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25/04/2008

Ela faliu em 1935.

Ela faliu em 1938. Então Palestra Itália e Corinthians entraram em campo no intuito de angariar uma esmola para seu presidente (conta-se que Porfírio da Paz transitava humildemente entre as duas torcidas da cidade, com sua bandeira esticada, pedindo e colhendo moedas).

Em 1942, a Grande Cafetina se aproveitou da declaração de guerra do Brasil contra o Eixo para confiscar bens e patrimônios das três maiores colônias que migraram para esse estado (alemães, italianos e japoneses), que prosperaram com o suor de seu trabalho, enquanto Ela mamava na pica da ditadura militar. Tentou ainda a todo custo tomar o Palestra Itália, mas essa história conhecemos bem.

Em 1944, Ela, que jamais possuíra patrimônio algum, conseguiu finalmente roubar um estádio, o da “Deustsch Sportive“, conhecido hoje como Canindé – e registrou em cartório, em nome de Cícero Pompeu de Toledo. Vendeu em estado de abandono, onze anos depois, para um conselheiro-laranja.

os rastros

os rastros

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Sede do Canindé e pista de atletismo, 1944 (Rev. São Paulo #14).

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Nada melhor do que um site bambi e concorridinho para nos contar sua própria história. O escrevente tenta achar alguma glória enquanto narra o episódio, mas não consegue. Clicando na foto, você pode ler a página com todo seu cinismo exposto; aqui destaco somente os pontos mais contundentes desse evento, nas palavras de um leonor que não pode se esquivar:

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De 1942 à 1955 o São Paulo Futebol Clube foi proprietário da área de 70 mil metros quadrados conhecida por Canindé (onde se ergue hoje o Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte, da Associação Portuguesa de Desportos).

Anteriormente o local pertencia a Associação Alemã de EsportesDeutsch Sportive, a qual vendera a propriedade ao Tricolor sob imposição de condições específicas (…)

Nota do Cruz – o autor, então, explica-se em outro texto, linkado na página:

Fatalmente a proposta financeira que concluiu essa transação estava abaixo dos valores de mercado, visto que pelo cenário político, impossível ser de outra forma – qualquer posse ligada ao Eixo assim estava desvalorizada, visto que o Governo Federal podia desapropriá-la a custo zero!

NC – Retomando a pérola:

Durante todo o período em que esteve sob égide são-paulina, o Canindé nunca recebeu um jogo oficial do clube (…)

Em 1952 o São Paulo partiu para seu maior empreendimento, a construção do Morumbi. Assim, em 1955 o clube vendeu a um conselheiro, Wadih Sadi, a sede do Canindé. Entretanto, lá permaneceu, sob autorização do novo dono, até 1956, quando a propriedade fora revendida para a Portuguesa de Desportos (…)

Enquanto tricolor, o Canindé não possuía arquibancadas (pois como dito, não recebia jogos). Coube à Portuguesa a construção das mesmas, posteriormente.

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Foto de janeiro de 1944 pertencente ao arquivo do São Paulo mostra o então presidente Décio Pedroso assinando a escritura da compra do terreno do Canindé. Ao seu lado Adulcinio dos Santos, Paulo Machado de Carvalho (de camisa clara), Cicero Pompeu de Toledo (primeiro da esquerda para a direita) e Porfirio da Paz (primeiro da direita para a esquerda)

Foto de janeiro de 1944 pertencente ao arquivo do São Paulo mostra o então presidente Décio Pedroso assinando a escritura da compra do terreno do Canindé. Ao seu lado Adulcinio dos Santos, Paulo Machado de Carvalho (de camisa clara), Cícero Pompeu de Toledo (primeiro da esquerda para a direita) e Porfírio da Paz (primeiro da direita para a esquerda)

texto e legenda: site do MN

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E foi assim que o Deutsche Sportive morreu, assistindo ao extermínio de todos seus esportes amadores sendo perpretado por uma gente oportunista, usurpadora e historicamente preguiçosa. O clube foi delapidado por um conselheiro e vendido à Portuguesa quando já estava abandonado. E sabem o mais interessante disso, sabem o porquê de eu ter escolhido este site para comprovar o que de fato ocorreu (além, é claro, da legitimidade que me foi dada por um autor são-paulino que se diz embasado na História)?

É porque, se você for procurar a trajetória do Deutsche Sportive no Wiki, descobre que o moço aí em cima é quem fornece as informações: ali, onde os jovens de hoje mais consultam referências (para diferentes fins), só há a versão do menino orlandinho… Daí, vendo a coisa distorcida contada por ele, começamos a entender essa massa de alienados que esquenta mais sofás a cada dia. Mas vamos em frente:

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Em 1950, a imobiliária de Adhemar de Barros conseguiu um empréstimo público vergonhoso (viabilizado pelo então Governador do Estado, deixem-me lembrar… Adhemar de Barros!) para comprar e terraplanar uma gleba na região do Morumbi. Essa gleba foi transformada em bairro e ganhou o nome de Jardim Leonor – uma homenagem singela que remete ao nome da esposa de… Adhemar de Barros.

Então é chegada a hora, meninos: conheçam a musa inspiradora da Boutique:

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leonor

Madame vela o corpo do marido em Paris, em 03/69.

fonte: IstoÉ

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Seu perfil, segundo o site oficial do falecido governador biônico:

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“Foi também uma grande promotora política nas campanhas eleitorais. Liderou a criação do Movimento Político Feminino, fundado em setembro de 1947. Criou o Departamento Feminino no Comitê da Vitória na campanha de 1954. Participava dos comícios, organizava festas e reuniões.”

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[adendo inserido em 28/12/2008]:
N.C.: Este texto “oficial” enfeita, na verdade, a real importância que a Leonor de Adhemar teve na consolidação do Golpe Militar que depôs Jango Goulart do poder, em 1964. Foi ela a fomentadora da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, como vemos (resumidamente) aqui:

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A Marcha da Família com Deus pela Liberdade foi o nome comum de uma série de manifestações públicas organizadas em resposta ao comício realizado no Rio de Janeiro em 13 de março de 1964, durante o qual o presidente João Goulart anunciou seu programa de reformas de base. Congregou segmentos da classe média, temerosos do perigo comunista e favoráveis à deposição do presidente da República.

A primeira dessas manifestações ocorreu em São Paulo, a 19 de março, no dia de São José, padroeiro da família. Articulada pelo deputado Cunha Bueno (…), com o apoio do governador Adhemar de Barros, que se fez representar no trabalho de convocação por sua mulher, Leonor Mendes de Barros, organizada pela União Cívica Feminina e pela Campanha da Mulher pela Democracia, patrocinadas pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, o IPES.

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Muito já foi dito no blogue a respeito desse tempo, dessa gente, desse estádio. Vejamos então uma nota da IstoÉ, que reporta à época da morte de Adhemar e aborda a repercussão do fato:

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Um dos articuladores civis do golpe militar de 1964, acabou cassado pelo presidente-general Humberto de Alencar Castello Branco. “No fundo, fizemos a revolução contra nós mesmos”, havia constatado amargamente meses antes da cassação. Casado desde 1927 com Leonor Mendes, nos últimos anos de vida Adhemar viveu uma intensa relação com a viúva Ana Benchimol Capriglioni, conhecida nos meios políticos pelo codinome de Dr. Rui. “Ela foi um caso do velho Adhemar, parte de seu último governo”, reconhece Barros Filho. “Quando ele e minha mãe se exilaram na França, ela também o acompanhou.” Em março de 1969, Adhemar morreu em Paris. A fama de sua fortuna era tamanha que, quatro meses depois, um grupo guerrilheiro promoveu um assalto cinematográfico a um cofre com US$ 2,5 milhões, que se encontrava em poder da família de Ana Capriglioni.”

