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25/04/2008

Ela faliu em 1935.

Ela faliu em 1938. Então Palestra Itália e Corinthians entraram em campo no intuito de angariar uma esmola para seu presidente (conta-se que Porfírio da Paz transitava humildemente entre as duas torcidas da cidade, com sua bandeira esticada, pedindo e colhendo moedas).

Em 1942, a Grande Cafetina se aproveitou da declaração de guerra do Brasil contra o Eixo para confiscar bens e patrimônios das três maiores colônias que migraram para esse estado (alemães, italianos e japoneses), que prosperaram com o suor de seu trabalho, enquanto Ela mamava na pica da ditadura militar. Tentou ainda a todo custo tomar o Palestra Itália, mas essa história conhecemos bem.

Em 1944, Ela, que jamais possuíra patrimônio algum, conseguiu finalmente roubar um estádio, o da “Deustsch Sportive“, conhecido hoje como Canindé – e registrou em cartório, em nome de Cícero Pompeu de Toledo. Vendeu em estado de abandono, onze anos depois, para um conselheiro-laranja.

os rastros

os rastros

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Sede do Canindé e pista de atletismo, 1944 (Rev. São Paulo #14).

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Nada melhor do que um site bambi e concorridinho para nos contar sua própria história. O escrevente tenta achar alguma glória enquanto narra o episódio, mas não consegue. Clicando na foto, você pode ler a página com todo seu cinismo exposto; aqui destaco somente os pontos mais contundentes desse evento, nas palavras de um leonor que não pode se esquivar:

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De 1942 à 1955 o São Paulo Futebol Clube foi proprietário da área de 70 mil metros quadrados conhecida por Canindé (onde se ergue hoje o Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte, da Associação Portuguesa de Desportos).

Anteriormente o local pertencia a Associação Alemã de EsportesDeutsch Sportive, a qual vendera a propriedade ao Tricolor sob imposição de condições específicas (…)

Nota do Cruz – o autor, então, explica-se em outro texto, linkado na página:

Fatalmente a proposta financeira que concluiu essa transação estava abaixo dos valores de mercado, visto que pelo cenário político, impossível ser de outra forma – qualquer posse ligada ao Eixo assim estava desvalorizada, visto que o Governo Federal podia desapropriá-la a custo zero!

NC – Retomando a pérola:

Durante todo o período em que esteve sob égide são-paulina, o Canindé nunca recebeu um jogo oficial do clube (…)

Em 1952 o São Paulo partiu para seu maior empreendimento, a construção do Morumbi. Assim, em 1955 o clube vendeu a um conselheiro, Wadih Sadi, a sede do Canindé. Entretanto, lá permaneceu, sob autorização do novo dono, até 1956, quando a propriedade fora revendida para a Portuguesa de Desportos (…)

Enquanto tricolor, o Canindé não possuía arquibancadas (pois como dito, não recebia jogos). Coube à Portuguesa a construção das mesmas, posteriormente.

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Foto de janeiro de 1944 pertencente ao arquivo do São Paulo mostra o então presidente Décio Pedroso assinando a escritura da compra do terreno do Canindé. Ao seu lado Adulcinio dos Santos, Paulo Machado de Carvalho (de camisa clara), Cicero Pompeu de Toledo (primeiro da esquerda para a direita) e Porfirio da Paz (primeiro da direita para a esquerda)

Foto de janeiro de 1944 pertencente ao arquivo do São Paulo mostra o então presidente Décio Pedroso assinando a escritura da compra do terreno do Canindé. Ao seu lado Adulcinio dos Santos, Paulo Machado de Carvalho (de camisa clara), Cícero Pompeu de Toledo (primeiro da esquerda para a direita) e Porfírio da Paz (primeiro da direita para a esquerda)

texto e legenda: site do MN

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E foi assim que o Deutsche Sportive morreu, assistindo ao extermínio de todos seus esportes amadores sendo perpretado por uma gente oportunista, usurpadora e historicamente preguiçosa. O clube foi delapidado por um conselheiro e vendido à Portuguesa quando já estava abandonado. E sabem o mais interessante disso, sabem o porquê de eu ter escolhido este site para comprovar o que de fato ocorreu (além, é claro, da legitimidade que me foi dada por um autor são-paulino que se diz embasado na História)?

É porque, se você for procurar a trajetória do Deutsche Sportive no Wiki, descobre que o moço aí em cima é quem fornece as informações: ali, onde os jovens de hoje mais consultam referências (para diferentes fins), só há a versão do menino orlandinho… Daí, vendo a coisa distorcida contada por ele, começamos a entender essa massa de alienados que esquenta mais sofás a cada dia. Mas vamos em frente:

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Em 1950, a imobiliária de Adhemar de Barros conseguiu um empréstimo público vergonhoso (viabilizado pelo então Governador do Estado, deixem-me lembrar… Adhemar de Barros!) para comprar e terraplanar uma gleba na região do Morumbi. Essa gleba foi transformada em bairro e ganhou o nome de Jardim Leonor – uma homenagem singela que remete ao nome da esposa de… Adhemar de Barros.

Então é chegada a hora, meninos: conheçam a musa inspiradora da Boutique:

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Madame vela o corpo do marido em Paris, em 03/69.

fonte: IstoÉ

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Seu perfil, segundo o site oficial do falecido governador biônico:

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“Foi também uma grande promotora política nas campanhas eleitorais. Liderou a criação do Movimento Político Feminino, fundado em setembro de 1947. Criou o Departamento Feminino no Comitê da Vitória na campanha de 1954. Participava dos comícios, organizava festas e reuniões.”

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[adendo inserido em 28/12/2008]:
N.C.: Este texto “oficial” enfeita, na verdade, a real importância que a Leonor de Adhemar teve na consolidação do Golpe Militar que depôs Jango Goulart do poder, em 1964. Foi ela a fomentadora da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, como vemos (resumidamente) aqui:

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A Marcha da Família com Deus pela Liberdade foi o nome comum de uma série de manifestações públicas organizadas em resposta ao comício realizado no Rio de Janeiro em 13 de março de 1964, durante o qual o presidente João Goulart anunciou seu programa de reformas de base. Congregou segmentos da classe média, temerosos do perigo comunista e favoráveis à deposição do presidente da República.

