Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Jogo das Barricas’

.

25/04/2008

Ela faliu em 1935.

Ela faliu em 1938. Então Palestra Itália e Corinthians entraram em campo no intuito de angariar uma esmola para seu presidente (conta-se que Porfírio da Paz transitava humildemente entre as duas torcidas da cidade, com sua bandeira esticada, pedindo e colhendo moedas).

Em 1942, a Grande Cafetina se aproveitou da declaração de guerra do Brasil contra o Eixo para confiscar bens e patrimônios das três maiores colônias que migraram para esse estado (alemães, italianos e japoneses), que prosperaram com o suor de seu trabalho, enquanto Ela mamava na pica da ditadura militar. Tentou ainda a todo custo tomar o Palestra Itália, mas essa história conhecemos bem.

Em 1944, Ela, que jamais possuíra patrimônio algum, conseguiu finalmente roubar um estádio, o da “Deustsch Sportive“, conhecido hoje como Canindé – e registrou em cartório, em nome de Cícero Pompeu de Toledo. Vendeu em estado de abandono, onze anos depois, para um conselheiro-laranja.

os rastros

os rastros

caninde01

Sede do Canindé e pista de atletismo, 1944 (Rev. São Paulo #14).

.

Nada melhor do que um site bambi e concorridinho para nos contar sua própria história. O escrevente tenta achar alguma glória enquanto narra o episódio, mas não consegue. Clicando na foto, você pode ler a página com todo seu cinismo exposto; aqui destaco somente os pontos mais contundentes desse evento, nas palavras de um leonor que não pode se esquivar:

.

De 1942 à 1955 o São Paulo Futebol Clube foi proprietário da área de 70 mil metros quadrados conhecida por Canindé (onde se ergue hoje o Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte, da Associação Portuguesa de Desportos).

Anteriormente o local pertencia a Associação Alemã de EsportesDeutsch Sportive, a qual vendera a propriedade ao Tricolor sob imposição de condições específicas (…)

Nota do Cruz – o autor, então, explica-se em outro texto, linkado na página:

Fatalmente a proposta financeira que concluiu essa transação estava abaixo dos valores de mercado, visto que pelo cenário político, impossível ser de outra forma – qualquer posse ligada ao Eixo assim estava desvalorizada, visto que o Governo Federal podia desapropriá-la a custo zero!

NC – Retomando a pérola:

Durante todo o período em que esteve sob égide são-paulina, o Canindé nunca recebeu um jogo oficial do clube (…)

Em 1952 o São Paulo partiu para seu maior empreendimento, a construção do Morumbi. Assim, em 1955 o clube vendeu a um conselheiro, Wadih Sadi, a sede do Canindé. Entretanto, lá permaneceu, sob autorização do novo dono, até 1956, quando a propriedade fora revendida para a Portuguesa de Desportos (…)

Enquanto tricolor, o Canindé não possuía arquibancadas (pois como dito, não recebia jogos). Coube à Portuguesa a construção das mesmas, posteriormente.

.

Foto de janeiro de 1944 pertencente ao arquivo do São Paulo mostra o então presidente Décio Pedroso assinando a escritura da compra do terreno do Canindé. Ao seu lado Adulcinio dos Santos, Paulo Machado de Carvalho (de camisa clara), Cicero Pompeu de Toledo (primeiro da esquerda para a direita) e Porfirio da Paz (primeiro da direita para a esquerda)

Foto de janeiro de 1944 pertencente ao arquivo do São Paulo mostra o então presidente Décio Pedroso assinando a escritura da compra do terreno do Canindé. Ao seu lado Adulcinio dos Santos, Paulo Machado de Carvalho (de camisa clara), Cícero Pompeu de Toledo (primeiro da esquerda para a direita) e Porfírio da Paz (primeiro da direita para a esquerda)

texto e legenda: site do MN

.

E foi assim que o Deutsche Sportive morreu, assistindo ao extermínio de todos seus esportes amadores sendo perpretado por uma gente oportunista, usurpadora e historicamente preguiçosa. O clube foi delapidado por um conselheiro e vendido à Portuguesa quando já estava abandonado. E sabem o mais interessante disso, sabem o porquê de eu ter escolhido este site para comprovar o que de fato ocorreu (além, é claro, da legitimidade que me foi dada por um autor são-paulino que se diz embasado na História)?

É porque, se você for procurar a trajetória do Deutsche Sportive no Wiki, descobre que o moço aí em cima é quem fornece as informações: ali, onde os jovens de hoje mais consultam referências (para diferentes fins), só há a versão do menino orlandinho… Daí, vendo a coisa distorcida contada por ele, começamos a entender essa massa de alienados que esquenta mais sofás a cada dia. Mas vamos em frente:

.

