no clube por muito mais tempo do que ele estará disposto a jogar no Palestra Itália.

O time que busca derrubar o Grêmio – missão ingrata – e tentar a taça que não é sua há catorze anos já está pronto. Na quinta-feira passada, contra o Vitória, a escalação do segundo turno esteve em campo e brilho, embora com Valdivia na vaga que será de Kleber.”

.

Não vou nem comentar a incoerência exposta no último parágrafo, fruto da diarréia mental de quem se acha tão bom a ponto de não reler o que escreve antes de publicar. O texto é de PVC. E, como você lê lá no blog citado, a verdade é essa: colunistas de respeito, ou mesmo gente que já demonstrou simpatia pelo Palmeiras, dentro da imprensa paga, se convenceu muito cedo que Valdívia não era assim tão bom. Que Valdívia não era assim tão importante, nem decisivo. E, publicando esse tipo de opinião sem pé nem cabeça (no time ideal de PVC, Valdívia jogou no lugar de Kléber…) deu-se a essa diretoria o aval que precisava para se livrar de El Mago o mais rápido possível. Por dinheiro de pinga.

O que me assombra é o número de palmeirenses que passaram a concordar com essa tese ingrata: “O Valdívia não decide jogo”. E o que me revolta é minha memória, que não se apaga: porque me lembro bem que quem plantou essa idéia e divulgou com ar de despeito em tudo que é microfone foi aquele anão punheteiro do outro lado do muro.

O que me entristece é ver tanta gente boa comprando a idéia do Cunha.

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: