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Posts Tagged ‘Fluminense’

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Seguindo em frente, pois, com algumas notinhas colhidas pela rede – só para esquentar os tamborins.

* O Al-Ain perdeu por 2 a 1 para o Al-Nasr e ficou 7 pontos atrás do líder, causando a revolta geral da torcida: eles acham que o time é totalmente dependente de Valdívia (que ficou 2 semanas lesionado e voltou sem jogar bem), e que é melhor vendê-lo do que assistir o resto do time fazendo corpo-mole, esperando el Mago resolver…

** Dia 28 teremos de ir ao puteiro obsoleto sem Pablo Armero: o lateral colombiano foi convocado para atuar em sua seleção contra Bolívia e Venezuela (28 e 31 de março), por jogos válidos pelas eliminatórias da Copa.

* Ontem parabenizei os que conseguiram chegar ao Palestra Italia para apoiar o Verdão contra o Norusca: a chuva deixou o trânsito inviável em sampa, e foi um ato de abnegação total enfrentar a selva urbana e a queda de temperatura para comparecer na arquibancada. O que eu não sabia é que até o Verdão ficou sem ônibus, e o time todo teve de chegar ao Palestra de táxi: segundo informações oficiais, ao menos 10 ‘Jarbas’ foram acionados para driblar os congestionamentos e entregar o time em Casa a tempo da batalha.

* Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Bahia têm compromisso com a história no dia 24. Leiam aqui.

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1) Madame e sua caixinha de Pandora

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Nada pode soar mais artificial no domingo de um torcedor paulistano: de manhã, vou a pé ao parque com minhas filhas e me deparo com dezenas de uniformes do stablishment, todas cobrindo os corpos de alguns alienígenas do mundo da bola. Aquele bigodinho do Habib’s infestou a pista de cooper feito margaridas nos canteiros da pista. Era uma gente celebrando o sucesso, não a vitória.

Que torcida imensa! – diria a si mesmo um turista desavisado. Mas sabemos que boa parte dessa gente, quando se vê obrigada a falar em futebol, passa 8, 9 meses por ano dizendo frases desse naipe:

“Em Perrnambuco, mesmo, eu sou Ixpót, mas aqui torço é pro São Paulo. Em Minas eu gostava do Cruzeiro!”

“Não sei porque esse exagero doentio. Se meu time ganhar ou perder, quem vai pagar minhas contas na segunda?”

“Eu não acompanho muito, mas sou são-paulina.”

“Eu tô nu pé pimálio e todu mundo toçe pu São Paulo.”

“Eu não perco meu sono com futebol, rapaz!”

“Eu não ligo pra futebol, mas meu namorado é são-paulino.”

“Ele também nunca foi no campo.”

E por aí vai…

Volto a esse assunto, porque é preciso diferenciar um torcedor disso. Eu repito: eles não vestem essa camisa por amor ao clube, ou pelo orgulho de sua história: aquilo não é uma manto, é uma metáfora. O que eles vestem é a forja do sucesso que queriam conquistar, porque, em sua mente, o sucesso é o que vale nesse mundo – e deve ser perseguido a qualquer preço.

Sair com essa camisa na rua, somente agora, é reafirmar sua diferença, sua suposta superioridade perante os outros. É declarar seu apoio à cartilha elitista daqueles que pensam que o Brasil não precisa de quem produz, muito menos de quem o construiu. Eles são modernos, são melhores, eles se bastam. Tudo se consegue com força de vontade, e quem não alcança seus objetivos é somente um pobre de espírito. Que se lamenta, reclama da arbitragem, tem inveja de seu sucesso…

É o time da auto-ajuda. Assim como quem gosta de ler não compra esse tipo de livro, quem gosta de bola não torce para esse time.

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2) Acabou a vergonha, acabou!

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Então não teve pênalti a favor do Verdão, nem a favor do Fluminense? Na rodada anterior, o Flamengo, visitante, deu o azar de pegar um árbitro exemplar. Claro, na casa das marias. E nos descontos: Simon teve a mesma precisão milimétrica do bandeira que corria pelas laterais do Jardim Suspenso, contra Madame. Este, com seu talento raro e notável imparcialidade, conseguiu distinguir, em uma fração de segundos, os 5 centímetros que não ultrapassaram a linha da Borboleta, naquela cabeçada de Alex.

Queria ver o Simon não dando esse penal no Maraca, aos 47 do 2º, com 2 x 3 no placar… Porque acertar, na confortável condição em que acertou, é só obrigação. Colhão, é outra coisa.

Enquanto se dá tudo isso, só Ela cavalga incólume, em seu cavalo branco de parada. Nenhum mal toca sua armadura. Nenhum bandeirinha tem olho clínico para as mãos do imperador. Nem para o braço de Washington, contra o Palmeiras. Mas, se ele sofrer um pênalti no Privadão, esquece. É impressionante como um disfarçe simples, que seja, não se faz mais necessário: simplesmente arrancam os pontos que precisam, com desdém pelo esporte que praticam. E isso só pode ser fruto do emburrecimento do público que, como bem nos explica o Ademir, corre o risco de se transformar de torcedor em consumidor, em poucos anos. Não há mais paixão, só restou o cinismo do pensamento eugênico.

Contratempos? Só uma vez, na 1ª rodada, contra aqueles chorões do sul. Foram 3 pontos. 3 pontos.

Sei que não há justiça no futebol, mas se Deus ligar a TV domingo, quem sabe…

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3) Confete x Crise:

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Uma ediçãozinha especial… Porque o Verdón saiu da disputa, mas a imprença ainda tem um troféu a ser conquistado, com muitas bolinhas para lamber:

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“A festa do hexa fica para a última rodada… “

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Dirigente do Grêmio diz que incentivo para o Goiás pode ser válido

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André Dias reclama de ‘mala branca’. Ceni ironiza.

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Procurador do STJD diz que punirá mala branca

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Marco Aurélio: “O Hernanes é o Kaká que joga no Brasil”

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Conselheiro gremista é preso por tiroteio

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Fluminense aposta que São Paulo será campeão

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Dirigentes do Internacional reagem à provocação de diretor gremista

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Sim. Uma coisa que posso dizer de boca cheia a respeito desse blogue (pois todos os leitores irão concordar) é que não estou aqui para fazer média.

Já falei muita merda, é verdade, sou o primeiro a reconhecer. Mas não vou deixar de emitir minha opinião sobre o Palmeiras quando algo me incomodar, não importa quem eu desagrade. Não aqui, não nesse espaço.

Feita essa introdução onanista, quero deixar registrado: o que vi acontecer ao longo dessa semana com o Verdão é inédito para mim. Nunca vi algo parecido atingir nenhum time de futebol, e sei que vai demorar para aparecer um exemplo similar.

Em dias alternados, a diretoria, o técnico e goleiro abandonaram a torcida, que ficou gritando “Porco” à beira do precipício onde acaba o mundo.

Vamos começar por cima, por aquela gente que passou os últimos meses se vangloriando de ter ganho mais recursos no STJD do que os outros clubes, como se o Brasileirão tivesse uma tabela paralela ranqueando a competência e soberba dos advogados de cada clube. Porque, quando chegou a hora do “pega-pra-capar“, essa mesma esquadra, que entra em campo de paletó e gravata, negou fogo. Foram pegos de surpresa com a suspensão de Diego, ao contrário do Grêmio quando foi punido (diga-se de passagem, com mais severidade).

Tudo por conta dessa vaidade que gerou a falsa certeza que ninguém atingiria o Palmeiras… E porque não são palmeirenses (trata-se de gente que ganha por hora), foram incapazes de associar os fatos; não puderam perceber que não aconteceu por acaso aquela expulsão de Diego, em outra partida decisiva, há pouco tempo, aos 6 minutos de jogo.

Quanto ao técnico que orienta nossa esquadra, vou me abster de emitir outra nota, por enquanto. Porque tenho certeza que ninguém, nesse espaço Verde, atacou Madureira de forma tão virulenta como eu, há pouco tempo atrás, antes do jogo de volta contra a ridícula Lusa. É que àquela altura ninguém deu bola, mas não vou me repetir.

Hoje quero mesmo é falar de Marcos, o Santo de todos nós. Também sei, antes de mais nada, que ele representa a paixão cega dessa torcida e é o maior ídolo que o Palmeiras viu nascer nos últimos 35 anos. Muito mais ídolo que Edmundo, a quem amo incondicionalmente.

Mais que isso: Marcos, em forma, foi o maior goleiro de seu tempo, em toda a esfera da bola. E, se levarmos em conta os progressos da preparação física que mudou o calcio nas últimas décadas, posso dizer, sem medo de vomitar aqui um exagero, que Marcos foi o melhor arqueiro do mundo de todos os tempos. Quem viu, viu.

Por saber disso e um pouco mais, sempre relevei as falhas de Marcos, até porque, foram raras. Contra os ingleses, por exemplo: quem precisa ganhar um jogo na neve, de manhã, valendo um jipe toyota, depois de eliminar o Corinthians de duas Libertadores?

Só as bonecas, que precisam se vender na vitrine, nós não… Por isso, dane-se! Não quero saber se ele falhou em um amistoso no Japão… Nem quero saber se ele chutou o balde naquele jogo em que tomamos 7 gols em 2003, porque ali a razão estava com ele.

Mas, de novo, não estou aqui para fazer média. E tenho um nojo visceral de quem tenta sempre agradar a maioria.

Quando Marcão falhou contra o Flu, eu o defendi. Achei que a arbitragem foi tendenciosa, e que o braço de Washington confundiu os reflexos de nosso arqueiro. Mas, para minha surpresa, vi o Santo sair de campo acusando o golpe. Em uma entrevista descabida, atirou a responsabilidade sobre todos os seus companheiros – e desviou a atenção da mídia, que mal falou daquele primeiro gol no Maracanã, a não ser pela polêmica decisão do árbitro.

Por aqui, engolimos seco. Somente porque Marcos, para um parmerista como eu e você, é Deus.

Mas agora chega. Vamos rasgar os véus da paixão e falar com todas as letras: o que Marcos fez domingo, não se faz no futebol. Mais, não se faz em um ambiente de trabalho, por respeito aos colegas de profissão.

Não pelo peru, que, aliás, foi grotesco (ah, se fosse o Borboleta, quanto sarro não estaríamos tirando…). A atitude após o frango é que foi deplorável.

O arqueiro veterano sabe que a bola entrou porque ele teve um reflexo retardado, mal calculado, e não me interessa se isso foi fruto da idade ou da falta de concentração. Ele sabe que falhou feio – e, mais uma vez, o que incomoda não é isso.

Porque, se o Palmeiras perdesse por 1 x 0 só por conta daquele lance, ninguém aqui estaria lendo isso. Ninguém apontaria o dedo para nosso Santo Imortal por conta de uma falha passageira… O que me revolta é o que aconteceu depois.

Acorda, Palestrino!

Vamos parar com essa ilusão de querer acreditar que aquele arrobo de atacante foi um ato heróico, ou um protesto, ou uma doação de uma alma palmeirense pela camisa que veste. Marcos simplesmente fez o que havia feito há poucas semanas: falhou e transferiu a responsabilidade para os seus companheiros. E, como já havia falhado e criticado todo mundo, se viu exposto e com receio de ser cobrado: então partiu para o ataque, contando com o apelo emocional que tem junto à torcida, evocando seu carisma para livrar-se de uma situação constrangedora e salvar somente a si próprio.

Havia ainda 16 minutos de bola para rolar quando ele partiu pela primeira vez ao ataque. Se contarmos os 5 minutos de acréscimo, vamos a 21, tempo suficiente para afunilarmos um adversário no Palestra.

Mas não… O time todo se desestruturou, somente para assistir, enquanto era desmoralizado, ao espetáculo de um homem só, que era consagrado como herói por 26.000 crentes.

Para o resto do grupo, vaias.

Sei que não vou agradar ninguém com esse texto, mas também não sou Marcão, não quero agradar a massa enfurecida. Quero só reafirmar que poucas vezes vi em campo um jogador tomar uma atitude tão cafajeste.

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É, definitivamente, um semestre para se apagar dos registros Verdes. Falando aqui entre nós, agora. Das portas do Palestra para dentro, sem analisar arbitragem ou STJD. A barca começou a afundar após o título paulista, e dá uma desilusão danada quando a gente percebe de quantas formas o Palmeiras sabe decepcionar essa torcida apaixonada. Poderia ter sido um ano glorioso!

Esperei a cabeça esfriar para escrever, pois não cabe, agora, repetir as razões pelas quais eu já havia jogado a toalha, lá no fundo, após o jogo contra o Fluminense – tudo que acho já foi dito naquele post polêmico. E embora a tabela tenha sido subvertida no tapetão e apito rosas, nesse fim de semana, em especial, Madame ganhou, como faz um time grande na chegada, coisa que o Palmeiras não soube fazer.

Então penso que é hora de olhar o próprio umbigo e se perguntar o que foi que deu errado.

Sei que é um dia para se falar pouco… mas, após assistir nossa equipe desfalcada contra o Grêmio, eu queria saber: por que o Verdão, tão forte até maio, tem um banco que não se garante? Sinceramente, não entendo o que aconteceu com nosso treinador – e falo especificamente da sua condição de técnico. Sempre foi um porto seguro ter Luxemburgo ali para mexer as peças, para qualquer torcida do mundo. Acontece que ele tem se equivocado constantemente nesse certame, verdade que todos nós já bradamos após algum jogo desse Brasileiro, pelo menos. Sua falta de foco no Palmeiras só é comparável com a omissão daqueles que deveriam zelar por Ele, em off. Sendo assim, e se o campeonato terminar, mesmo, para nós, com essa campanha digna de um Caio Jr. (ou pior), será o caso de alguém pegar uma calculadora e analisar o custo-benefício dessa brincadeira toda.

Sei que o Palestrino está desiludido hoje, e também estou cansado de repetir certas coisas. De novo, não é um dia para se falar muito. Vou tentar ver o tempo sob outra perspectiva, de uma escala bem maior, para ver se consigo perdoar determinadas atitudes e recobrar as esperanças de ver meu time ser forte novamente.

Em outras palavras, quem sabe eu consiga enxergar, lá atrás, a grandeza de Marcos; e vislumbrar um Palmeiras grande, lá na frente.

Por hora acabou a alegria, a paixão esfriou a chama, e qualquer discurso seria vazio.

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Deixo abaixo três textos que vão desagradar muita gente que nos acompanha; depois disso, perdoem-me se não atualizar a página com a frequência costumeira, pois estou com nojo do Palmeiras. E nojo de São Paulo, e nojo de quase tudo.

Pensei bem antes de postar essas reflexões, mas é o seguinte: um blogueiro amador é um abnegado. Gasta horas e dias de sua vida para construir um veículo de informação virtual, e muitas vezes nem ele tem idéia exata da validade e pertinência do que escreve, sob a ótica de quem lê, isso quando os leitores o visitam. Portanto, tanto esforço só pode ter uma jóia de valor: penso que esse é o único espaço do mundo onde posso dizer o que quero, do modo que acredito, sem ser obrigado a me adequar a nenhum juízo moral que não seja o meu próprio. Portanto, lá vai meu ódio destilado – e me perdoem os que se sentirem ofendidos:

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1) O resultado de hoje era tão óbvio que não me deixou triste: o Palmeiras não merece ser campeão. É verdade, ainda é possível, nesse campeonato equilibradíssimo, onde o líder é medíocre em campo e aqueles que o seguem não fogem da burocracia da bola. Podemos chegar lá. Mas é o seguinte, seria uma injustiça, porque esse time não merece o penta. E explico:

Temos uma torcida maravilhosa, e é só isso que me entristece. Mas essa torcida foi tratada como lixo pelo próprio clube, desde a primeira rodada em que foi mandante. Disseram que não éramos bons o bastante para torcer pelo Palmeiras no Palestra, e tentaram aumentar o ingresso para R$40,00, para ver se gente melhor apareceria no campo. Não deu. Voltaram atrás, mas não muito: ainda sustentamos o ingresso mais caro do Brasil.

Esse ingresso inflacionado tem uma razão de ser, e a razão não é a nova realidade do mercado da bola, onde a bilheteria deve representar importante fonte de renda ao clube. O verdadeiro motivo dessa cobiça nos foi revelado logo após a final do Paulista (onde a diretoria deixou a polícia nos espancar na fila dos ingressos, que sumiram, e ainda dentro do Parque Antarctica, já no segundo tempo da finalíssima): há gente lá dentro, como o Sr. Pica Pau, o sr. Ebem Gualtieri e o Sr. Palaia (alô, Conrado, estou tentando separar o joio do trigo…) que tem uma relação para lá de obscura com a empresa de fachada dos irmãos Balsimelli, como já cansou de mostrar o bravo Barneschi.

Os ingressos adentram a diretoria, somem das bilheteria e reaparecem em massa nas mãos dos cambistas.

Alguns são falsos, confeccionados pela própria BWA, coisa já fartamente comprovada.

O Palestra lotado é sempre uma ilusão de ótica: por mais que o torcedor não encontre ingresso, em todo jogo 1000, 2000 ingressos são “devolvidos”, segundo a lenda de quem desvia a “féria” de domingo.

Se o torcedor associado reclama, conselheiros ameaçam-no de expulsá-lo do clube, como fizeram com o amigo Ademir – que tirou foto e registrou o fato, na final contra a Ponte.

Mas, na hora do jogo, foda-se o Palmeiras. Porque, durante os dias que antecederam alguns embates, nesse torneio, ficou bem claro que havia a intenção de se prejudicar nossa equipe. Ou pelo fato do adversário criticar a arbitragem e botar pressão, ou pelo fato do STJD instalar o terrorismo na cabeça do nosso elenco, ou pelo fato da imprensa querer causar um clima de guerra onde só havia paz. Mesmo assim, essa diretoria passiva viu o Palmeiras ser roubado em casa domingo passado, ser humilhado pela arbitragem em seus domínios, e não reagiu, nem na quarta-feira.

Como uma puta que apanhasse para devolver o dinheiro ao cafetão. Quando ele bate e toma a grana, ela não reclama. Só chora.