Em 1950, a imobiliária de Adhemar de Barros conseguiu um empréstimo público vergonhoso (viabilizado pelo então Governador do Estado, deixem-me lembrar… Adhemar de Barros!) para comprar e terraplanar uma gleba na região do Morumbi. Essa gleba foi transformada em bairro e ganhou o nome de Jardim Leonor – uma homenagem singela que remete ao nome da esposa de… Adhemar de Barros.

Então é chegada a hora, meninos: conheçam a musa inspiradora da Boutique:

.

leonor

Madame vela o corpo do marido em Paris, em 03/69.

fonte: IstoÉ

.

Seu perfil, segundo o site oficial do falecido governador biônico:

.

“Foi também uma grande promotora política nas campanhas eleitorais. Liderou a criação do Movimento Político Feminino, fundado em setembro de 1947. Criou o Departamento Feminino no Comitê da Vitória na campanha de 1954. Participava dos comícios, organizava festas e reuniões.”

.

[adendo inserido em 28/12/2008]:
N.C.: Este texto “oficial” enfeita, na verdade, a real importância que a Leonor de Adhemar teve na consolidação do Golpe Militar que depôs Jango Goulart do poder, em 1964. Foi ela a fomentadora da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, como vemos (resumidamente) aqui:

.

A Marcha da Família com Deus pela Liberdade foi o nome comum de uma série de manifestações públicas organizadas em resposta ao comício realizado no Rio de Janeiro em 13 de março de 1964, durante o qual o presidente João Goulart anunciou seu programa de reformas de base. Congregou segmentos da classe média, temerosos do perigo comunista e favoráveis à deposição do presidente da República.

A primeira dessas manifestações ocorreu em São Paulo, a 19 de março, no dia de São José, padroeiro da família. Articulada pelo deputado Cunha Bueno (…), com o apoio do governador Adhemar de Barros, que se fez representar no trabalho de convocação por sua mulher, Leonor Mendes de Barros, organizada pela União Cívica Feminina e pela Campanha da Mulher pela Democracia, patrocinadas pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, o IPES.

.

Muito já foi dito no blogue a respeito desse tempo, dessa gente, desse estádio. Vejamos então uma nota da IstoÉ, que reporta à época da morte de Adhemar e aborda a repercussão do fato:

.

Um dos articuladores civis do golpe militar de 1964, acabou cassado pelo presidente-general Humberto de Alencar Castello Branco. “No fundo, fizemos a revolução contra nós mesmos”, havia constatado amargamente meses antes da cassação. Casado desde 1927 com Leonor Mendes, nos últimos anos de vida Adhemar viveu uma intensa relação com a viúva Ana Benchimol Capriglioni, conhecida nos meios políticos pelo codinome de Dr. Rui. “Ela foi um caso do velho Adhemar, parte de seu último governo”, reconhece Barros Filho. “Quando ele e minha mãe se exilaram na França, ela também o acompanhou.” Em março de 1969, Adhemar morreu em Paris. A fama de sua fortuna era tamanha que, quatro meses depois, um grupo guerrilheiro promoveu um assalto cinematográfico a um cofre com US$ 2,5 milhões, que se encontrava em poder da família de Ana Capriglioni.”

..

Apenas para situar melhor o leitor mais novo no contexto que descrevemos: a foto de Adhemar que encontrei à venda no Mercado Livre, datada dos áureos tempos de seu populismo, fala por si só: diria que dispensa comentários, mesmo…

.

adhemar

.

Em 1951, Ela colocou na tesouraria de seu clube o Sr. Laudo Natel, político muito ligado a um certo Adhemar de Barros. E, como toda sorte de pressão sobre o prejeito Jânio Quadros havia falhado (Madame queria a área do Parque Ibirapuera para construir um estádio), o velho Adhemar resolveu a questão como pôde: o Governo do Estado doou uma área de aproximadamente 90 mil metros quadrados em uma região inabitada conhecida como…. Jardim Leonor! Por esses lados, não havia povo e ninguém se deu conta, e Laudo aceitou de bom grado o presentinho do governador.

.

Privadão inóspito, 1960

Privadão inóspito, 1960

.

Vale ressaltar, ainda, que qualquer doação de terreno público requer uma contra-partida para toda a comunidade, responsabilidade da qual Madame não se furtou em 04/08/1952, quando assinou esta Escritura Pública de Doação, já amplamente divulgada pelo movimento Morumbi Cidadania. A associação de moradores quer quer o clube cumpra alguns deveres do qual vem se furtando há 56 anos:

.

escritura

.

Nem estacionamento, nem parque infantil. Mas é importante demonstrar que esse desprezo pela própria comunidade que abriga o clube não foi um fato pontual, nem casual, como nos mostra o JT de março desse ano:

.