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Apenas para situar melhor o leitor mais novo no contexto que descrevemos: a foto de Adhemar que encontrei à venda no Mercado Livre, datada dos áureos tempos de seu populismo, fala por si só: diria que dispensa comentários, mesmo…

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adhemar

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Em 1951, Ela colocou na tesouraria de seu clube o Sr. Laudo Natel, político muito ligado a um certo Adhemar de Barros. E, como toda sorte de pressão sobre o prejeito Jânio Quadros havia falhado (Madame queria a área do Parque Ibirapuera para construir um estádio), o velho Adhemar resolveu a questão como pôde: o Governo do Estado doou uma área de aproximadamente 90 mil metros quadrados em uma região inabitada conhecida como…. Jardim Leonor! Por esses lados, não havia povo e ninguém se deu conta, e Laudo aceitou de bom grado o presentinho do governador.

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Privadão inóspito, 1960

Privadão inóspito, 1960

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Vale ressaltar, ainda, que qualquer doação de terreno público requer uma contra-partida para toda a comunidade, responsabilidade da qual Madame não se furtou em 04/08/1952, quando assinou esta Escritura Pública de Doação, já amplamente divulgada pelo movimento Morumbi Cidadania. A associação de moradores quer quer o clube cumpra alguns deveres do qual vem se furtando há 56 anos:

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escritura

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Nem estacionamento, nem parque infantil. Mas é importante demonstrar que esse desprezo pela própria comunidade que abriga o clube não foi um fato pontual, nem casual, como nos mostra o JT de março desse ano:

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"Cagar na cabeça" daqueles que a ajudaram lá atrás é um traço recorrente no caráter de Madame.

"Cagar na cabeça" de quem a ajudou no passado é uma característica recorrente da índole de Madame

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História bonita, não? Edificante! Vamos pular então alguns anos, somente para que ela não fique enfadonha, com esse pobre cronista tendo que repetir sempre os mesmos nomes:

Em 1966, o Governador de São Paulo, Adhemar de Barros, é afastado do cargo por corrupção. Assume então seu vice, o Sr. Laudo Natel, à época presidente do SPFW. Claro que este senhor de sorte não se desfez do primeiro emprego: foi, assim, presidente de clube e Governador do Estado ao mesmo tempo, em plena ditadura militar. Com tamanho poder em mãos, ele achou por bem convocar os alunos da rede pública, que precisavam de verba para realizarem suas formaturas, para venderem o famigerado “carnê Paulistão”, cujo dinheiro foi desviado em boa parte para se viabilizar a construção do Panetone Cor-de-rosa.Nessa época, também quem precisasse de um empréstimo bancário não saía do Banco Brasileiro de Descontos (hoje Bradesco) sem ser achacado por algum gerente que o fazia adquirir várias cotas do “Carnê Paulistão”.

E, novamente, continuar seria inútil. Porque podemos ouvir e ver a verdade na voz e nos gestos de Gardenal:

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os rastros

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Depois de assisitr esse vídeo, vale a referência: aqui vai uma informação retirada da página da própria torcida alienada. Façam as contas da quantidade de dinheiro público desviado:

O volume de concreto utilizado é equivalente à construção de 83 prédios de dez andares. Os 280 mil sacos de cimento usados, colocados lado a lado, cobririam a distância de São Paulo ao Rio de Janeiro.”

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Já em 1970, para tentar tirar a Madame da seca, o Governador Biônico da Ditadura Militar e presidente do SPFW sentava-se no banco de reservas das moças durante jogos decisivos, para poder intimidar o pessoal da arbitragem (nota: qualquer semelhança com a atitude de qualquer coronel de hoje, ali na linha de fundo, deve ser mera coicidência); na final contra a Ponte Preta, quando seu time perdia, o ditador desceu de helicóptero no meio do gramado e foi direto ao vestiário dos árbitros. E foi assim que conseguiram se livrar de uma fila de 13 anos, desfazendo a vantagem da Macaca em uma das finais mais absurdamente roubadas do futebol paulista, dentro da Bambineira, sob o olhar atento do chefe de governo.

[Aqui, em 06/12, faço um adendo] para inserir o texto veiculado esse ano pelo Correio Popular de Campinas, e agradeço ao vigilante amigo Ademir pelo envio:

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Em 1971, essa pressão surtiu efeito novamente. Não é mesmo, Armandinho?

Os que já leram Souvenirs de Madame podem pular o trecho em destaque:

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Os rastros

Os rastros: 1970 (o crime é contra a Ponte)

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Carlos Lacerda e Laudo Natel, o governador biônico e presidente do SPFW que se sentava no banco durante os jogos do seu time para poder controlar os árbitros


Você pode ler a entrevista edificante (cujo trecho reproduzirei) aqui, por completo. Para nossos leitores e amigos, deixo apenas um pedaço bem simbólico, representativo do fermento de alienação que faz inchar a massa leonor; trata-se de uma entrevista de Laudo Natel para o SPNet.

SPNet – No livro do ex-presidente Bastos Neto, ele conta que o Presidente Médici estava receoso de entrar no gramado e ser vaiado devido ao momento turbulento na política brasileira, mas o Sr. o encorajou dizendo que havia “dedicado uma vida para a construção desse estádio e esperava naquele 25 de janeiro esse reconhecimento”. O que aconteceu após a entrada do Sr. e do Presidente Médici em campo?

Laudo – Era a primeira visita do Médici a São Paulo (1970). E convidei primeiro o Costa e Silva, mas ele ficou doente e não pôde vir, até depois veio a falecer. Eu fiquei em dúvida em convidar o Médici, pois já havia convidado o Costa e Silva. Mas o convite é estendido ao Presidente da República, por isso o convidei. O Médici gostava de futebol, aliás ele era são-paulino aqui, acabou vindo. Mas, no dia da inauguração, com o campo lotado, a segurança do Presidente achou que ele não deveria entrar, talvez com receio de ser vaiado. Eu disse a ele: “Presidente, o senhor vai entrar comigo, pois se existe alguém que não pode ser vaiado hoje, esse alguém sou eu. Então, o senhor entra comigo”. Aí, ele aceitou e entrou. Na hora que ele entrou, foi uma ovação do público, deixando-o arrepiado. Tanto é que ele, que já gostava de vir a São Paulo, ficou freguês de vir pra cá. No período em que eu fui governador, ele veio umas vinte e tantas vezes. Mas, a entrada dele foi na inauguração do Morumbi.”

Torcida invejável, né?… Veja uma foto do dia da inauguração do Privadão, em meio à festa repleta dessa gente singela:

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primeirojogo

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Recordando: Laudo foi o presidente do SPFW nos anos mais negros da ditadura, indicado pelo então governador Adhemar de Barros. Era o laranja de confiança para o governador, que planejava desviar dinheiro público e fazer concessões ilegais de terreno para que seu clube (com histórico recorrente de falências e nenhum patrimônio) conseguisse ter um estádio. E o fez, logicamente, por intermédio de sua imobiliária.

E, também logicamente, o governador acabou sendo afastado por corrupção, em 1969.

Mas nessa época Adhemar já tinha feito Laudo Natel seu vice. Então o presidente do SPFW e diretor do Bradesco (instituição que mais enterrou dinheiro escuso na Bambineira) tornou-se também governador biônico de São Paulo – em um contexto onde seu time passava por uma seca de títulos, pois, enquanto erguia o anti-estádio, o clube não ergueu nenhuma taça.

Ao todo se juntaram 13 anos de fila e o time leonor chegava à decisão de um Paulista contra a Ponte Preta. E no seu estádio, recém-inaugurado pelo governador biônico, que já havia adotado o hábito de sentar-se no banco de reservas tricolor para intimidar a arbitragem.

Bons tempos da ditadura militar, auge da glória leonor, onde não era preciso sequer colocar um coronel na linha de fundo para intimidar uma bandeirinha.