Nesse sábado, como já havia nos alertado o 3VV, escalaram o mais caseiro dos caga-regras para conduzir nosso jogo. O cara havia apitado 12 ou 13 jogos: 30 pontos para o mandante e apenas 6 para os visitantes, se não me falha. Três desses pontos como visitante foram para o SPFW, jogando na Bahia, contra aquele time cujo nome não entra nessa página. Jogos do Fluzão? Nenhum: esse foi o primeiro. O cara veio de Brasília para fazer o que fez, com uma missão a cumprir. Porque o Palmeiras pode ter se perdido em campo, bobeado na marcação, mas aquele primeiro gol… Eis o que ocorreu:

Na batida da falta, a bola era do Marcos. Mas apareceu Washington, matador certeiro em jogos decisivos, na frente do Santo, sem marcação alguma; então Marcão novamente teve de agir como zagueiro (fato recorrente no certame), e desviou sua atenção para o atacante, se esquecendo da bola. Já o avante, quando percebeu que não conseguiria desviar a redonda, esticou acintosamente o braço, ludibriando nosso arqueiro, que tentou prever a trajetória da pelota no lance.

Qualquer juíz sério invalidaria a jogada e premiaria o “coração de leão” com um amarelinho. Agora, o fdp é Washington, o Flu, o juizão que tinha um trabalho a cumprir? Não, né… Se por aqui sabíamos o que aconteceria (palmas ao 3VV novamente) e ainda tentamos avisar (como no domingo passado), por que raios aqueles caras que desviam dinheiro do Palestra não perceberam? São burros? Ou estão cagando para o Palmeiras?

Claro, novamente, vamos separar o joio do trigo, porque há ali gente séria, gente de bem: assim me parecem ser Toninho Cecílio, Cipullo, Belluzzo e sua trupe. Só que o problema é mais embaixo: de boa intenção, os times pequenos estão cheios… De covardia, também. Precisamos de um homem lá, cacete! Um cara que levante a voz e intimide a imprensa e os tribunais, como Eurico Miranda fez a vida toda para defender o seu time, estando ele com a razão, ou não. Ele amava seu clube e demonstrava isso, por isso ficou tantos anos no poder sem ser incomodado.

Disse isso outro dia e fui mal compreendido: se é para ver meu time dominado por uma facção comprometida, que não cuida da receita que adentra no clube, melhor seria ter um ditador com o saco roxo, que subverte a ordem vigente para ver o time que ama levantar a taça.

Porque não está resolvendo nada nos fiarmos naqueles cagões de fala mansa e paletó, que se escoram nos aportes de capital (conquistados graças ao patrimônio imenso do Palmeiras) para venderem a imagem de uma administração moderna. São bundões, só isso. Covardes, covardes….

Por esses motivos, e ainda pelo fato de termos uma equipe irregular, inconstante, que não sabe se impor nos momentos decisivos, não merecemos ser campeões brasileiros nesse ano. Se você não se convenceu ainda, analise comigo:

11ª Rodada: Madame 2 x 1 Palmeiras, nem entramos em campo;

13ª Rodada: Goiás 3 x 2 Palmeiras, quando os goianos lutavam contra o descenso;

21ª Rodada: Internacional 4 x 1 Palmeiras, um dos poucos trunfos do Colorado até então;

24ª Rodada: Palmeiras 0 x 3 Ixpót, em casa, depois de tudo que engolimos deles;

31ª Rodada: Fluminense 3 x 0 Palmeiras: nunca vi um campeão com essa campanha.

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2) Attecchiri era um sobrenome engraçado, motivo de piada para o amigo desde os tempos do primário, como se esse também não levasse um sobrenome hilário, herança de sua terra natal: Abbagliato.

Desde os tempos de colégio, da “era da inocência”, percebiam uma empatia entre si, uma disposição de espírito muito parecida, o desejo de construir a própria saga, de levar a cabo o ideal aprendido nas aulas de História e nos jantares com os avós: Veni, vidi, vici, a inspiração máxima do romano Júlio César.

O problema, no entanto, era sempre o mesmo: na hora de empreenderem seus objetivos, sempre se entrepunha a mesma discordância entre os dois. Attecchiri queria fazer as coisas só do seu jeito, com muita calma e sempre de um modo ortodoxo e pouco amigável. O outro, por sua vez, quando tinha uma idéia, queria vê-la em prática, sem analisar as consequências, custasse o que custasse. Abbagliato não parava muito para pensar: era sempre agora, ou nunca.

Assim, sem conseguirem jamais chegar num acordo, foi questão de tempo até que a vida os afastasse, não sem antes promover uma enorme mágoa no coração dos dois. Logo, um e outro não podiam mais se ver, pois a raiva falava mais alto e as nuvens do céu se acumulavam densas.