A primeira dessas manifestações ocorreu em São Paulo, a 19 de março, no dia de São José, padroeiro da família. Articulada pelo deputado Cunha Bueno (…), com o apoio do governador Adhemar de Barros, que se fez representar no trabalho de convocação por sua mulher, Leonor Mendes de Barros, organizada pela União Cívica Feminina e pela Campanha da Mulher pela Democracia, patrocinadas pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, o IPES.

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Muito já foi dito no blogue a respeito desse tempo, dessa gente, desse estádio. Vejamos então uma nota da IstoÉ, que reporta à época da morte de Adhemar e aborda a repercussão do fato:

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Um dos articuladores civis do golpe militar de 1964, acabou cassado pelo presidente-general Humberto de Alencar Castello Branco. “No fundo, fizemos a revolução contra nós mesmos”, havia constatado amargamente meses antes da cassação. Casado desde 1927 com Leonor Mendes, nos últimos anos de vida Adhemar viveu uma intensa relação com a viúva Ana Benchimol Capriglioni, conhecida nos meios políticos pelo codinome de Dr. Rui. “Ela foi um caso do velho Adhemar, parte de seu último governo”, reconhece Barros Filho. “Quando ele e minha mãe se exilaram na França, ela também o acompanhou.” Em março de 1969, Adhemar morreu em Paris. A fama de sua fortuna era tamanha que, quatro meses depois, um grupo guerrilheiro promoveu um assalto cinematográfico a um cofre com US$ 2,5 milhões, que se encontrava em poder da família de Ana Capriglioni.”

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Apenas para situar melhor o leitor mais novo no contexto que descrevemos: a foto de Adhemar que encontrei à venda no Mercado Livre, datada dos áureos tempos de seu populismo, fala por si só: diria que dispensa comentários, mesmo…

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adhemar

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Em 1951, Ela colocou na tesouraria de seu clube o Sr. Laudo Natel, político muito ligado a um certo Adhemar de Barros. E, como toda sorte de pressão sobre o prejeito Jânio Quadros havia falhado (Madame queria a área do Parque Ibirapuera para construir um estádio), o velho Adhemar resolveu a questão como pôde: o Governo do Estado doou uma área de aproximadamente 90 mil metros quadrados em uma região inabitada conhecida como…. Jardim Leonor! Por esses lados, não havia povo e ninguém se deu conta, e Laudo aceitou de bom grado o presentinho do governador.

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Privadão inóspito, 1960

Privadão inóspito, 1960

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Vale ressaltar, ainda, que qualquer doação de terreno público requer uma contra-partida para toda a comunidade, responsabilidade da qual Madame não se furtou em 04/08/1952, quando assinou esta Escritura Pública de Doação, já amplamente divulgada pelo movimento Morumbi Cidadania. A associação de moradores quer quer o clube cumpra alguns deveres do qual vem se furtando há 56 anos:

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escritura

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Nem estacionamento, nem parque infantil. Mas é importante demonstrar que esse desprezo pela própria comunidade que abriga o clube não foi um fato pontual, nem casual, como nos mostra o JT de março desse ano:

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"Cagar na cabeça" daqueles que a ajudaram lá atrás é um traço recorrente no caráter de Madame.

"Cagar na cabeça" de quem a ajudou no passado é uma característica recorrente da índole de Madame

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História bonita, não? Edificante! Vamos pular então alguns anos, somente para que ela não fique enfadonha, com esse pobre cronista tendo que repetir sempre os mesmos nomes:

Em 1966, o Governador de São Paulo, Adhemar de Barros, é afastado do cargo por corrupção. Assume então seu vice, o Sr. Laudo Natel, à época presidente do SPFW. Claro que este senhor de sorte não se desfez do primeiro emprego: foi, assim, presidente de clube e Governador do Estado ao mesmo tempo, em plena ditadura militar. Com tamanho poder em mãos, ele achou por bem convocar os alunos da rede pública, que precisavam de verba para realizarem suas formaturas, para venderem o famigerado “carnê Paulistão”, cujo dinheiro foi desviado em boa parte para se viabilizar a construção do Panetone Cor-de-rosa.Nessa época, também quem precisasse de um empréstimo bancário não saía do Banco Brasileiro de Descontos (hoje Bradesco) sem ser achacado por algum gerente que o fazia adquirir várias cotas do “Carnê Paulistão”.

E, novamente, continuar seria inútil. Porque podemos ouvir e ver a verdade na voz e nos gestos de Gardenal:

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os rastros

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Depois de assisitr esse vídeo, vale a referência: aqui vai uma informação retirada da página da própria torcida alienada. Façam as contas da quantidade de dinheiro público desviado:

O volume de concreto utilizado é equivalente à construção de 83 prédios de dez andares. Os 280 mil sacos de cimento usados, colocados lado a lado, cobririam a distância de São Paulo ao Rio de Janeiro.”

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Já em 1970, para tentar tirar a Madame da seca, o Governador Biônico da Ditadura Militar e presidente do SPFW sentava-se no banco de reservas das moças durante jogos decisivos, para poder intimidar o pessoal da arbitragem (nota: qualquer semelhança com a atitude de qualquer coronel de hoje, ali na linha de fundo, deve ser mera coicidência); na final contra a Ponte Preta, quando seu time perdia, o ditador desceu de helicóptero no meio do gramado e foi direto ao vestiário dos árbitros. E foi assim que conseguiram se livrar de uma fila de 13 anos, desfazendo a vantagem da Macaca em uma das finais mais absurdamente roubadas do futebol paulista, dentro da Bambineira, sob o olhar atento do chefe de governo.

[Aqui, em 06/12, faço um adendo] para inserir o texto veiculado esse ano pelo Correio Popular de Campinas, e agradeço ao vigilante amigo Ademir pelo envio:

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Em 1971, essa pressão surtiu efeito novamente. Não é mesmo, Armandinho?

Os que já leram Souvenirs de Madame podem pular o trecho em destaque:

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Os rastros

Os rastros: 1970 (o crime é contra a Ponte)

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Carlos Lacerda e Laudo Natel, o governador biônico e presidente do SPFW que se sentava no banco durante os jogos do seu time para poder controlar os árbitros


Você pode ler a entrevista edificante (cujo trecho reproduzirei) aqui, por completo. Para nossos leitores e amigos, deixo apenas um pedaço bem simbólico, representativo do fermento de alienação que faz inchar a massa leonor; trata-se de uma entrevista de Laudo Natel para o SPNet.