Era preciso tirar o time mais querido dos barões da fila. Era preciso mostrar isso para a arbitragem, ostentando poder e aparato militar para que a coisa ficasse clara… então, naquela decisão em 70, Laudo Natel foi além e decidiu fazer uma entrada especial: com o estádio lotado, pousou de helicóptero no meio do gramado, cercado de seguranças, e foi direto para o vestiário de arbitragem “cumprimentar” o caga-regras escalado para o jogo, ninguém menos que Arnaldo César Coelho. Sim, o mesmo Arnaldo global que quer nos ensinar que “a regra é clara“.

Não há porque prolongar o texto nessa postagem. Veja o leitor e amigo e julgue por si só o pênalti anotado por Arnaldo contra a pobre Ponte Preta naquela partida, sob o olhar atento do chefe de governo.

Mais um capítulo essencial na história de Madame:

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Em 1981, quando Madame tomava o segundo chocolate do Botafogo pelas semi-finais do Brasileiro, em plena Gaiola das Loucas, a diretoria esperou o intervalo do jogo para mandar ao vestiário do árbitro Bráulio Zannoto três seguranças armados: Brandão, Maurinho e Chitão – que, curiosamente, eram seguranças da Macaca (e foram contratados só para esse serviço). Conta o árbitro que nada fez, além de ajudar Madame a virar o jogo, porque teve medo das consequências…

Para contar melhor esse episódio, novamente recorreremos ao nosso arquivo do “Souvenirs…”:

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1981 - A vitima é o Botafogo

Os rastros: 1981 - A vítima é o Botafogo

Semifinal do campeonato brasileiro de 1981, SPFW x Botafogo. No primeiro embate no Maracanã, o Bota saiu vencedor por 1 x 0: restava vir para São Paulo e segurar o empate, pois a vantagem era do time paulista em caso de uma vitória para cada lado. Mas Gérson, do Bota, abriria o placar em São Paulo, ainda no começo de jogo, espalhando um balde de água fria no entusiasmo leonor; e em um contra-ataque alvinegro, aos 19 minutos, Mendonça faria 2 x 0, após belíssimo lançamento de Perivaldo. Fatura encerrada?

Se fosse um time de futebol do outro lado, provavelmente sim. Mas se Madame precisa de 3 gols, vai conseguir 3 gols, não importa por quais vias: aos 45 minutos do 1º, após cruzamento na área, Chulapa esbarra nas costas de Gaúcho Coalhada e se atira no chão. Pênalti.

Talvez, não fosse Serginho o protagonista da cena, e o lance poderia até gerar dúvidas, pois Coalhada abriu os braços; mas ali não dava. Quem viu o Chulapa jogar (e lembra do seu “tamanhinho“) sabe que jamais ele seria deslocado daquela maneira, ao contrário, se pudesse fazer o gol, deslocaria quantos marcadores estivessem a sua volta… Mas é pênalti, Chulapa cobra e é gol. O goleiro tenta pegar a bola para retardar o reiníco do jogo; aí Serginho, o frágil, atira o goleiro Paulo Sérgio no chão somente com uma bundada. Reclamação da defesa do Bota, mas o juizão ignora o choro carioca e termina o primeiro tempo.

A senha estava dada: o juíz era covarde, caseiro no mínimo – e então Madame parte para o segundo ato, escrevendo um dos capítulos mais vergonhosos da história do calcio nacional: Assim que Bráulio Zanotto entra no vestiário dos árbitros, percebe a presença de 3 seguranças armados (Brandão, Maurinho e Chitão), todos contratados da Ponte Preta para fazer aquele trabalho esporádico e sujo. Um bandeirinha consegue fugir do vestiário, o outro não.

Alegando que Bráulio estaria “prejudicando” o SPFW, os três desferiram murros em Zannoto, intercalados com chutes no seu tornozelo; um bandeira também apanhou bastante, mas nenhum dos dois teve coragem de parar o jogo ali: voltaram a campo e Ela fez o que quis no segundo tempo, até chegar ao terceiro gol.

Com Zannoto mancando visivelmente.

E, quando fizeram o 3º gol, no placar eletrônico da Bambineira começou a aparecer os horários da ponte aérea para o Rio, mandando o Botafogo para casa. Entre os horários dos vôos, o placar “mandava seu recado”: “Fogão, Fogo, Foguinho, Fumaça, Cinza“.

1981, tempo da ditadura, ainda. Madame já tinha a caneta, escrevia o que queria e ninguém reclamava. Áureos tempos leonores, onde não era preciso sequer manipular procuradores fora de campo.

Anos mais tarde, Bráulio Zannoto contaria em detalhes o ocorrido, dizendo-se arrependido por não ter sequer relatado o que aconteceu na súmula do jogo, pois havia sido ameaçado. O vídeo que você vai ver abaixo é um especial feito pela SporTV com Éverton, herói das meninas naquele embate. Repare em alguns detalhes no vídeo:

1) Veja o desconforto de Éverton ao ser questionado se algum fator no vestiário deu ânimo ao SPFW para virar o jogo; o repórter pergunta claramente a respeito do pré-jogo (já que o Bota ganhara a primeira), e ele responde que, com união, “revertemos uma situação praticamente impossível“. Ou seja, ele responde pensando que o repórter o argüia a respeito dos fatos ocorridos no intervalo.

2) Repare como ele comenta, sem graça, o gol de pênalti anotado por Bráulio. Ele diz “mesmo que foi de pênalti, né?” como quem diz “mesmo com um pênalti daquele…”; note também quanto tempo o narrador e o repórter demoram para acreditar que o juizão realmente havia marcado aquilo.

3) Após o 3º gol, na comemoração, veja que pelo menos dois diretores/conselheiros/seguranças ou sei lá o quê, simplesmente invadem o gramado e se atiram no chão com Éverton para comemorar o feito, na cara do bandeira, que fica atônito e não adverte ninguém (um deles está de calça social marrom e camisa clara, de mangas compridas).

E, finalmente, veja se você daria pênalti naquele lance.

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Poderia continuar até amanhã, destrinchando ano a ano a calhordice dessa gente; Falta o episódio da contraprova de Mário Sérgio, em 1984; tem o Aragão operando o Guarani em 1986; tem o rebaixamento de 1990 que a FPF conseguiu transformar em título paulista em 1991; tem Madame com crise de TPM em 1994, esburacando seu próprio gramado para impedir Palmeiras x Corinthians de realizarem o jogo do título em sua casa…

Mas creio que vocês que me lêem, em sua maioria, têm idade suficiente para não se lembrarem de uma glória ou um título os quais Madame ostenta, que tenha sido ganho na bola, sem a influência sombria da mão que a gente não vê.

De todo modo, deixo abaixo algumas referências importantes sobre caráter Dela, que é preciso consultar para entender porque os “Parmeristas” históricos sempre fizeram questão de nos revelar quem é o verdadeiro inimigo; e inimigo é para ser destruído, não perdoado.

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A verdadeira história do time do Morumbi“, por Marcelo Nacle

Os verdadeiros bandidos“, por Barneschi

Como se fabrica um campeão“, pelo blog Parmerista

A campanha suja de Madame“, por este Cruz

Morumbi, Não!“, pelo blog homônimo

Pra não dizer que não falei dos erros“, por Secondo Tucci

Souvenirs de Madame, por este Cruz

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Este post foi patrocinado pela S4M5UN6

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Nota do Cruz: desculpem, mas é necessário; mais tarde voltaremos a falar de campeonato Paulista e de times grandes.

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Há gente que, por conta da vida dura que teve, seja essa fruto do ambiente parco em que cresceu ou ainda por causa da pouca inteligência (consequência de gerações e gerações que vingaram em meio à subnutrição cultural) que não têm capacidade para interpretar um texto.