"Cagar na cabeça" daqueles que a ajudaram lá atrás é um traço recorrente no caráter de Madame.

"Cagar na cabeça" de quem a ajudou no passado é uma característica recorrente da índole de Madame

.

História bonita, não? Edificante! Vamos pular então alguns anos, somente para que ela não fique enfadonha, com esse pobre cronista tendo que repetir sempre os mesmos nomes:

Em 1966, o Governador de São Paulo, Adhemar de Barros, é afastado do cargo por corrupção. Assume então seu vice, o Sr. Laudo Natel, à época presidente do SPFW. Claro que este senhor de sorte não se desfez do primeiro emprego: foi, assim, presidente de clube e Governador do Estado ao mesmo tempo, em plena ditadura militar. Com tamanho poder em mãos, ele achou por bem convocar os alunos da rede pública, que precisavam de verba para realizarem suas formaturas, para venderem o famigerado “carnê Paulistão”, cujo dinheiro foi desviado em boa parte para se viabilizar a construção do Panetone Cor-de-rosa.Nessa época, também quem precisasse de um empréstimo bancário não saía do Banco Brasileiro de Descontos (hoje Bradesco) sem ser achacado por algum gerente que o fazia adquirir várias cotas do “Carnê Paulistão”.

E, novamente, continuar seria inútil. Porque podemos ouvir e ver a verdade na voz e nos gestos de Gardenal:

.

prova1

os rastros

.

Depois de assisitr esse vídeo, vale a referência: aqui vai uma informação retirada da página da própria torcida alienada. Façam as contas da quantidade de dinheiro público desviado:

O volume de concreto utilizado é equivalente à construção de 83 prédios de dez andares. Os 280 mil sacos de cimento usados, colocados lado a lado, cobririam a distância de São Paulo ao Rio de Janeiro.”

,

Já em 1970, para tentar tirar a Madame da seca, o Governador Biônico da Ditadura Militar e presidente do SPFW sentava-se no banco de reservas das moças durante jogos decisivos, para poder intimidar o pessoal da arbitragem (nota: qualquer semelhança com a atitude de qualquer coronel de hoje, ali na linha de fundo, deve ser mera coicidência); na final contra a Ponte Preta, quando seu time perdia, o ditador desceu de helicóptero no meio do gramado e foi direto ao vestiário dos árbitros. E foi assim que conseguiram se livrar de uma fila de 13 anos, desfazendo a vantagem da Macaca em uma das finais mais absurdamente roubadas do futebol paulista, dentro da Bambineira, sob o olhar atento do chefe de governo.

[Aqui, em 06/12, faço um adendo] para inserir o texto veiculado esse ano pelo Correio Popular de Campinas, e agradeço ao vigilante amigo Ademir pelo envio:

.

.

Em 1971, essa pressão surtiu efeito novamente. Não é mesmo, Armandinho?

Os que já leram Souvenirs de Madame podem pular o trecho em destaque:

______________________________________

Os rastros

Os rastros: 1970 (o crime é contra a Ponte)

.
Carlos Lacerda e Laudo Natel, o governador biônico e presidente do SPFW que se sentava no banco durante os jogos do seu time para poder controlar os árbitros


Você pode ler a entrevista edificante (cujo trecho reproduzirei) aqui, por completo. Para nossos leitores e amigos, deixo apenas um pedaço bem simbólico, representativo do fermento de alienação que faz inchar a massa leonor; trata-se de uma entrevista de Laudo Natel para o SPNet.

SPNet – No livro do ex-presidente Bastos Neto, ele conta que o Presidente Médici estava receoso de entrar no gramado e ser vaiado devido ao momento turbulento na política brasileira, mas o Sr. o encorajou dizendo que havia “dedicado uma vida para a construção desse estádio e esperava naquele 25 de janeiro esse reconhecimento”. O que aconteceu após a entrada do Sr. e do Presidente Médici em campo?

Laudo – Era a primeira visita do Médici a São Paulo (1970). E convidei primeiro o Costa e Silva, mas ele ficou doente e não pôde vir, até depois veio a falecer. Eu fiquei em dúvida em convidar o Médici, pois já havia convidado o Costa e Silva. Mas o convite é estendido ao Presidente da República, por isso o convidei. O Médici gostava de futebol, aliás ele era são-paulino aqui, acabou vindo. Mas, no dia da inauguração, com o campo lotado, a segurança do Presidente achou que ele não deveria entrar, talvez com receio de ser vaiado. Eu disse a ele: “Presidente, o senhor vai entrar comigo, pois se existe alguém que não pode ser vaiado hoje, esse alguém sou eu. Então, o senhor entra comigo”. Aí, ele aceitou e entrou. Na hora que ele entrou, foi uma ovação do público, deixando-o arrepiado. Tanto é que ele, que já gostava de vir a São Paulo, ficou freguês de vir pra cá. No período em que eu fui governador, ele veio umas vinte e tantas vezes. Mas, a entrada dele foi na inauguração do Morumbi.”