SPNet – No livro do ex-presidente Bastos Neto, ele conta que o Presidente Médici estava receoso de entrar no gramado e ser vaiado devido ao momento turbulento na política brasileira, mas o Sr. o encorajou dizendo que havia “dedicado uma vida para a construção desse estádio e esperava naquele 25 de janeiro esse reconhecimento”. O que aconteceu após a entrada do Sr. e do Presidente Médici em campo?

Laudo – Era a primeira visita do Médici a São Paulo (1970). E convidei primeiro o Costa e Silva, mas ele ficou doente e não pôde vir, até depois veio a falecer. Eu fiquei em dúvida em convidar o Médici, pois já havia convidado o Costa e Silva. Mas o convite é estendido ao Presidente da República, por isso o convidei. O Médici gostava de futebol, aliás ele era são-paulino aqui, acabou vindo. Mas, no dia da inauguração, com o campo lotado, a segurança do Presidente achou que ele não deveria entrar, talvez com receio de ser vaiado. Eu disse a ele: “Presidente, o senhor vai entrar comigo, pois se existe alguém que não pode ser vaiado hoje, esse alguém sou eu. Então, o senhor entra comigo”. Aí, ele aceitou e entrou. Na hora que ele entrou, foi uma ovação do público, deixando-o arrepiado. Tanto é que ele, que já gostava de vir a São Paulo, ficou freguês de vir pra cá. No período em que eu fui governador, ele veio umas vinte e tantas vezes. Mas, a entrada dele foi na inauguração do Morumbi.”

Torcida invejável, né?… Veja uma foto do dia da inauguração do Privadão, em meio à festa repleta dessa gente singela:

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Recordando: Laudo foi o presidente do SPFW nos anos mais negros da ditadura, indicado pelo então governador Adhemar de Barros. Era o laranja de confiança para o governador, que planejava desviar dinheiro público e fazer concessões ilegais de terreno para que seu clube (com histórico recorrente de falências e nenhum patrimônio) conseguisse ter um estádio. E o fez, logicamente, por intermédio de sua imobiliária.

E, também logicamente, o governador acabou sendo afastado por corrupção, em 1969.

Mas nessa época Adhemar já tinha feito Laudo Natel seu vice. Então o presidente do SPFW e diretor do Bradesco (instituição que mais enterrou dinheiro escuso na Bambineira) tornou-se também governador biônico de São Paulo – em um contexto onde seu time passava por uma seca de títulos, pois, enquanto erguia o anti-estádio, o clube não ergueu nenhuma taça.

Ao todo se juntaram 13 anos de fila e o time leonor chegava à decisão de um Paulista contra a Ponte Preta. E no seu estádio, recém-inaugurado pelo governador biônico, que já havia adotado o hábito de sentar-se no banco de reservas tricolor para intimidar a arbitragem.

Bons tempos da ditadura militar, auge da glória leonor, onde não era preciso sequer colocar um coronel na linha de fundo para intimidar uma bandeirinha.

Era preciso tirar o time mais querido dos barões da fila. Era preciso mostrar isso para a arbitragem, ostentando poder e aparato militar para que a coisa ficasse clara… então, naquela decisão em 70, Laudo Natel foi além e decidiu fazer uma entrada especial: com o estádio lotado, pousou de helicóptero no meio do gramado, cercado de seguranças, e foi direto para o vestiário de arbitragem “cumprimentar” o caga-regras escalado para o jogo, ninguém menos que Arnaldo César Coelho. Sim, o mesmo Arnaldo global que quer nos ensinar que “a regra é clara“.

Não há porque prolongar o texto nessa postagem. Veja o leitor e amigo e julgue por si só o pênalti anotado por Arnaldo contra a pobre Ponte Preta naquela partida, sob o olhar atento do chefe de governo.

Mais um capítulo essencial na história de Madame:

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Em 1981, quando Madame tomava o segundo chocolate do Botafogo pelas semi-finais do Brasileiro, em plena Gaiola das Loucas, a diretoria esperou o intervalo do jogo para mandar ao vestiário do árbitro Bráulio Zannoto três seguranças armados: Brandão, Maurinho e Chitão – que, curiosamente, eram seguranças da Macaca (e foram contratados só para esse serviço). Conta o árbitro que nada fez, além de ajudar Madame a virar o jogo, porque teve medo das consequências…

Para contar melhor esse episódio, novamente recorreremos ao nosso arquivo do “Souvenirs…”:

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1981 - A vitima é o Botafogo

Os rastros: 1981 - A vítima é o Botafogo

Semifinal do campeonato brasileiro de 1981, SPFW x Botafogo. No primeiro embate no Maracanã, o Bota saiu vencedor por 1 x 0: restava vir para São Paulo e segurar o empate, pois a vantagem era do time paulista em caso de uma vitória para cada lado. Mas Gérson, do Bota, abriria o placar em São Paulo, ainda no começo de jogo, espalhando um balde de água fria no entusiasmo leonor; e em um contra-ataque alvinegro, aos 19 minutos, Mendonça faria 2 x 0, após belíssimo lançamento de Perivaldo. Fatura encerrada?

Se fosse um time de futebol do outro lado, provavelmente sim. Mas se Madame precisa de 3 gols, vai conseguir 3 gols, não importa por quais vias: aos 45 minutos do 1º, após cruzamento na área, Chulapa esbarra nas costas de Gaúcho Coalhada e se atira no chão. Pênalti.

Talvez, não fosse Serginho o protagonista da cena, e o lance poderia até gerar dúvidas, pois Coalhada abriu os braços; mas ali não dava. Quem viu o Chulapa jogar (e lembra do seu “tamanhinho“) sabe que jamais ele seria deslocado daquela maneira, ao contrário, se pudesse fazer o gol, deslocaria quantos marcadores estivessem a sua volta… Mas é pênalti, Chulapa cobra e é gol. O goleiro tenta pegar a bola para retardar o reiníco do jogo; aí Serginho, o frágil, atira o goleiro Paulo Sérgio no chão somente com uma bundada. Reclamação da defesa do Bota, mas o juizão ignora o choro carioca e termina o primeiro tempo.