Quando isso acontece, esses coitados respondem e ameaçam um pensamento alheio pautados no complexo de inferioridade que faz parte de sua cultura pessoal. Portanto, faz-se necessário mais um post-esclarecimento dirigido aos imbecis de plantão, mais especificamente àqueles que têm banda larga e neurônios ínfimos:

em nenhum momento critiquei o Sport Recife por ser nordestino, naquele polêmico texto; aliás, na minha cabeça, nordestino não é um termo pejorativo, muito pelo contrário… Já disse aqui mais de uma vez que, na minha opinião, o Brasil seria bem melhor se Sul e Sudeste não existissem…

O fato é que ser chamado de nordestino é coisa que só ofende os simpatizante do time das putinhas, porque eles se acham melhores que o Nordeste todo: afinal, ‘ah, é Pernambuco’. E, lá em Pernambuco, eles se acham distintos dos verdadeiros clubes do povo. Portanto, eles se acham melhores que todo o Nordeste.

E chamei-os de putinhas (notem bem, usei o diminutivo do termo chulo) porque são time pequeno, se vendem fácil para ideologias descabidas de ‘modernidade’ e administração ‘diferenciada’ disseminadas por um certo time escroto do ‘sul-maravilha’. Repetem suas acusações contra nós, feito papagaios-de pirata. E saem de esquina em esquina espalhando boatos e suspeitas de conspiração, fofocam de rua em rua enquanto mostram a bunda, se achando lindas. São putinhas.

E o time é do Nordeste, como poderia ser do Centro-Oeste.

Mas gente burra é gente burra, fazer o quê com cabecinhas desse tipo? Não posso responder a quem não me entende, por isso quero reproduzir aqui um comentário de um torcedor do Santa Cruz, feito dentro do polêmico post. É perfeito e resume tudo que quero dizer sobre esse timeco nojento.

Leiam isso com atenção:

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SANTA CRUZ
Sou de Recife e sou torcedor do SANTA CRUZ.

Vocês sabem como o Sport conseguiu essa “HEGEMONIA” no estado de Pernambuco? Vou lhes responder:

BASTIDORES!

Explico: Ao contrário do que eles gostam de parecer ser (defensores do nordeste, de pernambuco, etc) na verdade, foram deles o voto que VETOU a entrada do Santa Cruz no clube dos 13. (único voto, exigi-se unanimidade).

Dessa forma, recebendo aproximadamente 15 milhões por ano (muito dinheiro para a realidade local), enquanto o Santa Cruz recebe ZERO, fica fácil, MAS MESMO ASSIM NÃO CONSEGUEM VENCER UM CLÁSSICO (última vitória deles foi em 2006). A camisa PESA!

Afora isso, tentam o tempo todo reforçar o time com jogadores do SANTA CRUZ. Todo jogador que se destaca no SANTA CRUZ eles tentam contratar. (cléber, osmar, andrade, junior maranhao, rosembrick, carlinhos bala, thiago matias.. etc etc)

ESSE JOGUINHO DE BASTIDORES FAZEM VOCES LEMBRAREM DE ALGUM TIME? eu lembro, os bambis.

OUTRO DETALHE: Sport aqui é time de MODA. Sua torcida é arrogante, chata, porém não chega aos pés da torcida do SANTA CRUZ quando o assunto é SER FANÁTICO. Voces lembram de algum time? Eu lembro dos bambis.

O Presidente da Federação Pernambucana de Futebol é torcedor fanático das putinhas, e é um mal carater. Jogo sujo nos bastidores é com eles mesmo. Voces lembram de algum time? Eu lembro dos bambis.

O sport, ou melhor “a coisa” (como é conhecido na cidade) é um time de PUTA.

Saudações Corais, do maior clube de Pernambuco.

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Agora entendam como nasceu a revolta do blogueiro que vos escreve, conferindo dois textos que saíram na grande mídia (ambos são pautas geradas pela diretoria do time pequeno):

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do blogue do Cosme Rímoli:

Sport Recife e Palmeiras já estão em pé de guerra.

E o primeiro golpe foi pernambucano.

Pelo menos na sede da Conmebol.

Chegou na entidade sul-americana o ofício enviado pela equipe nordestina exigindo um árbitro estrangeiro para a partida do dia 8 de março.

Como prometia a diretoria do Sport, a alegação foi forte, uma acusação.

A de que o técnico Vanderlei Luxemburgo contrata importantes juízes brasileiros para palestras bem pagas no seu instituto de futebol.

De acordo com os pernambucanos, o técnico banca de R$ 4 mil a R$ 5 mil por palestras no IWL.

E que isso colocaria sob suspeita toda a arbitragem nacional.

O Palmeiras se defende alegando que as palestras foram dadas apenas por alguns árbitros e que não se pode punir todos.

No clube paulista se acredita que a diretoria do Sport quer um juiz não brasileiro por, teoricamente, permitir uma partida mais pegada, com mais faltas duras.

Essa seria uma vantagem para o time de Nelsinho Baptista, mais experiente e menos técnico que o Palmeiras.

A situação que já estava tensa, ficou pior com a vitória de ontem do Colo Colo diante da LDU.

As chances palmeirenses de classificação diminuíram.

Vencer em Pernambuco virou mais do que obrigação.

Os dirigentes nordestinos estão esperançosos.

Lembram que os dirigentes gremistas brigaram pela mesma coisa em 2007 contra o Santos, na época, dirigido pelo mesmo Luxemburgo.

E que eles conseguiram escalar o paraguaio Carlos Torres.

O time gaúcho passou pelos santistas e chegou à final da Libertadores.

Mesmo que seja designado um juiz brasileiro, o Sport Recife já é considerado vencedor nos bastidores.

A pressão sobre ele seria enorme para provar que o alto cache das palestras no IWL não o interessam.

A desconfiança já está no ar.

(Em tempo. O assessor de imprensa e do treinador Vanderlei Luxemburgo, Luís Lombardi se manifestou. Ao ler o post, ele telefonou e fez o seu depoimento.

“No instituto, os convidados não recebem dinheiro algum. O instituto não serve para fazer lobby. Só levamos ex-árbitros, não árbitros. O que está sendo divulgado em Pernambuco não é verdade. Faz parte dos bastidores da Libertadores.”)

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E tem mais esse aqui, que beira o ridículo, de tanta desinformação que oferece:

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O Futebol Pernambucano por Carlos Delamare

Mar/10/2009 – 14:08:52

ATÊNÇÃO (sic) TORCEDOR DO SPORT: LUXEMBURGO PODE QUERER GANHAR ESTA PARTIDA NO “TAPETÃO”.

ENTENDA AGORA.

WANDERLEY PODE ESTÁ PRECISANDO DE ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO.

Ele se preparou a vida inteira para ser, um técnico de ponta, ser um campeão mundial pela seleção,ou ser campeão de uma libertadores por exemplo com um clube nacional ou não, um campeão Europeu, e nunca conseguiu um título de expressão como estes citados. portanto, esses fracassos, fizeram dele um ser altamente desequilibrado emocionalmente.uma frustação interna. e o que se vê em toda partidas é isso, um ser ignorante, revoltado,soltando o verbo contra tosos. Sempre vemos essa imagem acima. E essa imagem, nao denota um comportamento normal!

Assim, a julgar pelos últimos resultados do palmeiras, não podemos esperar outra atitude do técnico palmeirense, se não a manipulação de resultados.

Todo mundo sabe que o técnico alvi-verde, está com a corda no pescoço, além disto, há outros motivos que nos fazem acreditar em possível jogo sujo para esta partida, são eles:

O técnico palmeirense, jamais venceu o sport em toda sua carreira.

O palmeiras fez altos investimentos, e necessita urgentemente de resultados, não estão conseguindo em campo, tentarão extra campo.

Vanderlei Luxemburgo tem acesso a todo quadro de arbitragem do país. Por isso é preciso a mobilização de todo torcedor rubro negro pernambucano para esta partida crucial nos objetivos do sport.