Curioso é que seus defeitos serviram de mola propulsora para que crescessem na vida e, enfim, alcançassem o sonho de ser maiores que tudo e todos; fizeram sucesso na vida, ambos, e causaram muita inveja. Abbagliato, lógico, foi quem saiu na frente. Com sua disposição e garra inigualáveis, conquistou um sem-número de admiradores apaixonados, a ponto de poder sempre contar com eles quando um problema se apresentava. Por sua vez, Attecchiri, embora demorasse um pouco mais para chegar onde queria, foi muito mais longe do que sua família poderia sonhar… Fez tudo aos poucos, com o capricho e esmero que lhe era peculiar; inovou a roda do mundo em seu meio de trabalho, sendo pioneiro e perfeito em quase tudo que construiu. Teve sua estrada coberta de louros, e também conquistou a admiração dos seus, que passaram a amá-lo cada vez mais, sentindo um orgulho sem tamanho do filho pródigo.

Mais curioso ainda foi quando ambos finalmente perceberam que os mesmos defeitos que os acompanhavam (e que os impulsionaram na vida) também poderiam ser sua desgraça. Attecchiri pagou caro por seu caráter passivo, sua crença no “deixar levar”, pois quem mais o invejava sempre se aproveitou disso para tentar roubar o que era seu. E Abbagliato, com seu impulso incontrolável e a mania de achar que era maior que o mundo, deixou escapar importantes conquistas em sua vida, por se cobrar mais do que devia.

No entanto, não vamos fugir à história: quis o destino que os dois, na idade adulta, fossem morar no mesmo prédio. Pior do que isso (só podia ser brincadeira de Deus, que não tem mais o que fazer), foram parar no mesmo andar. Vizinhos de porta. E logo na primeira vez em que se reencontraram, o ódio falou mais alto que os antigos sonhos de criança.

A parti daí, passaram a competir um com outro de maneira frenética: ambos queriam voltar para casa ostentando um sucesso maior do que o conquistado pelo rival. Porque, mesmo naquelas cabeças adultas, sobrevivia a lógica do primeiro orgulho: quem obtivesse mais glórias, conquistaria também a razão sobre os argumentos da infância, os mesmos que os separaram irremediavelmente.

Assim competiram por anos a fio, e venciam sempre na vida, motivados por suas crenças. Até que um dia Attecchiri se deu muito mal… Sua complacência e vaidade finalmente cobraram seu preço: o grande italiano perdeu quase tudo que tinha e teve que se mudar dali, para a glória e gozo de Abbagliato, que fez grande quizumba em seu apartamento: enfim havia vencido.

Attecchiri, com poucos recursos, mudou-se para o andar de baixo, em um cômodo apertado, triste e humilhado por ter se deixado empobrecer desse jeito. Mas sobrara ainda seu coração, que era nobre, e seu sangue, que era ruim. Assim, em pouco tempo, ele refez sua vida, sua fortuna, e retornou à sua casa, para a decepção do rival.

E foi quando voltou para seu lar que Attecchiri notou a mudança no antigo amigo: Abbagliato, sem poder saber de sua vida por conta da distância, parara de se empenhar no que sabia fazer melhor: ser grande, ser guerreiro. O italiano lhe fizera falta… Então sorriu de canto de boca, esperando a hora em que o vizinho afundaria, para vibrar também.

Não demorou muito: tendo perdido o tino de sua própria nobreza, Abbagliato meteu-se em negócios escusos, meio sem saber – mas sabendo. Vendeu sua alma e teve sucesso momentâneo, e todos voltaram sua atenção para ele, que fazia festa: estando o rival na porta do lado ou não, ele ainda tinha mais glórias para mostrar.

Só que uma hora “a casa caiu” e a falta de lisura dos empreendimentos em que Abbagliato se metera trouxe os problemas à tona, e a polícia até sua casa. Viu tudo que era seu ser confiscado, mas não se desesperou. Tendo um patrimônio inigualável, a fé cega daqueles que o amavam, calculou que nada de mal lhe aconteceria. Passou ainda algum tempo debochando do vizinho, mesmo em meio à penúria, alardeando ao prédio inteiro que jamais se mudaria: ele não era Attecchiri, e Attecchiri era menor.

Mas, não obstante o choro dos que lutavam por ele, Abbagliato enfim quebrou, e teve que se mudar. Por ironia, aquele apartamento um andar abaixo, baratinho e sem janela, estava novamente vago. E para lá Abbagliato foi, engolindo seu orgulho.

Foi a vez de Attecchiri comemorar e ficar embriagado: – La vendeta!, gritava com toda força que havia em seus pulmões, para que Abbagliato o ouvisse lá embaixo. E teve também seus momentos de glória, a partir dali – enriqueceu mais, a exemplo de Abbagliato quando estava em sua posição.

No entanto, logo Attecchiri sentiu um vazio em seu peito. Por mais sucesso que conquistasse, faltava-lhe alegria, e ele não sabia a causa disso. E logo foi se acomodando ao que já tinha, deixou de lado seu capricho com as coisas, parou de lutar, de defender o que era seu… Às vezes ouvia Abbagliato gritar qualquer coisa lá de baixo e sentia uma pontada que lhe esquentava o tórax, reavivando seu interesse pela vida. Mas, sem saber mais das coisas daquele que odiava, parou de se preocupar em entender o porquê.