Torcida invejável, né?… Veja uma foto do dia da inauguração do Privadão, em meio à festa repleta dessa gente singela:

.

primeirojogo

.

Recordando: Laudo foi o presidente do SPFW nos anos mais negros da ditadura, indicado pelo então governador Adhemar de Barros. Era o laranja de confiança para o governador, que planejava desviar dinheiro público e fazer concessões ilegais de terreno para que seu clube (com histórico recorrente de falências e nenhum patrimônio) conseguisse ter um estádio. E o fez, logicamente, por intermédio de sua imobiliária.

E, também logicamente, o governador acabou sendo afastado por corrupção, em 1969.

Mas nessa época Adhemar já tinha feito Laudo Natel seu vice. Então o presidente do SPFW e diretor do Bradesco (instituição que mais enterrou dinheiro escuso na Bambineira) tornou-se também governador biônico de São Paulo – em um contexto onde seu time passava por uma seca de títulos, pois, enquanto erguia o anti-estádio, o clube não ergueu nenhuma taça.

Ao todo se juntaram 13 anos de fila e o time leonor chegava à decisão de um Paulista contra a Ponte Preta. E no seu estádio, recém-inaugurado pelo governador biônico, que já havia adotado o hábito de sentar-se no banco de reservas tricolor para intimidar a arbitragem.

Bons tempos da ditadura militar, auge da glória leonor, onde não era preciso sequer colocar um coronel na linha de fundo para intimidar uma bandeirinha.

Era preciso tirar o time mais querido dos barões da fila. Era preciso mostrar isso para a arbitragem, ostentando poder e aparato militar para que a coisa ficasse clara… então, naquela decisão em 70, Laudo Natel foi além e decidiu fazer uma entrada especial: com o estádio lotado, pousou de helicóptero no meio do gramado, cercado de seguranças, e foi direto para o vestiário de arbitragem “cumprimentar” o caga-regras escalado para o jogo, ninguém menos que Arnaldo César Coelho. Sim, o mesmo Arnaldo global que quer nos ensinar que “a regra é clara“.

Não há porque prolongar o texto nessa postagem. Veja o leitor e amigo e julgue por si só o pênalti anotado por Arnaldo contra a pobre Ponte Preta naquela partida, sob o olhar atento do chefe de governo.

Mais um capítulo essencial na história de Madame:

.

______________________________________

.

Em 1981, quando Madame tomava o segundo chocolate do Botafogo pelas semi-finais do Brasileiro, em plena Gaiola das Loucas, a diretoria esperou o intervalo do jogo para mandar ao vestiário do árbitro Bráulio Zannoto três seguranças armados: Brandão, Maurinho e Chitão – que, curiosamente, eram seguranças da Macaca (e foram contratados só para esse serviço). Conta o árbitro que nada fez, além de ajudar Madame a virar o jogo, porque teve medo das consequências…

Para contar melhor esse episódio, novamente recorreremos ao nosso arquivo do “Souvenirs…”:

______________________________________

.

1981 - A vitima é o Botafogo

Os rastros: 1981 - A vítima é o Botafogo

Semifinal do campeonato brasileiro de 1981, SPFW x Botafogo. No primeiro embate no Maracanã, o Bota saiu vencedor por 1 x 0: restava vir para São Paulo e segurar o empate, pois a vantagem era do time paulista em caso de uma vitória para cada lado. Mas Gérson, do Bota, abriria o placar em São Paulo, ainda no começo de jogo, espalhando um balde de água fria no entusiasmo leonor; e em um contra-ataque alvinegro, aos 19 minutos, Mendonça faria 2 x 0, após belíssimo lançamento de Perivaldo. Fatura encerrada?

Se fosse um time de futebol do outro lado, provavelmente sim. Mas se Madame precisa de 3 gols, vai conseguir 3 gols, não importa por quais vias: aos 45 minutos do 1º, após cruzamento na área, Chulapa esbarra nas costas de Gaúcho Coalhada e se atira no chão. Pênalti.