Sinal de alerta aceso! Luxemburgo poderá usar de qualquer artifício para conseguir a vitória na ilha, porque dentro de campo todos já sabem que o sport é infinitamente superior.

Em São Paulo mesmo, o palmeira é tido como time mediano, que apenas figura na competicão local para fazer numero. todo Brasil sabe que quem domina tudo lá, é o Sao Paulo, depois vem corinthians, santos, portuguesa, e aí depois se não me falha a memória aparece o palmeiras.

moral da história, sempre foi saco de pancada paulista.

esse time tem condições de ganahr (sic) do sport?

alias, ter tem, extra campo claro!!!

O alerta foi dado.

(…)

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Ou seja, é com essa gentinha com complexo de empregada doméstica é que estamos lidando: e quem fala o que quer, corre o risco de escutar o que não gosta (ou aquilo que não tem capacidade intelectual para interpretar).

Dito tudo isso, gostaria de afirmar ainda uma vez mais:

O Sport Recife é time de puta. E seus simpatizantes (notem que não disse ‘torcedores’) são as putinhas do Nordeste.

E se alguém tem direito de se sentir discriminado pelo referido post, esse alguém são as putas de verdade, aquelas que pegam no batente toda noite. A elas, deixo minhas desculpas por não ter encontrado um termo que definisse melhor um timinho que se vende tão fácil…

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Recomendo a leitura do texto de Barneschi, para encerrar a celeuma.

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Amici: abaixo do texto que digito, segue o “print” da página inicial do WordPress de hoje, 05/01/09, faltando 4 minutos para o fim de mais um dia de batalha árdua. Nela você pode conferir a “classificação” do dia, feita pelo robô que “ranqueia” os blogues escritos em língua portuguesa (no que se refere à audiência, somente).

É verdade, trata-se do tipo de medição mais pontual e fugaz que existe, mas, ainda assim, revela que andamos certo em nosso escracho por aqui, eu e vocês: a máscara da Borboleta vai cair, eu prometo, no próximo post, graças à colaboração que já chegou e que está chegando em forma de comentários. Não parem.

Continuemos combatendo os trolls em seu próprio campo de batalha, dentro do post Coleção de canalhices.

Explico-me, em poucas linhas:

depois de um dia infernal, do qual vocês não têm de tomar ciência, queimou meu PC pessoal, coisa que afeta a todos nós. Praga de quem?

estou escrevendo (e adentrando a madrugada) dentro de uma Lan-House fedida e insuportável, somente para lhes trazer tal satisfação: daqui é impossível raciocinar e tecer posts agendados para o dia de sexta.

passarei essa sexta, para piorar, empenhado em conseguir a renovação do meu passaporte – portanto não posso prever quando desembarco por aqui.

(Alô, empresários Verdes: o CRUZ NÃO TEM NOTEBOOK, LAPTOP, NEM OLIVETTI PORTÁTIL!)

façamos desse infortúnio uma oportunidade para marcar época: coletemos (como já fizemos ontem, de maneira inédita) os argumentos míopes e enviesados da geração VITRINE (Alô, Barneschi!), de modo a construir a memória de um tempo que será, ao certo, esquecido e engolido por gente mais nobre, gente que virá depois de nós. A gente que realmente importa, pois que serão nossos filhos.

NÃO DEIXEMOS QUE NOS CALEM, ESSES IMBECIS DO AGORA!

Eles não vão parar de poluir nossa conversa amistosa, e nós não perderemos a cabeça – mas não faremos silêncio.

O que já colhemos até aqui, no tal post, é inacreditável. É um registro para ser analisado por sociólogos em algum ponto do futuro, creiam.

Prometo que tais registros irão resultar em uma compilação memorável quando eu voltar, nem que tenha de postar da casa do Judas, no dia de sábado.

Continuem com a gente hoje, e um puzta abraço sincero do Raphaello!

E obrigado!

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Coleção de canalhices

. . Atendendo sugestões dos colaboradores, abro este post para colher as várias declarações esfarrapadas da Borboleta Monarca a cada frango que ela engole ao longo dos tempos. Quem se lembrar, deixa a frase pra gente. Vale pérolas do […]

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Venceu por fim o mundo das idéias, o jogo da reparação necessária. Meses atrás nascia o desejo, neste e noutros blogueiros (alviverdes e alvinegros) de promover e realizar um “derby” que representasse um desagravo histórico pelo maior erro cometido por essas duas torcidas.

Há exatos 60 anos, como já foi contado e recontado nessas nossas páginas, Palestra Italia e Corinthians entravam em campo para se apresentar em um amistoso sem precedentes. Num gesto altruísta e fraterno, seus dirigentes convocaram as torcidas para tentar salvar o então falido (pela segunda vez na década) SPFC; durante a peleja, o presidente da Boutique desfilava entre as arquibancadas, esticando aquele bandeirão que homem não gosta e colhendo migalhas, agradecido.

Meu avô jogou moedas para o sr. Porfírio.

Foi em 1938, e o episódio ficou conhecido como o Jogo das Barricas, pois 2 barris dividiam a entrada das torcidas rivais; e, cada uma no seu barril, jogava sua contribuição para o time dos bacanas poder continuar existindo.

Depois disso, um ódio intrínseco acabou de corroer o pouco caráter de Madame, ela que não engole desaforo, quanto mais uma humilhação dessa. Passados apenas 3 anos, uma intervenção federal catapultava um militar são-paulino à presidência do SCCP; mais um ano, e era a vez do Palestra ser atingido em cheio pelo ranço coronelista, quando tentaram roubar nossa casa e acabaram fugindo, não sem antes surrupiar a fita vermelha que ornava nosso manto.

De lá pra cá, foi só essa inveja que se traduz em marquetíngue e golpes baixos, através de tribunais e federações.

Nesse sábado, porém, os rivais se unirão novamente, em um outro amistoso. Também haverá barrica, e Madame será lembrada. Ao contrário de 38, o evento será bem documentado – e espalhado em todos os meios de comunicação possíveis.

Por motivos óbvios de segurança, não podemos divulgar pela rede local e horário. Mas esse post é um convite aos parmeristas conscientes de sua história. Vamos comparecer, prestigiar, comer um churrasco, tirar umas fotos, jogar uma bolinha… E lavar a alma de nosso erro mais infeliz.

Para quem quiser obter informações, nosso mail é esse. Mas você também pode fazer contato e confirmar presença através desses blogues:

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ademir

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filipe

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barneschi

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claudio

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Se puder, junte-se à brincadeira, Palestrino! É nesse sábado, é uma questão de honra.

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Enquanto isso, vamos entrar no CLIMA!

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Gente, lendo esse texto DUCA!… escrito por Barneschi, peço a licença de entrar na onda, mesmo que seja repetindo em dois dias um texto do nosso arquivo:

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O time mais comum do mundo!…

Não é uma ironia? Tantos anos de empenho financeiro para firmar seu time na imagem do torcedor como uma agremiação ideal, “diferenciada”, ao mesmo passo em que ostenta as características mais banais entre todos aqueles que escreveram a filosofia da bola?

No Chile, temos o Universidad Catolica; no México, é o América. Há o Independiente, na Argentina, como o Real Madrid, na Espanha. Ou o Chelsea, britânico, hoje nas mãos de Felipão. E pela Rússia afora, como nas Arábias…

É aquele time que, em qualquer lugar do Globo, ninguém leva muito a sério. A garotada manja: é o riquinho da rua, que não sabe jogar bola, mas tem dinheiro para comprá-la: papai provém. Então a gente deixa entrar na roda, finge que respeita, mas no fundo todos sabem: trata-se de um bosta que não tem a menor intimidade com a brincadeira. Sempre que perder a bola, vai gritar, chorando, pedindo falta. E os moleques se entreolham, e pensam: “bom, a bola é dele…”.