Enquanto isso, Abbagliato não se deu por vencido. Sabia que tinha de lutar cegamente pela vida e que, se o fizesse, nada o deteria. Logo na primeira oportunidade, ganhou outra vez grande fortuna e voltou ao lar que deixara. Anunciou a proeza ao rival dando outra grande festa, como era de seu feitio.

O que aconteceu nesse momento é o que torna a história mais interessante: Attechiri não andava feliz consigo, tampouco com o mundo – e se guardava em casa, cultivando seu mau-humor de berço. Pois, justamente naquela hora, Abbagliato decidiu comemorar seu retorno, abrindo as portas de seu antigo lar para os milhões de amigos, fazendo um estardalhaço que não permitia ao rival ruminar sua enorme tristeza.

A música era um atentado aos ouvidos de Attechiri, que ainda achava as visitas de mau gosto e o barulho muito alto. Nesse dia ruim, disse: – “Chega!“, e irrompeu pelo corredor do prédio, pronto a soltar todos os impropérios que conhecia nas orelhas daquele cazzo’n culo. Foi quando a roda completou seu giro…

Quando enfim deu de cara com o rival, disposto ao enfrentamento, percebeu que o antigo amigo o olhava de outro jeito, com um misto de estranheza e revelação. E com Attechiri sucedeu-se o mesmo: viu no olhar do vizinho uma dor perene e o peso dos anos. Sem que se dessem conta, aquela empatia da infância reavivara sua chama, e os dois relembraram em silêncio os velhos dramas.

Houve um tempo em que não eram inimigos, e seus ideais eram parecidos.

Houve um tempo em que os dois eram cientes de sua grandeza – e se uniram muitas vezes, no passado, contra aquela gente vazia e sem alma, sem talento e sem amor, que os invejava e os tentou derrubar tantas vezes.

Houve um tempo em que o inimigo era comum, e o que havia entre os dois era só orgulho e dignidade, e isso os fez ganhar o mundo. Tudo isso compreenderam ao mesmo instante e, embora calados, um pressentiu no outro aquele brilho no olhar:

Estamos juntos outra vez, unidos pelo antagonismo que nos criou. Como preciso de você…

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Então Abbagliato perguntou, de queixo erguido, em tom de ameaça:

– O que é que você quer aqui?

No que o outro respondeu, antes de se virar e ir embora:

– Só vim dizer que sua festa está uma merda.

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3) Tentei o quanto pude deixar minhas convicções políticas longe dessa página. Mas, como não consegui mesmo, agora vou chutar o balde:

Admito que um alienado, daqueles que adoram dizer “político é tudo igual”, vote no Kaxab. Afinal, quem não tem personalidade é levado pela corrente, é uma lei mundana. Agora, o sujeito que se interessa minimamente pelos assuntos da cidade em que vive, que assisitu algum dos debates, vir me dizer que vai votar na Arena?!

Então repito o que já disse em outros fóruns de discussão: São Paulo é a contramão do Brasil. É a marcha-ré do Brasil… 80% do povo dessa nação acham o governo petista bom ou ótimo mas, por aqui, o ranço dos quatrocentões infecta a classe média, que elege um ratinho de Maluf, um candidato do PFL, mesmo sabendo que a Marta é melhor. E o faz por dois motivos bem simples.

Primeiro: A elite de São Paulo é o cancro desse país. Para ficar claro: a elite de São Paulo é o cancro desse país. Se alguém pulou a linha: a elite de São Paulo é o cancro desse país. Sempre que um governo democrata, com visão social, governa essa cidade, eles se enervam e votam baseados no ódio que nutrem pela sua própria gente.

E São Paulo desconhece o Brasil. Eles têm raiva de Marta, porque ela deu condições dignas de vida para gente desprovida de tudo, e isso ameaça a classe-mediazinha de saco rendido e mesquinha. O cara não tem um projeto de governo, e quem vota nele sabe disso. Como votou no Pitta e no Maluf sabendo disso. Gente podre, gente nojenta e desprezível. É em meio a esse povo que vivo. Vão eleger um coronelzinho só pelo prazer de verem os pobres se ferrarem, mesmo que se fodam juntos. Gente pequena e imbecil…

Segundo: Eu prefiro uma puta assumida que solta um “relaxa e goza” para a classezinha que viaja de avião, do que uma bicha enrustida que chama o povo de vagabundo diante das câmeras. E qualquer pessoa sensata prefere também. Escolher o Kaxab entre os dois é assinar uma confissão de impotência e dizer bem alto: “Sou um cuzão conservador que tem medo de mulher”.