Talvez, não fosse Serginho o protagonista da cena, e o lance poderia até gerar dúvidas, pois Coalhada abriu os braços; mas ali não dava. Quem viu o Chulapa jogar (e lembra do seu “tamanhinho“) sabe que jamais ele seria deslocado daquela maneira, ao contrário, se pudesse fazer o gol, deslocaria quantos marcadores estivessem a sua volta… Mas é pênalti, Chulapa cobra e é gol. O goleiro tenta pegar a bola para retardar o reiníco do jogo; aí Serginho, o frágil, atira o goleiro Paulo Sérgio no chão somente com uma bundada. Reclamação da defesa do Bota, mas o juizão ignora o choro carioca e termina o primeiro tempo.

A senha estava dada: o juíz era covarde, caseiro no mínimo – e então Madame parte para o segundo ato, escrevendo um dos capítulos mais vergonhosos da história do calcio nacional: Assim que Bráulio Zanotto entra no vestiário dos árbitros, percebe a presença de 3 seguranças armados (Brandão, Maurinho e Chitão), todos contratados da Ponte Preta para fazer aquele trabalho esporádico e sujo. Um bandeirinha consegue fugir do vestiário, o outro não.

Alegando que Bráulio estaria “prejudicando” o SPFW, os três desferiram murros em Zannoto, intercalados com chutes no seu tornozelo; um bandeira também apanhou bastante, mas nenhum dos dois teve coragem de parar o jogo ali: voltaram a campo e Ela fez o que quis no segundo tempo, até chegar ao terceiro gol.

Com Zannoto mancando visivelmente.

E, quando fizeram o 3º gol, no placar eletrônico da Bambineira começou a aparecer os horários da ponte aérea para o Rio, mandando o Botafogo para casa. Entre os horários dos vôos, o placar “mandava seu recado”: “Fogão, Fogo, Foguinho, Fumaça, Cinza“.

1981, tempo da ditadura, ainda. Madame já tinha a caneta, escrevia o que queria e ninguém reclamava. Áureos tempos leonores, onde não era preciso sequer manipular procuradores fora de campo.

Anos mais tarde, Bráulio Zannoto contaria em detalhes o ocorrido, dizendo-se arrependido por não ter sequer relatado o que aconteceu na súmula do jogo, pois havia sido ameaçado. O vídeo que você vai ver abaixo é um especial feito pela SporTV com Éverton, herói das meninas naquele embate. Repare em alguns detalhes no vídeo:

1) Veja o desconforto de Éverton ao ser questionado se algum fator no vestiário deu ânimo ao SPFW para virar o jogo; o repórter pergunta claramente a respeito do pré-jogo (já que o Bota ganhara a primeira), e ele responde que, com união, “revertemos uma situação praticamente impossível“. Ou seja, ele responde pensando que o repórter o argüia a respeito dos fatos ocorridos no intervalo.

2) Repare como ele comenta, sem graça, o gol de pênalti anotado por Bráulio. Ele diz “mesmo que foi de pênalti, né?” como quem diz “mesmo com um pênalti daquele…”; note também quanto tempo o narrador e o repórter demoram para acreditar que o juizão realmente havia marcado aquilo.

3) Após o 3º gol, na comemoração, veja que pelo menos dois diretores/conselheiros/seguranças ou sei lá o quê, simplesmente invadem o gramado e se atiram no chão com Éverton para comemorar o feito, na cara do bandeira, que fica atônito e não adverte ninguém (um deles está de calça social marrom e camisa clara, de mangas compridas).

E, finalmente, veja se você daria pênalti naquele lance.

.

______________________________________

.

Poderia continuar até amanhã, destrinchando ano a ano a calhordice dessa gente; Falta o episódio da contraprova de Mário Sérgio, em 1984; tem o Aragão operando o Guarani em 1986; tem o rebaixamento de 1990 que a FPF conseguiu transformar em título paulista em 1991; tem Madame com crise de TPM em 1994, esburacando seu próprio gramado para impedir Palmeiras x Corinthians de realizarem o jogo do título em sua casa…

Mas creio que vocês que me lêem, em sua maioria, têm idade suficiente para não se lembrarem de uma glória ou um título os quais Madame ostenta, que tenha sido ganho na bola, sem a influência sombria da mão que a gente não vê.

De todo modo, deixo abaixo algumas referências importantes sobre caráter Dela, que é preciso consultar para entender porque os “Parmeristas” históricos sempre fizeram questão de nos revelar quem é o verdadeiro inimigo; e inimigo é para ser destruído, não perdoado.

.

A verdadeira história do time do Morumbi“, por Marcelo Nacle

Os verdadeiros bandidos“, por Barneschi

Como se fabrica um campeão“, pelo blog Parmerista

A campanha suja de Madame“, por este Cruz

Morumbi, Não!“, pelo blog homônimo

Pra não dizer que não falei dos erros“, por Secondo Tucci

Souvenirs de Madame, por este Cruz

.

.

Este post foi patrocinado pela S4M5UN6

Read Full Post »

.