A senha estava dada: o juíz era covarde, caseiro no mínimo – e então Madame parte para o segundo ato, escrevendo um dos capítulos mais vergonhosos da história do calcio nacional: Assim que Bráulio Zanotto entra no vestiário dos árbitros, percebe a presença de 3 seguranças armados (Brandão, Maurinho e Chitão), todos contratados da Ponte Preta para fazer aquele trabalho esporádico e sujo. Um bandeirinha consegue fugir do vestiário, o outro não.

Alegando que Bráulio estaria “prejudicando” o SPFW, os três desferiram murros em Zannoto, intercalados com chutes no seu tornozelo; um bandeira também apanhou bastante, mas nenhum dos dois teve coragem de parar o jogo ali: voltaram a campo e Ela fez o que quis no segundo tempo, até chegar ao terceiro gol.

Com Zannoto mancando visivelmente.

E, quando fizeram o 3º gol, no placar eletrônico da Bambineira começou a aparecer os horários da ponte aérea para o Rio, mandando o Botafogo para casa. Entre os horários dos vôos, o placar “mandava seu recado”: “Fogão, Fogo, Foguinho, Fumaça, Cinza“.

1981, tempo da ditadura, ainda. Madame já tinha a caneta, escrevia o que queria e ninguém reclamava. Áureos tempos leonores, onde não era preciso sequer manipular procuradores fora de campo.

Anos mais tarde, Bráulio Zannoto contaria em detalhes o ocorrido, dizendo-se arrependido por não ter sequer relatado o que aconteceu na súmula do jogo, pois havia sido ameaçado. O vídeo que você vai ver abaixo é um especial feito pela SporTV com Éverton, herói das meninas naquele embate. Repare em alguns detalhes no vídeo:

1) Veja o desconforto de Éverton ao ser questionado se algum fator no vestiário deu ânimo ao SPFW para virar o jogo; o repórter pergunta claramente a respeito do pré-jogo (já que o Bota ganhara a primeira), e ele responde que, com união, “revertemos uma situação praticamente impossível“. Ou seja, ele responde pensando que o repórter o argüia a respeito dos fatos ocorridos no intervalo.

2) Repare como ele comenta, sem graça, o gol de pênalti anotado por Bráulio. Ele diz “mesmo que foi de pênalti, né?” como quem diz “mesmo com um pênalti daquele…”; note também quanto tempo o narrador e o repórter demoram para acreditar que o juizão realmente havia marcado aquilo.

3) Após o 3º gol, na comemoração, veja que pelo menos dois diretores/conselheiros/seguranças ou sei lá o quê, simplesmente invadem o gramado e se atiram no chão com Éverton para comemorar o feito, na cara do bandeira, que fica atônito e não adverte ninguém (um deles está de calça social marrom e camisa clara, de mangas compridas).

E, finalmente, veja se você daria pênalti naquele lance.

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Poderia continuar até amanhã, destrinchando ano a ano a calhordice dessa gente; Falta o episódio da contraprova de Mário Sérgio, em 1984; tem o Aragão operando o Guarani em 1986; tem o rebaixamento de 1990 que a FPF conseguiu transformar em título paulista em 1991; tem Madame com crise de TPM em 1994, esburacando seu próprio gramado para impedir Palmeiras x Corinthians de realizarem o jogo do título em sua casa…

Mas creio que vocês que me lêem, em sua maioria, têm idade suficiente para não se lembrarem de uma glória ou um título os quais Madame ostenta, que tenha sido ganho na bola, sem a influência sombria da mão que a gente não vê.

De todo modo, deixo abaixo algumas referências importantes sobre caráter Dela, que é preciso consultar para entender porque os “Parmeristas” históricos sempre fizeram questão de nos revelar quem é o verdadeiro inimigo; e inimigo é para ser destruído, não perdoado.

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A verdadeira história do time do Morumbi“, por Marcelo Nacle

Os verdadeiros bandidos“, por Barneschi

Como se fabrica um campeão“, pelo blog Parmerista

A campanha suja de Madame“, por este Cruz

Morumbi, Não!“, pelo blog homônimo

Pra não dizer que não falei dos erros“, por Secondo Tucci

Souvenirs de Madame, por este Cruz

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Este post foi patrocinado pela S4M5UN6

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Futebol é no estádio!

A turma do paletó cinza

Drogas no futebol: Pelé põe Ronaldo e Robinho ao lado de Maradona.

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Ô gordito filho da…

A melhor cantada do mundo

O Milan ligou

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Belluzzo nos braços da torcida:

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Do canal Parmerista!, no YouTube.

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Inscreva-se na Videoteca do Cruz de Savóia. Demora 10 segundos, não custa nada e você tem acesso a mais de 200 arquivos de vídeo (o número cresce diariamente) sobre o Palmeiras e futebol, todos devidamente organizados nos seguintes canais:

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A intenção toda tinha um cunho psicológico: era fazer com que os palmeirenses entrassem em 2009 derrotados. Não como os campeões legítimos de um certame o qual estamos às vésperas de mais uma edição, agora defendendo o título; queriam nos tirar a confiança e nos ver cabisbaixos, sem esperanças, incapazes de enxergar um time forte e estruturado que vai brigar pela Libertadores.

Há apenas quatro, cinco dias, chovia manchetes e avaliações nesse sentido:

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Palmeiras corre o risco de começar 2009 improvisado“,

Verdão só terá 1 atacante no início do Paulistão“,

Lenny, o atacante sem gols, é o único centroavante para 2009“,

Kléber já acertou suas bases salariais com o Corinthians em almoço com Sanchez

Em meio à indefinição política, Palmeiras já perdeu metade do elenco“…

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E assim vai… Nem me dei ao trabalho, desta vez, de colher tais notas para reproduzí-las integralmente: pois foi com elas que viramos o ano, eu e vocês. Apesar de termos saltado a frente de qualquer concorrente e de termos entrado em 2009 com duas belíssimas contratações, as de Keirrison e de Marquinhos.

Agora não tem mais jeito e tiveram que dar a nota correta: chegou o bom Armero, lateral* colombiano; o promissor Willians também já assinou. Cleiton Xavier, Danilo, Maurício…

Pois então: com que cara ficam os escreventes de Madame?

E Kléber pode ficar, ainda mais essa! Eu me pergunto: e se fosse Ela? E se, pelos lados da Boutique, tivessem desembarcado mais 2 ou 3 crentes com cara de bunda lisa e discurso de lamber freira, qual não seria o alvoroço da mídia paga?