Não é à toa que republicanos e pastores dão o cu escondidos.

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Painel CZ – 2O de outubro de 2008
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Painel Cruz de Savóia

RAGAZZO CON FLATULENTA – cruzdesavoia@gmail.com

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Assalariados. Sabe aquele esqueminha de notas frias do Chiqueiro? Então, decidi apelidar de “mensalinho do Parque Antarctica”. Assim eu ofendo o Palmeiras e o governo Lula ao mesmo tempo, duas coisas que a gente não gosta por aqui.
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Gato e rato. A gente insiste em explicar para essa gente que o estádio de Perdizes está morto para a Copa, mas eles teimam no assunto: Agora dizem que não teremos investidores para reformar nosso estádio, por conta da crise econômica… Veremos!

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Estaca zero. Andam vomitando por lá que, como eles já têm parceria firmada e dinheiro da WTorre, seriam os únicos a não sofrerem com a recessão. Só que aquela italianada, que adora colocar a culpa na eficiente burocracia, ainda não saiu do zero, como grifei acima.

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Acordão. Na marginal, o imbróglio continua: é ex-mulher com bens sequestrados, sócios irregulares, acordos de ocasião, enfim: uma festa pra gente aqui da redação!

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Pote de ouro. E o Santos, hein? Vai ter que sair vendendo meio time para sustentar o clube da Vila…

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Passe preso. E o Parreira não pode ir para o Fluminense. A Traffic, que manda em tudo lá no Palmeiras, não deixa.

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Dividida

“Se os negócios no São Paulo têm nome e RG por que eles não divulgam quem são os agentes e empresas donas de seus atletas?”

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De ANDRES SANCHEZ, presidente do Corinthians, pondo seriamente em risco nossa máscara de transparência.

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Coisa que me irrita e me faz abandonar uma conversa é ver o sujeito tratando futebol como sub-produto de um povo. Alguém que teve toda oportunidade nessa vida e estudou, se formou, se especializou, se tornou culto… e depois passa na rua balançando a cabeça negativamente quando vê alguém gritando gol do seu time com paixão, ou presencia amigos discutindo acaloradamente no bar por conta de um erro de arbitragem que decidiu uma final. É a hora em que o sujeito se sente superior aos seus semelhantes: “se esses caras cuidassem das próprias vidas como sempre cuidei da minha… depois reclamam da miséria, mas se debatem por pão e circo…”
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Pobre é aquele que nomeia a pobreza.
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Alguém mais viu as cenas do título da Eurocopa sendo comemorado no País Basco? Quem não viu, que pena… Porque eu não consigo reconhecer outra situação onde os bascos aplaudiriam um triunfo conquistado sob a bandeira da Espanha… Não tem muita relação, mas me ocorreu Pelé, interrompendo uma guerra civil no Congo, em 1969, porque os caras queriam mais era ver o negão jogar: matar o inimigo, depois.
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Eu pergunto aos sábios: que outra manifestação popular tem esse poder? Esse magnetismo da bola, que transforma o estado de espírito de um povo como se fosse mágica? Quem não se lembra de Maradona resgatando o orgulho do povo argentino – que havia perdido uma geração de bravos em uma guerra insana contra os bretões – quando mandou os ingleses para casa com “la mano de Dios”? A ESPN, vira e mexe, resgata esse documentário: no vestiário argentino, após o jogo, era um bando de bêbados sorvendo champagne e cantando, puxados por Dieguito: “La puta madre que los pario, la puta madre que los pario!...”. Era um recado claro para os filhos da rainha: e a Argentina renasceu naquele dia como nação.
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Como renasceu o Brasil em 1958, naquela equipe fantástica e seu título inédito. Morria ali, no jogo contra a Suécia, o vira-latas de Nélson Rodrigues; nascia um povo orgulhoso de seu talento, que passou a ser reconhecido no mundo inteiro como o dono da bola. A identidade que o futebol nos deu, quer queiram ou não os cultos, não tem parâmetros na nossa história: só ali nos formamos como nação, em definitivo. Aos olhos do mundo, e até hoje é assim.
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Especificamente nesse país, tratar o futebol como sub-produto da cultura deveria estar previsto como crime de lesa-pátria. Porque pobre é aquele que desdenha sua própria história e formação.
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Por tudo isso (e por uns motivos menores, confesso) , tratei de torcer muito para o Fluminense ontem… Não é justo que sua torcida não ostente um determinado título que os outros cariocas lhe jogam na cara. O Fluminense não é menor que os outros, por mais que o ranço do preconceito racial e social tenha maculado sua história, lá atrás. Ontem, no Maraca, havia um povo ali. E eu torci por ele… Que pena que não deu.
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