É assim que essa gente sobrevive. Eles precisam se fazer de vítimas, para ganhar notoriedade e respeito. No Brasil, esse time genérico adota o nome de São Paulo Futebol Clube. Time de merda, como os de seus “co-irmãos”. Um pouco mais sujo, pois se aproveitou da ditadura militar para poder erguer seu patrimônio e angariar os títulos que não conseguia. Não adiantou nada. Porque ninguém mais respeita.

Todo mundo sabe que é puta: é pegar o que quer ali, e depois voltar para casa.

Quando cresce, o garoto meia-foda, enjeitado pelos amigos, é o primeiro a se dar bem: papai paga um curso de fachada e ele já começa de gerente. Mandando naquela gentalha que torce para os outros times… E aí ele pode destilar sua vingança.

STJD, FPF, GLOBO, FSP, LANCE, MP, PQP…. se apoiam em qualquer lixo que possam comprar para afirmar sua existência.

Mas nós (Palmeirenses, lusitanos, corinthianos e peixeiros) faremos tudo para que o riquinho não nos leve embora a bola, que nos deixe brincar.

E assim eles sobrevivem!

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Nossa Família

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Tudo certo, então tá: antes que espante os mais lúcidos e inteligentes do que eu do convívio dessa página, vou me lembrar da lição de casa… Até onde me lembro, não se deve nunca generalizar um conceito – aprendemos isso em algum tempo da vida, seja em casa, na rua ou na escola; comprovamos que jamais devemos pintar um conjunto de idéias com a mesma cor, sob o risco de começarmos a acreditar, sem percebermos, em uma verdade única ou superior. E os grandes ditadores da História, bem como alguns adolescentes americanos, já nos mostraram o perigo que a humanidade corre quando alguém, com mais ou menos poder bélico, acredita em uma só verdade – ou ainda em nenhuma.O irônico é que se todos vocês concordam comigo, passamos a acreditar na mesma verdade… E sob a luz dessa verdade unânime, lembremos que há sempre, pelo menos, dois lados – duas vias para serem escolhidas. Ou seja, temos que admitir que há gente decente na imprensa, ou em casa de Madame, ou no Ministério Público, ou até mesmo dentro da corporação da PM, em algum corredor de suas instâncias. E, supondo que há gente de bem em todos esses órgãos, vamos imaginar também que ali e acolá trabalhem alguns palmeirenses entre Elas (não que ser palmeirense tenha relação com ser decente, por favor).

É desnecessário afirmar que não acreditamos que o mundo está contra nós, sempre depositaremos fé no ser humano por princípio (somos humanos também, falíveis também). Não estou falando um amontoado de obviedades?

Por que então o Palmeiras, através de quem o representa, não combate seus inimigos no campo deles?

Por que o colunista esportivo palmeirense tem vergonha de se revelar – ou ao menos de fazer justiça ao Palestra? O que ele procura esconder, lançando mão quase sempre do expediente de esculachar nosso time? Por que o cartola palmeirense da Federação diz que nossa casa não presta, e nos sabota tanto ao invés de, pelo menos, ser isento? Por que nossa diretoria nos vende aos cambistas e expõe nossos portões à fúria das massas e da mídia – e nosso torcedor ao risco de vida?

Se há gente boa lá fora, então tá. Mas vou continuar atirando merda para todo lado, até que essa bosta atinja alguém decente que acorde e me faça pedir desculpas. A dita Mídia Palestrina foi o veículo que a família palmeirense desenvolveu para poder trazer o esgoto à tona, mostrar essa podridão à luz do dia, de contar o que sabe, de esclarecer palmeirense mais incautos e… e?

Bom, se for só isso, é punheta.

Se os relatos de Barneschi – assim como tantos outros gerados em forma de comentários em seu post – ficarem dentro dessa comunidade, então picas! Ali tem gente que foi ao estádio, tem testemunha, tem vítima. Tem lesão corporal, tortura. Do outro lado da minha tela tem advogados, líderes de entidades, jornalistas, gente que lida com gente, porra… Eu que sou louco quando escrevo sempre a mesma coisa, ou o outro lado é que se cala?

Quanto mais eu procuro, vejo que o único que pode fazer algo pelo Palmeiras é seu torcedor. E depois de domingo, temos que fazer por nós mesmos, pela vida dos nossos filhos que um dia frequentarão aquele estádio. Ou eles terão também que lidar com a fúria que sublima do ódio destilado de Madame? E a que nível vai estar esse ódio – quanto seu filho aguenta?

Mais quantos ataques o Palestra Itália pode aguentar em sua história? Eu sei que o momento é de festa, mas é no doce da festa que as moscas se juntam… Eu só sei escrever mesmo, não tenho um puto também, então punheta pra mim. Mas faço dessa página um espaço aberto, para que os mais preparados (ou posicionados) pensem em uma forma de levar esse abuso de poder, essa maldade e esse ódio ao conhecimento da sociedade de uma maneira eficiente. Insisto: à sociedade como um todo, àquele indivíduo que se hipnotiza com a menina na janela, porque entre a gente já foi tudo revelado.

E porque a nós, só nos resta nós mesmos.

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Deixo abaixo três textos que vão desagradar muita gente que nos acompanha; depois disso, perdoem-me se não atualizar a página com a frequência costumeira, pois estou com nojo do Palmeiras. E nojo de São Paulo, e nojo de quase tudo.

Pensei bem antes de postar essas reflexões, mas é o seguinte: um blogueiro amador é um abnegado. Gasta horas e dias de sua vida para construir um veículo de informação virtual, e muitas vezes nem ele tem idéia exata da validade e pertinência do que escreve, sob a ótica de quem lê, isso quando os leitores o visitam. Portanto, tanto esforço só pode ter uma jóia de valor: penso que esse é o único espaço do mundo onde posso dizer o que quero, do modo que acredito, sem ser obrigado a me adequar a nenhum juízo moral que não seja o meu próprio. Portanto, lá vai meu ódio destilado – e me perdoem os que se sentirem ofendidos:

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1) O resultado de hoje era tão óbvio que não me deixou triste: o Palmeiras não merece ser campeão. É verdade, ainda é possível, nesse campeonato equilibradíssimo, onde o líder é medíocre em campo e aqueles que o seguem não fogem da burocracia da bola. Podemos chegar lá. Mas é o seguinte, seria uma injustiça, porque esse time não merece o penta. E explico:

Temos uma torcida maravilhosa, e é só isso que me entristece. Mas essa torcida foi tratada como lixo pelo próprio clube, desde a primeira rodada em que foi mandante. Disseram que não éramos bons o bastante para torcer pelo Palmeiras no Palestra, e tentaram aumentar o ingresso para R$40,00, para ver se gente melhor apareceria no campo. Não deu. Voltaram atrás, mas não muito: ainda sustentamos o ingresso mais caro do Brasil.

Esse ingresso inflacionado tem uma razão de ser, e a razão não é a nova realidade do mercado da bola, onde a bilheteria deve representar importante fonte de renda ao clube. O verdadeiro motivo dessa cobiça nos foi revelado logo após a final do Paulista (onde a diretoria deixou a polícia nos espancar na fila dos ingressos, que sumiram, e ainda dentro do Parque Antarctica, já no segundo tempo da finalíssima): há gente lá dentro, como o Sr. Pica Pau, o sr. Ebem Gualtieri e o Sr. Palaia (alô, Conrado, estou tentando separar o joio do trigo…) que tem uma relação para lá de obscura com a empresa de fachada dos irmãos Balsimelli, como já cansou de mostrar o bravo Barneschi.

Os ingressos adentram a diretoria, somem das bilheteria e reaparecem em massa nas mãos dos cambistas.

Alguns são falsos, confeccionados pela própria BWA, coisa já fartamente comprovada.