Sim senhores, mídia paga, e o dilema moral nem é esse, pois é bom quando recebemos devidamente pelo nosso trabalho. O problema é quando o trabalho é indevido.

A questão fundamental é rompermos a linha do bom termo com essa laia, é pararmos de acreditar que a imprensa esportiva de São Paulo tem qualquer tinta de seriedade ou honestidade quando prepara uma matéria sobre o Verdão. Porra, perdoe-me o Palhaço juquinha pelo plágio, mas não faltam trouxas…

Teve bebê chorão aí pedindo dinheiro desesperado, passando sacolinha, como se pedisse mesada para o papai… Teve diretor que caiu nessa. Teve torcedor que deu dinheiro. Trouxas.

Aliás, sobre este assunto, Conrado já discorreu com propriedade, então vou me conter. Mas a verdade é que os jornalistas já perceberam, e faz tempo, o quão baixa pode ser a auto-estima de um palmeirense que não fechou o ano como campeão. E também sabem, há anos, o quanto podemos ser impacientes, corneteiros e ingratos com nossos ídolos. Abusam desse nosso temperamento, e continuam a jogar queijo podre na macarronada.

Porque nós os validamos. Nós.

De resto, queria mandar um recadinho para parte da torcida daquele time que andava sumido, aquela galera que geralmente se esporra toda antes mesmo de tirar as calças, e que andou cantando de galo por aí:

Kléber fica. Siamo noi, Fratelli!

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Via de regra, respeito um sujeito bêbado, especialmente se ele for um apaixonado pelo calcio; sou daqueles que não confia muito em quem não bebe ou sustenta que não liga para futebol – isso para mim, exagero ou não, costuma definir o caráter de uma pessoa.

Mas não há verdade absoluta nesse mundo… hoje, por exemplo: vi um cartola alcoólatra, caindo pelas tabelas, promovendo, em um programa de TV, sua apologia ao roubo, à vaidade e à ditadura militar. Era J.J. Scotch Whiskey refastelando-se em uma de suas cadeiras cativas na imprensa.

Arrastando as palavras, reverenciou Laudo Natel e sua capacidade de desviar o bem público para sua instituição privada: J.J. se gaba, com todas as letras, do cimento e areia roubados por Laudo Natel para dar início às obras do Privadão:

“O Laudo foi o oxigênio desse processo”, proclamou, de boca cheia.

Tudo que sempre dissemos aqui, com palavras lúcidas ou raivosas, Whiskey confirmou a um de seus meninos, enquanto enrolava a língua. O presidente daquele clube sem alma, não foi ninguém menos que isso.

Que ainda destacou Henry Aidar como um grande empreendedor da construção do estádio. Para quem não sabe, esse foi o responsável pelo famigerado carnê-paulistão – aquele que o governo biônico do estado obrigou os alunos da rede pública a sairem vendendo, sob o pretexto de pagarem sua própria formatura. O mesmo carnê que era usado como instrumento para achacar qualquer empresário que entrasse no Banco Brasileiro de Descontos para pedir um empréstimo: não conseguia, a menos que comprasse no Bradesco uma bela cota de carnês-paulistão.

O mesmo carnê que teve seus lucros desviados para a construção do espaço das cativas do Morumbi, como J.J. faz questão de ressaltar, orgulhoso, em sua entrevista etílica.

A entrevista ainda registra mais alguns desvios de valores que nos afastam dessa gente e nos faz vê-los como sub-torcedores de uma agremiação suja que não merece existir.

Whiskey faz a exaltação da vaidade dos seus homens como se fosse esse um princípio de boa conduta moral, mostra seu orgulho pelos títulos conquistados a qualquer preço, reafirma taxativamente a pressão exercida fora de campo sobre a arbitragem por parte de seu clube…

Ali está tudo que construiu o pensamento eugênico de seus “torcedores” de hoje.

Enfim, estou de estômago embrulhado como o presidente deve estar de ressaca. Não há como dizer mais nada lúcido agora, portanto deixo para análise dos amigos esse videozinho histórico, enviado pelo leitor Valmir – e que você também já pode ver aqui.

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O juizão do Engenhão, como bem já lembraram Conrado e Ademir, é o mesmo que validou o gol do Fluminense sábado, após Washington ter tentado meter a mão na bola, iludindo os reflexos do nosso Santo. Ontem, ele achou que um botafoguense (parado) prejudicou a Borboletinha e não deixou Madame perder 2 pontos na reta final do certame.

É aquele juizão caseiro que já conduziu até aqui quase 90% de triunfos dos times mandantes com os quais se deparou. Mas há exceções: O SPFW ganhou fora com ele no apito DUAS vezes: na Bahia e ontem, naquela beleza de jogo.

Vergonha, ninguém mais tem na cara. Seria o caso de devolvê-la a esse gente à base de socos e pontapés. Nenhum caga-regras-comentarista contestou esses dois lances; Pra esses, o boçal agiu corretamente, tanto ontem, quanto domingo – e nos jornais a percepção é a mesma.

Não trata-se de “teoria da conspiração”. Lembrem-se de como esse time chegou ao título de 2007, e lembrem-se que o complô para catapultar um time corrupto ao título é um fato mais comum do que se imagina.

Em 1993, o Olympique de Marseille subornou jogadores do Vallenciennes para que perdessem, na penúltima rodada do campeonato francês. Descoberta a farsa, o Olympique teve cassados dois troféus europeus, seu time foi rebaixado e o presidente foi preso.

Na Itália, em 2006, a máfia do apito teve como consequência o rebaixamento de Juventus, Fiorentina e Lazio. E mais, começaram a Série B do outro ano, respectivamente, com 30, 15 e 7 pontos a menos que seus competidores; ao Milan foi imposta a pena de não poder participar da Copa dos Campeões, além de entrar no Lega Calcio de 2007 com 15 pontos de desvantagem.

Só para ficarmos nos exemplos que mais repercutiram… e aqui? Quando vão descobrir o que todo mundo já sabe?

Bom, eu sei, vivemos em um país que não assume com a responsabilidade devida seu maior patrimônio cultural – a bola. O povo percebe o que acontece e se revolta, mas dá menos importância do que deveria à gravidade desse estelionato: não percebe que sua maior riqueza está perdendo seu valor, pois a imagem do futebol vai ficando a cada ano mais suja.