Um dia que marcou o início da conscientização das únicas verdadeiras torcidas dessa cidade. Só um start, uma semente, o desejo de desmascarar a mentira e lavar a alma dos que nos colocaram neste mundo.

Foi o Jogo das Barricas, senhores. Foi o primeiro, somente… Nosso marco zero.

Abaixo, deixo para os amigos o texto explicativo bolado por Felipe Gonçalves e distribuido por nós a todos os presentes, antes, durante e depois da partida:

.

Há setenta anos nossos antepassados cometeram um terrível engano.

Uma corja oportunista utilizou a nossa rivalidade para se salvar da própria incompetência.

E assim o Jogo das Barricas foi disputado, sob a égide de uma vergonha que se voltou contra nós em muito pouco tempo.

Com a mão do poder público, intervieram no Corinthians; e com argumentos sórdidos tentaram roubar o Palestra Italia do Palmeiras.

A rivalidade, que havia sido usada como trampolim para a salvação desta corja, era atacada por esta mesma corja.

Não podemos reparar este erro. A História, porém, nos permite um ato de desagravo.

E é isto que faremos nesta tarde.

.

jb11

.

Read Full Post »

.

Antes de mais nada, vamos nos ater a relatar o grande evento desse fim de semana, o JOGO DAS BARRICAS:

Foi uma delícia!… Palestrinos e alvinegros conversando “que nem gente” a respeito de futebol, batendo uma bola, comendo um churrasco, bebendo umas e outras e dando risadas! Provocações e gargalhadas. Foi a coisa como deve ser, pois esse é o espírito do calcio: socializar e unir paixões, viver a vida intensamente, debater emoções. Entregar-se. Foi uma alegria só!

.

O RESULTADO:

13 x 11 para a esquadra gambática. É, perdemos… E, como bom amendoim que sou, vou enumerar, àqueles que não estiveram presentes, os motivos que nos tiraram a vitória nesse projeto-piloto (sim, haverá mais jogos das barricas…).

E toca a corneta:

.

1) Blogueiros maledetos!

Esse foi o motivo primordial do nosso insucesso, pois nossa escalação ficou prejudicada. Disseram que iam, e não foram. Vergonha!!!

Onde estava o “Carcamano goleirão?” Tomei um frangaço histórico – enquanto xingava a mãe dele. Devia estar pagando pau para sua amiga imaginária, a Laís!

Aliás, caso ela exista, um beijão do Raphão!

E onde foi parar o “titiozão”? Parmerista dos inferno!, disse que jogava em qualquer posição, mas não jogou em nenhuma! Empenhado que estava com a turma da Mônica e os planos infalíveis do Cipullinha para virar dono da lua, nem sequer compareceu!

Barneschi e André, ou ForzaPalestra e Blog do Meu Saco, caros irmãos: vão dar o cu na zona!

.

2) As Ronaldetes sairam ganhando de 5 x 0.

Coisa de um gol por minuto. Achamos que ia ser um vexame histórico, mas aí…

…o time da virada começou a reagir e encostar no placar. Sem desistir jamais!

E, quando fizemos 11 (reduzindo a diferença para 2 golzinhos, apenas), começamos a nos comunicar em portunhol coloquial, sabendo que só isso já faz tremer as pernas do adversário.

O problema é que tremeram demais, e os tais alvinegros promoveram então um cai-cai vergonhoso, que impossibilitou a sequência do espetáculo. Todo mundo se machucou e caiu no chão, assim, de repente!… Um vexame, mas a taça é deles.

.

3) Por conta disso tudo, tivemos que escalar dois napolitanossangue-ruim“:

o Luigi e o irmão do Luigi.

E um preconceito histórico impediu, durante toda a partida, que esses dois lazarentos passassem a pelota para os dois calabreses bons de bola, Ademir e eu. Os caras queriam comer a bola, no sentido literal! E aí o jogo não fluiu…

Brincadeiras a parte, foi só um teste, e em Maio-09 a desforra será incrustada na memória dos fregueses! Aguardem e prestigiem novamente (foi um sucesso de público e renda, para um primeiro evento)!

.

O MOTORADIO!

.

Não há dúvidas quanto ao destaque da partida! Toda a crônica esportiva presente elegeu, por unanimidade, Cruz de Savóia como o craque do jogo! Ele leva o Motoradio porque, além dos 3 golaços, foi a alma Palestrina presente no gramado.

“Graças a Deus, a gente tem treinado bastante e esse é o fruto do nosso trabalho. É um trabalho de equipe, seguimos as orientações do professor e o mérito é de todos os jogadores… Vamos seguir treinando forte e concentrados.”, disse o consagrado meia, espontâneo e original como de costume.