O Palestra lotado é sempre uma ilusão de ótica: por mais que o torcedor não encontre ingresso, em todo jogo 1000, 2000 ingressos são “devolvidos”, segundo a lenda de quem desvia a “féria” de domingo.

Se o torcedor associado reclama, conselheiros ameaçam-no de expulsá-lo do clube, como fizeram com o amigo Ademir – que tirou foto e registrou o fato, na final contra a Ponte.

Mas, na hora do jogo, foda-se o Palmeiras. Porque, durante os dias que antecederam alguns embates, nesse torneio, ficou bem claro que havia a intenção de se prejudicar nossa equipe. Ou pelo fato do adversário criticar a arbitragem e botar pressão, ou pelo fato do STJD instalar o terrorismo na cabeça do nosso elenco, ou pelo fato da imprensa querer causar um clima de guerra onde só havia paz. Mesmo assim, essa diretoria passiva viu o Palmeiras ser roubado em casa domingo passado, ser humilhado pela arbitragem em seus domínios, e não reagiu, nem na quarta-feira.

Como uma puta que apanhasse para devolver o dinheiro ao cafetão. Quando ele bate e toma a grana, ela não reclama. Só chora.

Nesse sábado, como já havia nos alertado o 3VV, escalaram o mais caseiro dos caga-regras para conduzir nosso jogo. O cara havia apitado 12 ou 13 jogos: 30 pontos para o mandante e apenas 6 para os visitantes, se não me falha. Três desses pontos como visitante foram para o SPFW, jogando na Bahia, contra aquele time cujo nome não entra nessa página. Jogos do Fluzão? Nenhum: esse foi o primeiro. O cara veio de Brasília para fazer o que fez, com uma missão a cumprir. Porque o Palmeiras pode ter se perdido em campo, bobeado na marcação, mas aquele primeiro gol… Eis o que ocorreu:

Na batida da falta, a bola era do Marcos. Mas apareceu Washington, matador certeiro em jogos decisivos, na frente do Santo, sem marcação alguma; então Marcão novamente teve de agir como zagueiro (fato recorrente no certame), e desviou sua atenção para o atacante, se esquecendo da bola. Já o avante, quando percebeu que não conseguiria desviar a redonda, esticou acintosamente o braço, ludibriando nosso arqueiro, que tentou prever a trajetória da pelota no lance.

Qualquer juíz sério invalidaria a jogada e premiaria o “coração de leão” com um amarelinho. Agora, o fdp é Washington, o Flu, o juizão que tinha um trabalho a cumprir? Não, né… Se por aqui sabíamos o que aconteceria (palmas ao 3VV novamente) e ainda tentamos avisar (como no domingo passado), por que raios aqueles caras que desviam dinheiro do Palestra não perceberam? São burros? Ou estão cagando para o Palmeiras?

Claro, novamente, vamos separar o joio do trigo, porque há ali gente séria, gente de bem: assim me parecem ser Toninho Cecílio, Cipullo, Belluzzo e sua trupe. Só que o problema é mais embaixo: de boa intenção, os times pequenos estão cheios… De covardia, também. Precisamos de um homem lá, cacete! Um cara que levante a voz e intimide a imprensa e os tribunais, como Eurico Miranda fez a vida toda para defender o seu time, estando ele com a razão, ou não. Ele amava seu clube e demonstrava isso, por isso ficou tantos anos no poder sem ser incomodado.

Disse isso outro dia e fui mal compreendido: se é para ver meu time dominado por uma facção comprometida, que não cuida da receita que adentra no clube, melhor seria ter um ditador com o saco roxo, que subverte a ordem vigente para ver o time que ama levantar a taça.

Porque não está resolvendo nada nos fiarmos naqueles cagões de fala mansa e paletó, que se escoram nos aportes de capital (conquistados graças ao patrimônio imenso do Palmeiras) para venderem a imagem de uma administração moderna. São bundões, só isso. Covardes, covardes….

Por esses motivos, e ainda pelo fato de termos uma equipe irregular, inconstante, que não sabe se impor nos momentos decisivos, não merecemos ser campeões brasileiros nesse ano. Se você não se convenceu ainda, analise comigo:

11ª Rodada: Madame 2 x 1 Palmeiras, nem entramos em campo;

13ª Rodada: Goiás 3 x 2 Palmeiras, quando os goianos lutavam contra o descenso;

21ª Rodada: Internacional 4 x 1 Palmeiras, um dos poucos trunfos do Colorado até então;

24ª Rodada: Palmeiras 0 x 3 Ixpót, em casa, depois de tudo que engolimos deles;

31ª Rodada: Fluminense 3 x 0 Palmeiras: nunca vi um campeão com essa campanha.

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2) Attecchiri era um sobrenome engraçado, motivo de piada para o amigo desde os tempos do primário, como se esse também não levasse um sobrenome hilário, herança de sua terra natal: Abbagliato.

Desde os tempos de colégio, da “era da inocência”, percebiam uma empatia entre si, uma disposição de espírito muito parecida, o desejo de construir a própria saga, de levar a cabo o ideal aprendido nas aulas de História e nos jantares com os avós: Veni, vidi, vici, a inspiração máxima do romano Júlio César.

O problema, no entanto, era sempre o mesmo: na hora de empreenderem seus objetivos, sempre se entrepunha a mesma discordância entre os dois. Attecchiri queria fazer as coisas só do seu jeito, com muita calma e sempre de um modo ortodoxo e pouco amigável. O outro, por sua vez, quando tinha uma idéia, queria vê-la em prática, sem analisar as consequências, custasse o que custasse. Abbagliato não parava muito para pensar: era sempre agora, ou nunca.

Assim, sem conseguirem jamais chegar num acordo, foi questão de tempo até que a vida os afastasse, não sem antes promover uma enorme mágoa no coração dos dois. Logo, um e outro não podiam mais se ver, pois a raiva falava mais alto e as nuvens do céu se acumulavam densas.

Curioso é que seus defeitos serviram de mola propulsora para que crescessem na vida e, enfim, alcançassem o sonho de ser maiores que tudo e todos; fizeram sucesso na vida, ambos, e causaram muita inveja. Abbagliato, lógico, foi quem saiu na frente. Com sua disposição e garra inigualáveis, conquistou um sem-número de admiradores apaixonados, a ponto de poder sempre contar com eles quando um problema se apresentava. Por sua vez, Attecchiri, embora demorasse um pouco mais para chegar onde queria, foi muito mais longe do que sua família poderia sonhar… Fez tudo aos poucos, com o capricho e esmero que lhe era peculiar; inovou a roda do mundo em seu meio de trabalho, sendo pioneiro e perfeito em quase tudo que construiu. Teve sua estrada coberta de louros, e também conquistou a admiração dos seus, que passaram a amá-lo cada vez mais, sentindo um orgulho sem tamanho do filho pródigo.

Mais curioso ainda foi quando ambos finalmente perceberam que os mesmos defeitos que os acompanhavam (e que os impulsionaram na vida) também poderiam ser sua desgraça. Attecchiri pagou caro por seu caráter passivo, sua crença no “deixar levar”, pois quem mais o invejava sempre se aproveitou disso para tentar roubar o que era seu. E Abbagliato, com seu impulso incontrolável e a mania de achar que era maior que o mundo, deixou escapar importantes conquistas em sua vida, por se cobrar mais do que devia.

No entanto, não vamos fugir à história: quis o destino que os dois, na idade adulta, fossem morar no mesmo prédio. Pior do que isso (só podia ser brincadeira de Deus, que não tem mais o que fazer), foram parar no mesmo andar. Vizinhos de porta. E logo na primeira vez em que se reencontraram, o ódio falou mais alto que os antigos sonhos de criança.

A parti daí, passaram a competir um com outro de maneira frenética: ambos queriam voltar para casa ostentando um sucesso maior do que o conquistado pelo rival. Porque, mesmo naquelas cabeças adultas, sobrevivia a lógica do primeiro orgulho: quem obtivesse mais glórias, conquistaria também a razão sobre os argumentos da infância, os mesmos que os separaram irremediavelmente.