É preciso desmascarar o São Paulo a tempo.

Porque, se for demorar muito tempo, eu repito: alguém, uma hora, vai se revoltar seriamente com a trupe do Caixa 2 de Madame (MP, STJD, imprensa, comissão do apito…) e aí, meus amigos, a vergonha será devolvida a essa gente à força, debaixo de muita porrada. Ontem mesmo, foi por pouco.

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Deixo abaixo três textos que vão desagradar muita gente que nos acompanha; depois disso, perdoem-me se não atualizar a página com a frequência costumeira, pois estou com nojo do Palmeiras. E nojo de São Paulo, e nojo de quase tudo.

Pensei bem antes de postar essas reflexões, mas é o seguinte: um blogueiro amador é um abnegado. Gasta horas e dias de sua vida para construir um veículo de informação virtual, e muitas vezes nem ele tem idéia exata da validade e pertinência do que escreve, sob a ótica de quem lê, isso quando os leitores o visitam. Portanto, tanto esforço só pode ter uma jóia de valor: penso que esse é o único espaço do mundo onde posso dizer o que quero, do modo que acredito, sem ser obrigado a me adequar a nenhum juízo moral que não seja o meu próprio. Portanto, lá vai meu ódio destilado – e me perdoem os que se sentirem ofendidos:

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1) O resultado de hoje era tão óbvio que não me deixou triste: o Palmeiras não merece ser campeão. É verdade, ainda é possível, nesse campeonato equilibradíssimo, onde o líder é medíocre em campo e aqueles que o seguem não fogem da burocracia da bola. Podemos chegar lá. Mas é o seguinte, seria uma injustiça, porque esse time não merece o penta. E explico:

Temos uma torcida maravilhosa, e é só isso que me entristece. Mas essa torcida foi tratada como lixo pelo próprio clube, desde a primeira rodada em que foi mandante. Disseram que não éramos bons o bastante para torcer pelo Palmeiras no Palestra, e tentaram aumentar o ingresso para R$40,00, para ver se gente melhor apareceria no campo. Não deu. Voltaram atrás, mas não muito: ainda sustentamos o ingresso mais caro do Brasil.

Esse ingresso inflacionado tem uma razão de ser, e a razão não é a nova realidade do mercado da bola, onde a bilheteria deve representar importante fonte de renda ao clube. O verdadeiro motivo dessa cobiça nos foi revelado logo após a final do Paulista (onde a diretoria deixou a polícia nos espancar na fila dos ingressos, que sumiram, e ainda dentro do Parque Antarctica, já no segundo tempo da finalíssima): há gente lá dentro, como o Sr. Pica Pau, o sr. Ebem Gualtieri e o Sr. Palaia (alô, Conrado, estou tentando separar o joio do trigo…) que tem uma relação para lá de obscura com a empresa de fachada dos irmãos Balsimelli, como já cansou de mostrar o bravo Barneschi.

Os ingressos adentram a diretoria, somem das bilheteria e reaparecem em massa nas mãos dos cambistas.

Alguns são falsos, confeccionados pela própria BWA, coisa já fartamente comprovada.

O Palestra lotado é sempre uma ilusão de ótica: por mais que o torcedor não encontre ingresso, em todo jogo 1000, 2000 ingressos são “devolvidos”, segundo a lenda de quem desvia a “féria” de domingo.

Se o torcedor associado reclama, conselheiros ameaçam-no de expulsá-lo do clube, como fizeram com o amigo Ademir – que tirou foto e registrou o fato, na final contra a Ponte.

Mas, na hora do jogo, foda-se o Palmeiras. Porque, durante os dias que antecederam alguns embates, nesse torneio, ficou bem claro que havia a intenção de se prejudicar nossa equipe. Ou pelo fato do adversário criticar a arbitragem e botar pressão, ou pelo fato do STJD instalar o terrorismo na cabeça do nosso elenco, ou pelo fato da imprensa querer causar um clima de guerra onde só havia paz. Mesmo assim, essa diretoria passiva viu o Palmeiras ser roubado em casa domingo passado, ser humilhado pela arbitragem em seus domínios, e não reagiu, nem na quarta-feira.

Como uma puta que apanhasse para devolver o dinheiro ao cafetão. Quando ele bate e toma a grana, ela não reclama. Só chora.

Nesse sábado, como já havia nos alertado o 3VV, escalaram o mais caseiro dos caga-regras para conduzir nosso jogo. O cara havia apitado 12 ou 13 jogos: 30 pontos para o mandante e apenas 6 para os visitantes, se não me falha. Três desses pontos como visitante foram para o SPFW, jogando na Bahia, contra aquele time cujo nome não entra nessa página. Jogos do Fluzão? Nenhum: esse foi o primeiro. O cara veio de Brasília para fazer o que fez, com uma missão a cumprir. Porque o Palmeiras pode ter se perdido em campo, bobeado na marcação, mas aquele primeiro gol… Eis o que ocorreu:

Na batida da falta, a bola era do Marcos. Mas apareceu Washington, matador certeiro em jogos decisivos, na frente do Santo, sem marcação alguma; então Marcão novamente teve de agir como zagueiro (fato recorrente no certame), e desviou sua atenção para o atacante, se esquecendo da bola. Já o avante, quando percebeu que não conseguiria desviar a redonda, esticou acintosamente o braço, ludibriando nosso arqueiro, que tentou prever a trajetória da pelota no lance.

Qualquer juíz sério invalidaria a jogada e premiaria o “coração de leão” com um amarelinho. Agora, o fdp é Washington, o Flu, o juizão que tinha um trabalho a cumprir? Não, né… Se por aqui sabíamos o que aconteceria (palmas ao 3VV novamente) e ainda tentamos avisar (como no domingo passado), por que raios aqueles caras que desviam dinheiro do Palestra não perceberam? São burros? Ou estão cagando para o Palmeiras?

Claro, novamente, vamos separar o joio do trigo, porque há ali gente séria, gente de bem: assim me parecem ser Toninho Cecílio, Cipullo, Belluzzo e sua trupe. Só que o problema é mais embaixo: de boa intenção, os times pequenos estão cheios… De covardia, também. Precisamos de um homem lá, cacete! Um cara que levante a voz e intimide a imprensa e os tribunais, como Eurico Miranda fez a vida toda para defender o seu time, estando ele com a razão, ou não. Ele amava seu clube e demonstrava isso, por isso ficou tantos anos no poder sem ser incomodado.