“Eu quero dedicar esse rádio ao Senhor Jesus”, completou o 10…

.

AS AMEAÇAS VELADAS…

.

…não se concretizaram. Vejam abaixo uma mui pequenina amostra de e-mails que recebi durante a semana, após a divulgação do evento. Ressaltei os nicknames, que são a cereja do bolo:

.

SS
SS@hotmail.com
189.38.216.58

(…)

Valeu, Raphael. Esperamos lá no jogo , que vc nos passou o local por email.

Vc nao sabe como suas informacoes nos foram uteis.

Estaremos la.

Abraços.

.

KKK
KKK@yahoo.com
189.38.216.58

obrigado pelos dados enviados por email.
Nós estaremos presentes.

.

E por aí vai… Mas não apareceram, as rogérias. Cagaram-se como sempre. Assim como esperaram os 47 do segundo, contra o Goiás, para gritar “é campeão”. Porque se cagam, endemicamente.

Cuzões sem alma, só isso.

Cadê vocês, fofoletes?… Que pena que não tiveram os bagos necessários para aparecer lá… Que pena.

.

Amici, aguardem a publicação das fotos do evento.

..

OUTRAS COSITAS

.

Esse blogue, pelo seu perfil, têm pecado pela omissão. Deixei de comentar duas notas essenciais: o desaforo do blogueiro-laranja contra os autores do Observatório Verde, bem como a AG de sábado no Palestra e suas implicações políticas – dentro e fora dessa Mídia Verde.

Mas tá tudo aqui (na cachola da Calábria). Não posso postar agora, pois, se falar o que penso com o sangue nessa temperatura, aparto meu blogue dessa rede.

E, confesso, é uma coisa que tenho pensado em fazer; continuar falando de Palmeiras e outras coisas, por aí afora – e estava disposto a fazer isso hoje.

Mas por hora vou me controlar, pois o CS não merece sair daqui pela porta dos fundos. O blogue tornou-se maior e melhor do que eu, e tenho que respeitá-lo, coisa que nem todos fazem…

Então, um pouco de paciência, amici… Tudo a seu tempo.

.

Read Full Post »

.

Amici, ‘tava conversando por e-mail com o compositor do Hino do Hexa, que publicamos aqui com exclusividade.

E o cara vai mover mundos e fundos para comparecer ao JOGO DAS BARRICAS e dar uma palhinha pessoalmente! Quer mais?

Bom, ele também é o compositor da belíssima melodia “Quero te ver de Verde”, que há muito está linkada na nossa página MP3. Compareça ao nosso jogo histórico, Palestrino!

.

jb1

Vamos participar, Palestrino!

.

Read Full Post »

.

Venceu por fim o mundo das idéias, o jogo da reparação necessária. Meses atrás nascia o desejo, neste e noutros blogueiros (alviverdes e alvinegros) de promover e realizar um “derby” que representasse um desagravo histórico pelo maior erro cometido por essas duas torcidas.

Há exatos 60 anos, como já foi contado e recontado nessas nossas páginas, Palestra Italia e Corinthians entravam em campo para se apresentar em um amistoso sem precedentes. Num gesto altruísta e fraterno, seus dirigentes convocaram as torcidas para tentar salvar o então falido (pela segunda vez na década) SPFC; durante a peleja, o presidente da Boutique desfilava entre as arquibancadas, esticando aquele bandeirão que homem não gosta e colhendo migalhas, agradecido.

Meu avô jogou moedas para o sr. Porfírio.

Foi em 1938, e o episódio ficou conhecido como o Jogo das Barricas, pois 2 barris dividiam a entrada das torcidas rivais; e, cada uma no seu barril, jogava sua contribuição para o time dos bacanas poder continuar existindo.

Depois disso, um ódio intrínseco acabou de corroer o pouco caráter de Madame, ela que não engole desaforo, quanto mais uma humilhação dessa. Passados apenas 3 anos, uma intervenção federal catapultava um militar são-paulino à presidência do SCCP; mais um ano, e era a vez do Palestra ser atingido em cheio pelo ranço coronelista, quando tentaram roubar nossa casa e acabaram fugindo, não sem antes surrupiar a fita vermelha que ornava nosso manto.

De lá pra cá, foi só essa inveja que se traduz em marquetíngue e golpes baixos, através de tribunais e federações.

Nesse sábado, porém, os rivais se unirão novamente, em um outro amistoso. Também haverá barrica, e Madame será lembrada. Ao contrário de 38, o evento será bem documentado – e espalhado em todos os meios de comunicação possíveis.

Por motivos óbvios de segurança, não podemos divulgar pela rede local e horário. Mas esse post é um convite aos parmeristas conscientes de sua história. Vamos comparecer, prestigiar, comer um churrasco, tirar umas fotos, jogar uma bolinha… E lavar a alma de nosso erro mais infeliz.