Assim competiram por anos a fio, e venciam sempre na vida, motivados por suas crenças. Até que um dia Attecchiri se deu muito mal… Sua complacência e vaidade finalmente cobraram seu preço: o grande italiano perdeu quase tudo que tinha e teve que se mudar dali, para a glória e gozo de Abbagliato, que fez grande quizumba em seu apartamento: enfim havia vencido.

Attecchiri, com poucos recursos, mudou-se para o andar de baixo, em um cômodo apertado, triste e humilhado por ter se deixado empobrecer desse jeito. Mas sobrara ainda seu coração, que era nobre, e seu sangue, que era ruim. Assim, em pouco tempo, ele refez sua vida, sua fortuna, e retornou à sua casa, para a decepção do rival.

E foi quando voltou para seu lar que Attecchiri notou a mudança no antigo amigo: Abbagliato, sem poder saber de sua vida por conta da distância, parara de se empenhar no que sabia fazer melhor: ser grande, ser guerreiro. O italiano lhe fizera falta… Então sorriu de canto de boca, esperando a hora em que o vizinho afundaria, para vibrar também.

Não demorou muito: tendo perdido o tino de sua própria nobreza, Abbagliato meteu-se em negócios escusos, meio sem saber – mas sabendo. Vendeu sua alma e teve sucesso momentâneo, e todos voltaram sua atenção para ele, que fazia festa: estando o rival na porta do lado ou não, ele ainda tinha mais glórias para mostrar.

Só que uma hora “a casa caiu” e a falta de lisura dos empreendimentos em que Abbagliato se metera trouxe os problemas à tona, e a polícia até sua casa. Viu tudo que era seu ser confiscado, mas não se desesperou. Tendo um patrimônio inigualável, a fé cega daqueles que o amavam, calculou que nada de mal lhe aconteceria. Passou ainda algum tempo debochando do vizinho, mesmo em meio à penúria, alardeando ao prédio inteiro que jamais se mudaria: ele não era Attecchiri, e Attecchiri era menor.

Mas, não obstante o choro dos que lutavam por ele, Abbagliato enfim quebrou, e teve que se mudar. Por ironia, aquele apartamento um andar abaixo, baratinho e sem janela, estava novamente vago. E para lá Abbagliato foi, engolindo seu orgulho.

Foi a vez de Attecchiri comemorar e ficar embriagado: – La vendeta!, gritava com toda força que havia em seus pulmões, para que Abbagliato o ouvisse lá embaixo. E teve também seus momentos de glória, a partir dali – enriqueceu mais, a exemplo de Abbagliato quando estava em sua posição.

No entanto, logo Attecchiri sentiu um vazio em seu peito. Por mais sucesso que conquistasse, faltava-lhe alegria, e ele não sabia a causa disso. E logo foi se acomodando ao que já tinha, deixou de lado seu capricho com as coisas, parou de lutar, de defender o que era seu… Às vezes ouvia Abbagliato gritar qualquer coisa lá de baixo e sentia uma pontada que lhe esquentava o tórax, reavivando seu interesse pela vida. Mas, sem saber mais das coisas daquele que odiava, parou de se preocupar em entender o porquê.

Enquanto isso, Abbagliato não se deu por vencido. Sabia que tinha de lutar cegamente pela vida e que, se o fizesse, nada o deteria. Logo na primeira oportunidade, ganhou outra vez grande fortuna e voltou ao lar que deixara. Anunciou a proeza ao rival dando outra grande festa, como era de seu feitio.

O que aconteceu nesse momento é o que torna a história mais interessante: Attechiri não andava feliz consigo, tampouco com o mundo – e se guardava em casa, cultivando seu mau-humor de berço. Pois, justamente naquela hora, Abbagliato decidiu comemorar seu retorno, abrindo as portas de seu antigo lar para os milhões de amigos, fazendo um estardalhaço que não permitia ao rival ruminar sua enorme tristeza.

A música era um atentado aos ouvidos de Attechiri, que ainda achava as visitas de mau gosto e o barulho muito alto. Nesse dia ruim, disse: – “Chega!“, e irrompeu pelo corredor do prédio, pronto a soltar todos os impropérios que conhecia nas orelhas daquele cazzo’n culo. Foi quando a roda completou seu giro…

Quando enfim deu de cara com o rival, disposto ao enfrentamento, percebeu que o antigo amigo o olhava de outro jeito, com um misto de estranheza e revelação. E com Attechiri sucedeu-se o mesmo: viu no olhar do vizinho uma dor perene e o peso dos anos. Sem que se dessem conta, aquela empatia da infância reavivara sua chama, e os dois relembraram em silêncio os velhos dramas.

Houve um tempo em que não eram inimigos, e seus ideais eram parecidos.

Houve um tempo em que os dois eram cientes de sua grandeza – e se uniram muitas vezes, no passado, contra aquela gente vazia e sem alma, sem talento e sem amor, que os invejava e os tentou derrubar tantas vezes.

Houve um tempo em que o inimigo era comum, e o que havia entre os dois era só orgulho e dignidade, e isso os fez ganhar o mundo. Tudo isso compreenderam ao mesmo instante e, embora calados, um pressentiu no outro aquele brilho no olhar:

Estamos juntos outra vez, unidos pelo antagonismo que nos criou. Como preciso de você…

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Então Abbagliato perguntou, de queixo erguido, em tom de ameaça:

– O que é que você quer aqui?

No que o outro respondeu, antes de se virar e ir embora:

– Só vim dizer que sua festa está uma merda.

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3) Tentei o quanto pude deixar minhas convicções políticas longe dessa página. Mas, como não consegui mesmo, agora vou chutar o balde:

Admito que um alienado, daqueles que adoram dizer “político é tudo igual”, vote no Kaxab. Afinal, quem não tem personalidade é levado pela corrente, é uma lei mundana. Agora, o sujeito que se interessa minimamente pelos assuntos da cidade em que vive, que assisitu algum dos debates, vir me dizer que vai votar na Arena?!

Então repito o que já disse em outros fóruns de discussão: São Paulo é a contramão do Brasil. É a marcha-ré do Brasil… 80% do povo dessa nação acham o governo petista bom ou ótimo mas, por aqui, o ranço dos quatrocentões infecta a classe média, que elege um ratinho de Maluf, um candidato do PFL, mesmo sabendo que a Marta é melhor. E o faz por dois motivos bem simples.

Primeiro: A elite de São Paulo é o cancro desse país. Para ficar claro: a elite de São Paulo é o cancro desse país. Se alguém pulou a linha: a elite de São Paulo é o cancro desse país. Sempre que um governo democrata, com visão social, governa essa cidade, eles se enervam e votam baseados no ódio que nutrem pela sua própria gente.

E São Paulo desconhece o Brasil. Eles têm raiva de Marta, porque ela deu condições dignas de vida para gente desprovida de tudo, e isso ameaça a classe-mediazinha de saco rendido e mesquinha. O cara não tem um projeto de governo, e quem vota nele sabe disso. Como votou no Pitta e no Maluf sabendo disso. Gente podre, gente nojenta e desprezível. É em meio a esse povo que vivo. Vão eleger um coronelzinho só pelo prazer de verem os pobres se ferrarem, mesmo que se fodam juntos. Gente pequena e imbecil…

Segundo: Eu prefiro uma puta assumida que solta um “relaxa e goza” para a classezinha que viaja de avião, do que uma bicha enrustida que chama o povo de vagabundo diante das câmeras. E qualquer pessoa sensata prefere também. Escolher o Kaxab entre os dois é assinar uma confissão de impotência e dizer bem alto: “Sou um cuzão conservador que tem medo de mulher”.

Não é à toa que republicanos e pastores dão o cu escondidos.

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