Disse isso outro dia e fui mal compreendido: se é para ver meu time dominado por uma facção comprometida, que não cuida da receita que adentra no clube, melhor seria ter um ditador com o saco roxo, que subverte a ordem vigente para ver o time que ama levantar a taça.

Porque não está resolvendo nada nos fiarmos naqueles cagões de fala mansa e paletó, que se escoram nos aportes de capital (conquistados graças ao patrimônio imenso do Palmeiras) para venderem a imagem de uma administração moderna. São bundões, só isso. Covardes, covardes….

Por esses motivos, e ainda pelo fato de termos uma equipe irregular, inconstante, que não sabe se impor nos momentos decisivos, não merecemos ser campeões brasileiros nesse ano. Se você não se convenceu ainda, analise comigo:

11ª Rodada: Madame 2 x 1 Palmeiras, nem entramos em campo;

13ª Rodada: Goiás 3 x 2 Palmeiras, quando os goianos lutavam contra o descenso;

21ª Rodada: Internacional 4 x 1 Palmeiras, um dos poucos trunfos do Colorado até então;

24ª Rodada: Palmeiras 0 x 3 Ixpót, em casa, depois de tudo que engolimos deles;

31ª Rodada: Fluminense 3 x 0 Palmeiras: nunca vi um campeão com essa campanha.

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2) Attecchiri era um sobrenome engraçado, motivo de piada para o amigo desde os tempos do primário, como se esse também não levasse um sobrenome hilário, herança de sua terra natal: Abbagliato.

Desde os tempos de colégio, da “era da inocência”, percebiam uma empatia entre si, uma disposição de espírito muito parecida, o desejo de construir a própria saga, de levar a cabo o ideal aprendido nas aulas de História e nos jantares com os avós: Veni, vidi, vici, a inspiração máxima do romano Júlio César.

O problema, no entanto, era sempre o mesmo: na hora de empreenderem seus objetivos, sempre se entrepunha a mesma discordância entre os dois. Attecchiri queria fazer as coisas só do seu jeito, com muita calma e sempre de um modo ortodoxo e pouco amigável. O outro, por sua vez, quando tinha uma idéia, queria vê-la em prática, sem analisar as consequências, custasse o que custasse. Abbagliato não parava muito para pensar: era sempre agora, ou nunca.

Assim, sem conseguirem jamais chegar num acordo, foi questão de tempo até que a vida os afastasse, não sem antes promover uma enorme mágoa no coração dos dois. Logo, um e outro não podiam mais se ver, pois a raiva falava mais alto e as nuvens do céu se acumulavam densas.

Curioso é que seus defeitos serviram de mola propulsora para que crescessem na vida e, enfim, alcançassem o sonho de ser maiores que tudo e todos; fizeram sucesso na vida, ambos, e causaram muita inveja. Abbagliato, lógico, foi quem saiu na frente. Com sua disposição e garra inigualáveis, conquistou um sem-número de admiradores apaixonados, a ponto de poder sempre contar com eles quando um problema se apresentava. Por sua vez, Attecchiri, embora demorasse um pouco mais para chegar onde queria, foi muito mais longe do que sua família poderia sonhar… Fez tudo aos poucos, com o capricho e esmero que lhe era peculiar; inovou a roda do mundo em seu meio de trabalho, sendo pioneiro e perfeito em quase tudo que construiu. Teve sua estrada coberta de louros, e também conquistou a admiração dos seus, que passaram a amá-lo cada vez mais, sentindo um orgulho sem tamanho do filho pródigo.

Mais curioso ainda foi quando ambos finalmente perceberam que os mesmos defeitos que os acompanhavam (e que os impulsionaram na vida) também poderiam ser sua desgraça. Attecchiri pagou caro por seu caráter passivo, sua crença no “deixar levar”, pois quem mais o invejava sempre se aproveitou disso para tentar roubar o que era seu. E Abbagliato, com seu impulso incontrolável e a mania de achar que era maior que o mundo, deixou escapar importantes conquistas em sua vida, por se cobrar mais do que devia.

No entanto, não vamos fugir à história: quis o destino que os dois, na idade adulta, fossem morar no mesmo prédio. Pior do que isso (só podia ser brincadeira de Deus, que não tem mais o que fazer), foram parar no mesmo andar. Vizinhos de porta. E logo na primeira vez em que se reencontraram, o ódio falou mais alto que os antigos sonhos de criança.

A parti daí, passaram a competir um com outro de maneira frenética: ambos queriam voltar para casa ostentando um sucesso maior do que o conquistado pelo rival. Porque, mesmo naquelas cabeças adultas, sobrevivia a lógica do primeiro orgulho: quem obtivesse mais glórias, conquistaria também a razão sobre os argumentos da infância, os mesmos que os separaram irremediavelmente.

Assim competiram por anos a fio, e venciam sempre na vida, motivados por suas crenças. Até que um dia Attecchiri se deu muito mal… Sua complacência e vaidade finalmente cobraram seu preço: o grande italiano perdeu quase tudo que tinha e teve que se mudar dali, para a glória e gozo de Abbagliato, que fez grande quizumba em seu apartamento: enfim havia vencido.

Attecchiri, com poucos recursos, mudou-se para o andar de baixo, em um cômodo apertado, triste e humilhado por ter se deixado empobrecer desse jeito. Mas sobrara ainda seu coração, que era nobre, e seu sangue, que era ruim. Assim, em pouco tempo, ele refez sua vida, sua fortuna, e retornou à sua casa, para a decepção do rival.

E foi quando voltou para seu lar que Attecchiri notou a mudança no antigo amigo: Abbagliato, sem poder saber de sua vida por conta da distância, parara de se empenhar no que sabia fazer melhor: ser grande, ser guerreiro. O italiano lhe fizera falta… Então sorriu de canto de boca, esperando a hora em que o vizinho afundaria, para vibrar também.

Não demorou muito: tendo perdido o tino de sua própria nobreza, Abbagliato meteu-se em negócios escusos, meio sem saber – mas sabendo. Vendeu sua alma e teve sucesso momentâneo, e todos voltaram sua atenção para ele, que fazia festa: estando o rival na porta do lado ou não, ele ainda tinha mais glórias para mostrar.

Só que uma hora “a casa caiu” e a falta de lisura dos empreendimentos em que Abbagliato se metera trouxe os problemas à tona, e a polícia até sua casa. Viu tudo que era seu ser confiscado, mas não se desesperou. Tendo um patrimônio inigualável, a fé cega daqueles que o amavam, calculou que nada de mal lhe aconteceria. Passou ainda algum tempo debochando do vizinho, mesmo em meio à penúria, alardeando ao prédio inteiro que jamais se mudaria: ele não era Attecchiri, e Attecchiri era menor.

Mas, não obstante o choro dos que lutavam por ele, Abbagliato enfim quebrou, e teve que se mudar. Por ironia, aquele apartamento um andar abaixo, baratinho e sem janela, estava novamente vago. E para lá Abbagliato foi, engolindo seu orgulho.

Foi a vez de Attecchiri comemorar e ficar embriagado: – La vendeta!, gritava com toda força que havia em seus pulmões, para que Abbagliato o ouvisse lá embaixo. E teve também seus momentos de glória, a partir dali – enriqueceu mais, a exemplo de Abbagliato quando estava em sua posição.

No entanto, logo Attecchiri sentiu um vazio em seu peito. Por mais sucesso que conquistasse, faltava-lhe alegria, e ele não sabia a causa disso. E logo foi se acomodando ao que já tinha, deixou de lado seu capricho com as coisas, parou de lutar, de defender o que era seu… Às vezes ouvia Abbagliato gritar qualquer coisa lá de baixo e sentia uma pontada que lhe esquentava o tórax, reavivando seu interesse pela vida. Mas, sem saber mais das coisas daquele que odiava, parou de se preocupar em entender o porquê.

Enquanto isso, Abbagliato não se deu por vencido. Sabia que tinha de lutar cegamente pela vida e que, se o fizesse, nada o deteria. Logo na primeira oportunidade, ganhou outra vez grande fortuna e voltou ao lar que deixara. Anunciou a proeza ao rival dando outra grande festa, como era de seu feitio.

O que aconteceu nesse momento é o que torna a história mais interessante: Attechiri não andava feliz consigo, tampouco com o mundo – e se guardava em casa, cultivando seu mau-humor de berço. Pois, justamente naquela hora, Abbagliato decidiu comemorar seu retorno, abrindo as portas de seu antigo lar para os milhões de amigos, fazendo um estardalhaço que não permitia ao rival ruminar sua enorme tristeza.

A música era um atentado aos ouvidos de Attechiri, que ainda achava as visitas de mau gosto e o barulho muito alto. Nesse dia ruim, disse: – “Chega!“, e irrompeu pelo corredor do prédio, pronto a soltar todos os impropérios que conhecia nas orelhas daquele cazzo’n culo. Foi quando a roda completou seu giro…

Quando enfim deu de cara com o rival, disposto ao enfrentamento, percebeu que o antigo amigo o olhava de outro jeito, com um misto de estranheza e revelação. E com Attechiri sucedeu-se o mesmo: viu no olhar do vizinho uma dor perene e o peso dos anos. Sem que se dessem conta, aquela empatia da infância reavivara sua chama, e os dois relembraram em silêncio os velhos dramas.

Houve um tempo em que não eram inimigos, e seus ideais eram parecidos.

Houve um tempo em que os dois eram cientes de sua grandeza – e se uniram muitas vezes, no passado, contra aquela gente vazia e sem alma, sem talento e sem amor, que os invejava e os tentou derrubar tantas vezes.

Houve um tempo em que o inimigo era comum, e o que havia entre os dois era só orgulho e dignidade, e isso os fez ganhar o mundo. Tudo isso compreenderam ao mesmo instante e, embora calados, um pressentiu no outro aquele brilho no olhar:

Estamos juntos outra vez, unidos pelo antagonismo que nos criou. Como preciso de você…

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Então Abbagliato perguntou, de queixo erguido, em tom de ameaça:

– O que é que você quer aqui?

No que o outro respondeu, antes de se virar e ir embora:

– Só vim dizer que sua festa está uma merda.

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3) Tentei o quanto pude deixar minhas convicções políticas longe dessa página. Mas, como não consegui mesmo, agora vou chutar o balde:

Admito que um alienado, daqueles que adoram dizer “político é tudo igual”, vote no Kaxab. Afinal, quem não tem personalidade é levado pela corrente, é uma lei mundana. Agora, o sujeito que se interessa minimamente pelos assuntos da cidade em que vive, que assisitu algum dos debates, vir me dizer que vai votar na Arena?!

Então repito o que já disse em outros fóruns de discussão: São Paulo é a contramão do Brasil. É a marcha-ré do Brasil… 80% do povo dessa nação acham o governo petista bom ou ótimo mas, por aqui, o ranço dos quatrocentões infecta a classe média, que elege um ratinho de Maluf, um candidato do PFL, mesmo sabendo que a Marta é melhor. E o faz por dois motivos bem simples.

Primeiro: A elite de São Paulo é o cancro desse país. Para ficar claro: a elite de São Paulo é o cancro desse país. Se alguém pulou a linha: a elite de São Paulo é o cancro desse país. Sempre que um governo democrata, com visão social, governa essa cidade, eles se enervam e votam baseados no ódio que nutrem pela sua própria gente.

E São Paulo desconhece o Brasil. Eles têm raiva de Marta, porque ela deu condições dignas de vida para gente desprovida de tudo, e isso ameaça a classe-mediazinha de saco rendido e mesquinha. O cara não tem um projeto de governo, e quem vota nele sabe disso. Como votou no Pitta e no Maluf sabendo disso. Gente podre, gente nojenta e desprezível. É em meio a esse povo que vivo. Vão eleger um coronelzinho só pelo prazer de verem os pobres se ferrarem, mesmo que se fodam juntos. Gente pequena e imbecil…

Segundo: Eu prefiro uma puta assumida que solta um “relaxa e goza” para a classezinha que viaja de avião, do que uma bicha enrustida que chama o povo de vagabundo diante das câmeras. E qualquer pessoa sensata prefere também. Escolher o Kaxab entre os dois é assinar uma confissão de impotência e dizer bem alto: “Sou um cuzão conservador que tem medo de mulher”.

Não é à toa que republicanos e pastores dão o cu escondidos.

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