Para quem quiser obter informações, nosso mail é esse. Mas você também pode fazer contato e confirmar presença através desses blogues:

.

ademir

.

filipe

.

barneschi

.

claudio

.

Se puder, junte-se à brincadeira, Palestrino! É nesse sábado, é uma questão de honra.

.

Enquanto isso, vamos entrar no CLIMA!

.

Read Full Post »

.

Porque não é o time deles… Os donos de jornal desse estado estão aqui há 400 anos, entende? Sempre, quando o Palmeiras cresce, vem à tona aquele ranço contra o imigrante que veio trabalhar na lavoura deles e não se conformou em ser miserável; que juntou dinheiro, enriqueceu e desenvolveu essa cidade criando indústrias, revolucionando a arte, a política, os costumes e de quebra revelando a miopia do barão – que ainda via um mundo dividido entre quem manda e em quem obedece, o senhor de engenho e o escravo.

No futebol a coisa se agrava; tentaram tirar da mão do povo a diversão universal da bola; compraram e cercaram o velódromo só para eles, restando para todos os outros que amavam o calcio, as várzeas do rio Tietê; criaram um campeonato onde somente os clubes da elite paulistana podiam formar times e impediram, o quanto puderam, Palestra Itália e Corinthians de participarem. Quando o Corinthians conseguiu se inscrever, eles se retiraram da Liga,

ofendidos; quando o Palestra chegou, eles já controlavam a arbitragem e não nos deixavam ganhar as partidas, a ponto do time ítalo-brasileiro se ver obrigado a desistir do campeonato de 1917.

Mas, a medida que uma sociedade plural se formava, a bola saiu de vez do meio-campo daquela elitizinha; o resultado foi que o Paulistano fechou as portas para o futebol em 1930, não sem antes legar ao estado um verdadeiro aborto da natureza, um time nascido da mágoa e do rancor (como de um herdeiro que perdesse a rica herança), o abjeto e repulsivo São Paulo Futebol Clube, time nascido do nojo – e com nojo de tudo e todos.

Sem o dinheiro fácil com o qual se acostumara em tenra idade, o time do resquício não soube se administrar e foi à falência duas vezes, em 1935 e 1938, ano em que Palestra Itália e Corinthians cometeriam o maior erro de suas grandes histórias: organizaram uma partida beneficente, o famoso “jogo das barricas”, onde o presidente leonor passeou nas arquibancadas pedindo humildemente, com uma bandeira esticada nas mãos, uma esmola para seu time não fechar as portas.

Isso só fez crescer a mágoa e o despeito dessa gente; porque não obstante a tudo que fizeram, o Palestra já ostentava o clube mais rico e moderno, na região mais valorizada da cidade, com um estádio de primeira linha. Entende por que o Porco incomoda tanto?

Preste bem atenção nisso… historicamente, eles sempre ruminaram esse ódio: o mais moderno, o mais profissional, o pioneiro, o mais rico dos times de São Paulo sempre foi o Palestra Itália. Isso tudo que você vê e lê hoje na mídia não passa de uma tentativa, dessa gente que se sente inferior aos outros, de compensar o que consideram uma injustiça da História: por isso as palavras “diferenciado”, “moderno”, “rico”, “profissional”, saem tão fáceis da boca despeitada de quem, no fundo, só tem mesmo é inveja.

São palavras de quem nunca teve e jamais teria patrimônio algum, não fossem os anos de ferro da ditadura terem possibilitado, durante algumas décadas, a volta dessa corja mesquinha àquele modelo de poder contra o qual não se podia reagir. E quando voltaram, a primeira coisa que tentaram fazer foi tomar nosso estádio, mas tomaram um pé na bunda e saíram correndo: foram roubar o campo do Germânia e dinheiro do povo.

O Porco incomoda porque, novamente, está prestes a tirar da mão deles o tricampeonato que jamais conquistaram. Tentaram algumas vezes, quase chegaram, é verdade… Em 1947, no Paulista, estavam quase lá – mas o Porco aplicou-lhes um 4 x 3 e destruiu seu sonho. No ano santo de 1950, novamente frustraríamos esse intento; em 1972 fomos campeões invictos do Paulistão, deixando em segundo um também invicto São Paulo, que buscava outra vez o inédito tri.

Eles foram ainda bicampeões regionais em 1991/92, mas Evair, Edmundo e cia. destruiriam pela 4ª vez a ambição leonor de ostentar um tricampeonato. Sobraram os trinetos do barão, desesperados, antevendo nas redações que, pela 5ª vez na História, nós frustaremos seu intento. E dessa vez em um Nacional.

.

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: